<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941</id><updated>2012-01-30T02:03:15.666-02:00</updated><title type='text'>:: motorista do CAMINHÃO de LIXO ::</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>168</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7961351006329087182</id><published>2012-01-28T17:32:00.000-02:00</published><updated>2012-01-30T02:03:15.671-02:00</updated><title type='text'>[Tar on my feet]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teve a vez em que a garota salvou a minha vida.&lt;br /&gt;Hospitais são pavorosos. Geralmente, as pessoas pensam isso a respeito dos cemitérios, sem se dar conta do quanto, na verdade, eles são reconfortantes -- nós atravessamos seus portões cheios de luto e pesar, e, quando os cruzamos de volta, estamos um pouco mais preparados para aceitar. Já os hospitais são traiçoeiros -- eles nos seduzem com suas promessas de adiamento do fim e, no entanto, muitas vezes o que encontramos por lá é só angústia e desengano. É dos hospitais que geralmente partem as notícias ruins.&lt;br /&gt;Pensava nisso enquanto caminhava, tarde da noite, pelo estacionamento quase vazio. Dei uma olhada para trás e, embora dali fosse possível ver as luzes fluorescentes do saguão, senti a atmosfera pesada, como se uma nuvem ainda mais escura que o céu pairasse sobre o prédio branco. Enfiei a mão num dos bolsos. Dificilmente encontraria ocasião mais apropriada para fumar o primeiro cigarro após dois anos de abstinência. Abri o maço como se nunca tivesse abandonado o hábito, acendi um e traguei demoradamente.&lt;br /&gt;Sentia-me esgotado por causa dos últimos dias: as longas horas sentado no corredor, os boletins médicos sem qualquer alteração no quadro e os olhares de reprovação quando sugeri que talvez fosse melhor desligar os aparelhos. Por que um gesto tão simples quanto puxar um plugue da tomada causava tanta comoção? Espiei furtivamente para os lados para me certificar de que ninguém se aproximava e subi na mureta. O estacionamento tinha mais dois pisos subterrâneos, o que significava que a altura dali até o asfalto lá embaixo devia ser de uns oito metros. Talvez fosse suficiente apenas para machucar um bocado. Fechei os olhos, imaginando quantos segundos seriam necessários para tirar a prova.&lt;br /&gt;— Bi-bi.&lt;br /&gt;Com o susto, larguei o cigarro. Abri os olhos a tempo de ver a brasa vermelha bruxuelante caindo. Voltei-me para o lado e ela estava ali, sobre a mureta. Aparentava ter não mais do que dez anos. Não era bonita -- pelo contrário, era um tanto esquisita. Mas tinha algo de estranhamente cativante e familiar -- parecia, talvez, com a menininha daquele filme sueco. Fez um gesto com as duas mãos, tocando uma buzina imaginária, e disse "bi-bi" novamente, sem graça, feito uma criança que se acha crescida demais para certas brincadeiras. Eu sorri.&lt;br /&gt;— É proibido buzinar perto de hospitais. Além disso, você pode cair.&lt;br /&gt;Ela deu de ombros.&lt;br /&gt;— Cadê seus pais? Será que eles não tão te procurando?&lt;br /&gt;Revirou os olhos, entediada, como se escutasse aquelas perguntas o tempo todo.&lt;br /&gt;— Tudo bem. Se quiser mesmo passar, tem que resolver o enigma.&lt;br /&gt;Continuou séria, mas agora com um brilho fugidio de interesse nos olhos. Caprichei no tom solene.&lt;br /&gt;— É seu, mas todo mundo usa mais do que você. O que é?&lt;br /&gt;Ela ficou olhando para o nada, com ar pensativo, enquanto eu acendia outro cigarro e dava algumas tragadas. Suspirei com melancolia ao lembrar de quem tinha me ensinado aquela charada.&lt;br /&gt;— Quem?&lt;br /&gt;Olhei-a surpreso, imaginando se tinha lido meus pensamentos. Mas ela fez um gesto com a cabeça, indicando o prédio.&lt;br /&gt;— Ah! É o meu velho que tá lá. Ele... Não sei se... Disseram que as chances são mínimas.&lt;br /&gt;Ao contrário do que eu esperava, ela não me disse nenhuma palavra de consolo. Ficamos calados, eu pensando que a única coisa que me assustava de fato na morte era aquela história de que a sua vida toda passa diante dos seus olhos. Odiaria ser lembrado do meu fracasso até nos momentos finais. Ela quebrou o silêncio.&lt;br /&gt;— Meu nome.&lt;br /&gt;Parecia satisfeita por ter solucionado o enigma. Fiz uma mesura, desci, virei-lhe as costas e me apoiei na mureta. Apesar de agora poder passar, ela continuou ali parada. Traguei. Era minha vez de ficar pensativo.&lt;br /&gt;— Se ninguém diz o seu nome, talvez você não exista, certo?&lt;br /&gt;Podia sentir os olhos dela fixos em mim.&lt;br /&gt;— Não importa, no fim das contas tudo é em vão mesmo. A vida é... insípida. Nós somos insípidos, nosso corpo é quase todo feito de um líquido insípido. Que se dane tudo.&lt;br /&gt;Voltei-me para trás e vi sua expressão interrogativa. Esclareci.&lt;br /&gt;— Água. Nosso corpo é quase todo feito de água.&lt;br /&gt;Pela primeira vez, ela abriu um sorriso e disse uma frase inteira.&lt;br /&gt;— Ah, bom, eu já ia te corrigir.&lt;br /&gt;Sorri de volta. Dei outra tragada e fiquei observando a fumaça. De repente, pensei: o que, exatamente, ela ia corrigir?&lt;br /&gt;— Te procurei por toda parte. Já tava ficando preocupada.&lt;br /&gt;Dessa vez, não tive tempo de jogar fora o cigarro. A garota estava ali, com a expressão severa, batendo o pé, um dos braços pousados à frente da cintura, a outra mão brincando com o pingente que pendia da correntinha em volta do pescoço.&lt;br /&gt;— Fumando? E falando sozinho...&lt;br /&gt;Não precisei me virar para trás para constatar que não havia ninguém sobre a mureta. Ri nervosamente e disse que era melhor voltarmos logo para o saguão, meus olhos fixos no crucifixo com o qual ela continuava brincando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/LYpShsDXmTY" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7961351006329087182?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7961351006329087182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7961351006329087182&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7961351006329087182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7961351006329087182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2012/01/tar-on-my-feet.html' title='[Tar on my feet]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/LYpShsDXmTY/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6036636674075687160</id><published>2012-01-03T16:01:00.015-02:00</published><updated>2012-01-28T17:38:31.186-02:00</updated><title type='text'>[For the sake of auld lang syne]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Já sei: vamos pular na piscina.&lt;br /&gt;Olhei para fora e torci o nariz.&lt;br /&gt;— Hum. Tá chovendo.&lt;br /&gt;Ela riu.&lt;br /&gt;— Ótimo. Assim a gente tem certeza de que vai se molhar.&lt;br /&gt;Balancei a cabeça.&lt;br /&gt;— Eu passo. Seria redundante. Que nem bolo de chocolate recheado de chocolate.&lt;br /&gt;Ela arregalou os olhos, incrédula.&lt;br /&gt;— E o que é que tem de errado com... Putz, cê não manja nada.&lt;br /&gt;Ainda faltavam dez minutos para a meia-noite, mas os fogos de artifício já pipocavam. Ela sorriu.&lt;br /&gt;— Adoro fogos. De todas as invenções antigas, essa é uma das minhas preferidas. Tudo bem, eu sei que as outras foram muito mais importantes pra humanidade -- o arado, a manivela, a bússola, sei lá. Mas eu gosto de pensar que, ao mesmo tempo em que tinha gente trabalhando pra encontrar soluções pra questões práticas, também tinha alguém preocupado em criar uma coisa cujo único propósito é encher os olhos dos outros. Toda vez que um desses estoura é, tipo, um presente sendo aberto.&lt;br /&gt;Suspirei.&lt;br /&gt;— Pena que tem uns apressadinhos que não aguentam esperar só mais uns minutos pra abrir na hora certa.&lt;br /&gt;Ela fez um barulho como se tivesse engasgado.&lt;br /&gt;— Deus do céu, como você é implicante.&lt;br /&gt;Cinco minutos e a quantidade de apressadinhos aumentava. Enchi o seu copo.&lt;br /&gt;— Sabe o que é o calendário cósmico?&lt;br /&gt;Ela franziu a testa e fez que não.&lt;br /&gt;— É um conceito que os cientistas criaram pra que a gente pudesse ter uma noção melhor da idade do universo. Nesse calendário, o Big Bang acontece no primeiro segundo do dia 1º de janeiro. O planeta Terra só aparece na metade de setembro. Os primeiros organismos multicelulares, no começo de dezembro. A história da humanidade, com a invenção do arado e todo o resto, ocupa só os últimos segundos do dia 31 de dezembro.&lt;br /&gt;Ela ficou em silêncio por um instante.&lt;br /&gt;— Uau, isso é... uma lição e tanto, hein?&lt;br /&gt;Assenti.&lt;br /&gt;— É. Serve pra gente lembrar da nossa insignificância diante do uni...&lt;br /&gt;Ela revirou os olhos.&lt;br /&gt;— Putz, cê não manja nada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mesmo&lt;/span&gt;, né? A lição é: cada segundo importa.&lt;br /&gt;Largou o copo e correu para fora, berrando feito criança debaixo da chuva, até cair na piscina. Sorri. Como sempre, ela estava certa. Olhei o relógio: um minuto. Tempo de sobra para reescrever toda a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="274" src="http://www.youtube.com/embed/ZyCTpzQRK0E" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6036636674075687160?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6036636674075687160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6036636674075687160&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6036636674075687160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6036636674075687160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2012/01/for-auld-lang-syne.html' title='[For the sake of auld lang syne]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/ZyCTpzQRK0E/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-723135763881365482</id><published>2011-10-10T10:13:00.004-03:00</published><updated>2011-10-11T10:10:25.127-03:00</updated><title type='text'>[The stillness still that doesn't end]</title><content type='html'>"Você nunca desenha o meu rosto", ela bufa e atira de volta a folha de papel, que dá uma pirueta no ar antes de pousar diante de mim, assim como sua frase. Aquele tom de voz -- o mesmo que ela usaria para dizer que eu sempre deixo cair molho de tomate na toalha branca ou que esqueço a janela aberta toda vez que saímos -- não basta para disfarçar a pontinha de mágoa, o orgulho ferido.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorrio, indulgente, e apanho o papel. Ela tem razão, mas não deixa de ser uma injustiça com a pequena obra. A prática me tornou especialista em retratá-la de costas: as linhas delgadas e elegantes do pescoço, a Kaffeklubben (apelido da pinta solitária na nuca), a penugem clara que sobra quando ela prende o cabelo em um coque. Saco o lápis 2B e começo a rabiscar novamente, mais fácil do que tentar explicar o que eu quero capturar: o ar que me falta durante o breve instante que ela demora para se virar quando digo seu nome. De frente, seu rosto seria perfeito, se não existisse mais nada no mundo. Mas a sensação de completude vem sempre acompanhada da tristeza de saber que aquele é o meu ápice. Depois daquilo, tudo será fracasso, mediocridade.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estendo-lhe a folha. Ela a toma, empenhando-se em não parecer muito satisfeita, mas o sorriso mal-camuflado logo dá lugar ao cenho franzido. "Ei, eu pensei que você ia... O que é isso?", ela pergunta, olhando para o desenho do jardim da casa onde eu cresci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/_Zn2rHPCyTU" allowfullscreen="" frameborder="0" height="360" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-723135763881365482?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/723135763881365482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=723135763881365482&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/723135763881365482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/723135763881365482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2011/10/stillness-still-that-doesnt-end.html' title='[The stillness still that doesn&apos;t end]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/_Zn2rHPCyTU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8704624296159461712</id><published>2011-08-18T00:51:00.018-03:00</published><updated>2011-09-10T01:09:14.218-03:00</updated><title type='text'>[I'm curious to know exactly how you are]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Cê não acha que é meio cedo pra começar a beber?&lt;br /&gt;— Cedo? Eu devia ter começado antes. O álcool teria me ajudado a enfrentar a pré-adolescência.&lt;br /&gt;— Dã, pateta. Garçom, vê mais um copo, faz favor?&lt;br /&gt;— Saúde.&lt;br /&gt;— Saúde. Pô, não sei por que deixam a tevê ligada na Ana Maria Braga. O que é que eles pensam? Que vão atrair alguma dona de casa solitária pro boteco?&lt;br /&gt;— Vai ver, eles acham que ela é uma coroa enxuta.&lt;br /&gt;— Sei. Ana Maria Boga.&lt;br /&gt;— Hahaha. Putz, sabe o que eu odeio? Esses comerciais em que as pessoas ficam andando e falando.&lt;br /&gt;— Achei que você odiasse comercial de carro.&lt;br /&gt;— Não tem nada a ver com ódio. Comerciais de carro são moralmente condenáveis, isso é fato. E não adianta me olhar com essa cara, foi você quem puxou o assunto.&lt;br /&gt;— Ok, ok. O que é que tem de errado com os comerciais de andarilho?&lt;br /&gt;— Esses de rádio, por exemplo. Eles colocam uma celebridade meio descolada andando numa paisagem erma e disparando um discurso do tipo “eu-faço-e-aconteço”, só pra tentar vender a ideia de que é um produto pra pessoas super dinâmicas que precisam ser encontradas imediatamente onde quer que elas estejam.&lt;br /&gt;— E...?&lt;br /&gt;— E daí que, na prática, quem acaba usando mesmo essa porra é um idiota qualquer que só quer combinar o programa do final de semana ou sacanear o amigo porque o time dele perdeu. É a mesma conversa fiada que ele teria num celular; a diferença é que, com o rádio, quem tá por perto também é obrigado a escutar as merdas que o idiota do outro lado da linha tem a dizer.&lt;br /&gt;— Mais uma vez, por pouco o seu excesso de rabugice não estraga um argumento válido.&lt;br /&gt;— Eu sei que você concorda, só não quer dar o braço a torcer.&lt;br /&gt;— Um-hum. Outro dia eu vi uma andarilha num comercial de remédio pra gripe.&lt;br /&gt;— Ah, eu já vi esse. Porra, quando eu tô gripado eu quero ficar na cama, não sair passeando por aí.&lt;br /&gt;— Pois é. Deviam fazer um de laxante. Começa igual aos outros, com o sujeito andando e falando alguma coisa do tipo "eu não posso me dar ao luxo de viver à mercê do meu intestino" e blá blá blá. Daí, ele vai apertando o passo e ficando com a voz embargada. No final, ele já tá gemendo e trançando as pernas na porta de casa. Fecha com o slogan: "com Kaget, você caga e anda pra prisão de ventre".&lt;br /&gt;— Hahaha, isso sim é um comercial que eu ia gostar de ver.&lt;br /&gt;— Cê acha que eu podia ser publicitária?&lt;br /&gt;— Hum, não. Cê provavelmente ia acabar passando fome. Mas podia ser roteirista de cinema e trabalhar com algum diretor surtado.&lt;br /&gt;— Pô, sabe o que eu odeio? Figurinista de cinema.&lt;br /&gt;— Sério? Mas qualquer um, até de filme bom?&lt;br /&gt;— Especialmente de filme bom. Eles são meio que nem publicitário, eles criam na gente umas necessidades que a gente nem sabia que tinha. Tipo, desde que eu vi o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Adventureland&lt;/span&gt;&lt;span&gt;, eu passei a querer desperadamente&lt;/span&gt; uma camiseta do Hüsker Dü que nem a da Kristen Stewart. Não encontro em lugar nenhum. Podiam ter feito a mina usar uma camiseta de uma banda mais fácil de achar. Mas não... É frustrante.&lt;br /&gt;— Mas acho que a ideia é essa, não?&lt;br /&gt;— Vai ver que é.&lt;br /&gt;— Além do mais, um filme é bom justamente por ser frustrante. Por mostrar coisas que a gente, teoricamente, podia ter, mas não consegue achar. Pessoas, situações... E, principalmente, diálogos.&lt;br /&gt;— Cê não acha os nossos diálogos dignos de filme?&lt;br /&gt;— Claro que eu acho. Mas o que falta na vida real é edição. Os nossos momentos brilhantes acabam se perdendo no meio da mediocridade do dia a dia.&lt;br /&gt;— E como seria uma boa edição pra essa nossa conversa?&lt;br /&gt;— Eu cortaria daqui direto pra sua casa, com a gente se pegando.&lt;br /&gt;— Hum, a gente podia mesmo voltar pra casa...&lt;br /&gt;— Garçom, a conta!&lt;br /&gt;— Mas eu já te adianto que não vai rolar nada.&lt;br /&gt;— Tudo bem, então a cena termina comigo pedindo a conta.&lt;br /&gt;— Dã, pateta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/tZmdzQpRuiQ" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8704624296159461712?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8704624296159461712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8704624296159461712&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8704624296159461712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8704624296159461712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2011/08/curious-to-know-exactly-how-you-are.html' title='[I&apos;m curious to know exactly how you are]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/tZmdzQpRuiQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-2392998380645211991</id><published>2011-06-10T15:39:00.003-03:00</published><updated>2011-06-10T16:31:31.190-03:00</updated><title type='text'>[Les histoires et chansons de la perte d'innocence]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma espécie de joguinho nosso, inspirado num quadro do Animal Planet: eu contava três histórias -- sobre mim, minha família, os amigos ou pessoas conhecidas -- e ela tinha de adivinhar qual era a única verdadeira. Algumas, ela refutava imediatamente, como a que explicava a origem da minha cicatriz no queixo. "Ah, tá bom! Então vou perguntar pra sua mãe", ameaçava, sem nunca cumprir. Quase sempre, ela ficava na dúvida e deixava para lançar o palpite final somente à noite, antes de dormir. "É a... de número... dois?".&lt;br /&gt;Se as coisas andavam complicadas no trabalho, ela demorava para perceber quando eu começava a contar uma. "Ei, peraí! Volta, começa de novo". Se tinha terapia no dia, ela analisava as pausas, gestos, escolhas de palavras. "Hã, 'misantropo'? Ninguém fala isso no dia a dia. Cê tá inventando". Se íamos ao cinema, ela atentava para as tramas. "Hum, essa reviravolta no final, tão oportuna... Na vida real não acontece assim. Cê tá inventando".&lt;br /&gt;Muitas vezes, ela ganhava. Quase sempre, eu deixava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Quem?&lt;br /&gt;— Kristen Bell. A Veronica Mars.&lt;br /&gt;— Putz, ela é meio vesguinha. Cê me achou estrábica?&lt;br /&gt;— Não. Te achei linda. E pensei que queria ter uma namorada que nem você.&lt;br /&gt;— Hahaha, tá bom! Cê tá querendo dizer que foi amor à primeira vista?&lt;br /&gt;— Algo do tipo.&lt;br /&gt;— Então foi tudo baseado na aparência? Porque, pelo que eu me lembro, a gente mal trocou meia dúzia de palavras naquele dia.&lt;br /&gt;— Hum, cê sabe como eu sou quando acabo de conhecer uma pessoa.&lt;br /&gt;— Sei sim, ostra. Então...&lt;br /&gt;— Tá bom, a aparência contou bastante. Mas não foi só isso. O fato de você ser benquista por pessoas que são benquistas por mim pesou a favor. E também...&lt;br /&gt;— Também o quê?&lt;br /&gt;— É besteira.&lt;br /&gt;— Ah, pode ir falando.&lt;br /&gt;— A discussão sobre o Monty Python. Eu pensei: "Uau, e ela ainda sabe fazer todos os silly walks... É a mulher da minha vida".&lt;br /&gt;— Hahaha, besta!&lt;br /&gt;— Eu avisei.&lt;br /&gt;— Aposto que daí o senhor já saiu inventando historinhas sobre a gente, não foi?&lt;br /&gt;— Ué, e eu não vivo fazendo isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Será que você não consegue simplesmente dizer uma coisa direto, sem ficar com essas... firulas?". A rispidez da interrupção me pega de surpresa. Pelo menos, é uma mudança em relação ao seu ar distante nas últimas semanas. Diante da minha estupefação, ela tenta amenizar o tom. "Tem horas em que eu preferia que você me contasse como foi o seu dia, por exemplo. Que nem os casais normais fazem, sabe? Tudo com você é tão... difícil. Parece que, pra saber qualquer coisinha a seu respeito, eu preciso sempre passar por um teste, adivinhar uma mímica, sei lá".&lt;br /&gt;O silêncio. "A minha vida tá tão complicada. Eu queria... Eu precisava que pelo menos isso... a gente... fosse mais... simples". O olhar fugindo pela janela. "E, pelo jeito, não tá funcionando direito. Olha só, eu consegui deixar você sem palavras. Justo você". Penso no dia da epifania -- a mancha anelar deixada por uma xícara de café na última página do livro comprado no sebo sugeria, quem sabe, um momento de descuido de alguém ao telefone, às pressas, momentos antes de sair de casa. E revelava que, às vezes, as linhas já escritas não dão conta de tudo; há sempre outra história escondida por aí. "Acho que o que eu tô querendo dizer é que.. talvez... seja melhor a gente... dar um tempo". O abraço desajeitado. A porta.&lt;br /&gt;Lá fora, o sol se põe e a temperatura cai. Aperto o cachecol e coloco os fones de ouvido só por força do hábito -- eles permanecem mudos. Espero o semáforo fechar e atravesso a rua. Quase me sinto grato a ela. Eu sou péssimo em finais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/t57mzP7FBCI" allowfullscreen="" frameborder="0" height="349" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2392998380645211991?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2392998380645211991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2392998380645211991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2392998380645211991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2392998380645211991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2011/06/les-histores-et-chansons-de-la-perte.html' title='[Les histoires et chansons de la perte d&apos;innocence]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/t57mzP7FBCI/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-9183764437458180258</id><published>2011-04-06T10:16:00.003-03:00</published><updated>2011-04-07T00:52:33.444-03:00</updated><title type='text'>[I was carried to Ohio in a swarm of bees]</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-UvVn46etvGQ/TZ004CjeydI/AAAAAAAAAJY/uCyEqQNgo-Q/s1600/05042011.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-UvVn46etvGQ/TZ004CjeydI/AAAAAAAAAJY/uCyEqQNgo-Q/s400/05042011.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592684449627032018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fazia tempo que eu não derrubava umas lagriminhas em um show...&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-9183764437458180258?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/9183764437458180258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=9183764437458180258&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/9183764437458180258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/9183764437458180258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2011/04/i-was-carried-to-ohio-in-swarm-of-bees.html' title='[I was carried to Ohio in a swarm of bees]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-UvVn46etvGQ/TZ004CjeydI/AAAAAAAAAJY/uCyEqQNgo-Q/s72-c/05042011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6691950201581892679</id><published>2011-03-14T00:47:00.009-03:00</published><updated>2011-09-10T00:50:54.091-03:00</updated><title type='text'>[This won't die]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É estranho: não é no primeiro nem no último dia em que mais penso, mas naquele em que ela resolveu me lembrar que nós não tínhamos futuro. "Melhor a gente não ficar junto hoje, vai facilitar as coisas quando for hora de cada um ir pro seu lado", ela disse. "Tudo bem", eu menti. Fui para o quarto carregando a cerveja e me instalei na cama. Apanhei o livro na mala para me ajudar a ignorar a cantoria, o vozerio e as ocasionais gargalhadas que vinham da cozinha.&lt;br /&gt;Dali meia hora, a cabeça dela apareceu na porta, seguida pelo resto do corpo, trazendo duas latinhas. Estendeu-me uma sem perguntar se eu queria. "Como é que cê consegue se concentrar com toda essa algazarra?", foi o jeito dela puxar assunto. "Eu sou meio autista, cê sabe". Ela se sentou um pouco sem graça na beira da cama. "Sobre o quê que é?", ela perguntou. Respondi que era sobre um revisor que estava trabalhando em um livro sobre o cerco dos portugueses à Lisboa ocupada pelos mouros e que, a certa altura, decidia substituir uma palavra-chave: um "sim" por um "não"; a partir dali, a narrativa se dividia entre o revisor tendo que encarar as consequências da sua molecagem e a nova história do cerco.&lt;br /&gt;Ela não disse nada. Eu fingi que continuava entretido com a leitura, mas fiquei espiando-a com o rabo do olho até ela quebrar o silêncio. "Um 'não' não é tão ruim assim. Às vezes é necessário". Suspirei. "É só um livro. Podia ser sobre a troca do 'azul' pelo 'verde' ou do 'pra cima' pelo 'pra baixo', não importa". Ela se deitou de frente para mim numa evidente manobra para tirar o Saramago que estava entre nós. Deu certo: pousei o livro sobre o lençol. "Tô tentando fazer o certo", ela começou. "Cê sabe, amanhã, quando a gente for embora, tudo vai ter que voltar a ser como antes. Só que... Eu não consigo parar de pensar que, se a gente tem tão pouco tempo, a gente devia aproveitar. Mas isso é um pensamento meio egoísta, né?". Beijei-a demoradamente. Ela sorriu e disse que gostava quando eu terminava o beijo com uma mordida de leve no lábio.&lt;br /&gt;Outra cabeça apareceu na porta, dessa vez, de uma das amigas dela. "A gente tá indo lá pra praia, pro calçadão. Cês vão?". Ela respondeu por nós dois, sem perguntar se eu queria. "Vão indo, a gente vai mais tarde". A amiga não conseguiu disfarçar o olhar malicioso. "Tá, mas então vem trancar a porta. Quando cês forem, cês levam a chave". Ela foi. Na volta, apareceu com uma garrafa de vinho e cara de quem precisava de uma desculpa para fazer bobagem. Sorri e pensei que nós íamos chegar no calçadão bem mais tarde. Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/ixwlT3Mi32U?fs=1" allowfullscreen="" width="425" frameborder="0" height="344"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6691950201581892679?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6691950201581892679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6691950201581892679&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6691950201581892679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6691950201581892679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2011/03/bell-black-ocean.html' title='[This won&apos;t die]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/ixwlT3Mi32U/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6831017966969509575</id><published>2011-02-20T16:29:00.001-03:00</published><updated>2011-02-20T16:30:21.592-03:00</updated><title type='text'>[Been saved again by the garbage truck]</title><content type='html'>&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/ohiRxoakhog?fs=1" allowfullscreen="" frameborder="0" height="344" width="425"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;I got something to say, you know, but nothing comes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6831017966969509575?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6831017966969509575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6831017966969509575&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6831017966969509575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6831017966969509575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2011/02/been-saved-again-by-garbage-truck.html' title='[Been saved again by the garbage truck]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/ohiRxoakhog/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1113853719636773232</id><published>2011-02-01T23:02:00.005-02:00</published><updated>2011-02-04T13:11:10.786-02:00</updated><title type='text'>[40]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase um ano depois, ele ainda mantém praticamente tudo encaixotado, como se fosse temporário. No guarda-roupas, uma dúzia de peças e dois pares de calçados; sobre a escrivaninha, o notebook e a pilha de livros. Não fosse isso, talvez ninguém dissesse que há alguém morando naquele apartamento. Essa ideia passa pela primeira vez por sua cabeça enquanto ele observa as caixas cobertas de pó no chão da sala, parado na porta com as chaves numa mão e a sacola plástica na outra. Nada de compras do mês, apenas o necessário para o momento: um pacote de papel higiênico, dois sabonetes e uma garrafa de uísque.&lt;br /&gt;A ex-mulher costumava dizer que era bobagem fazer certas economias. Agora, aos poucos, ele vai se livrando do hábito e saboreia sua vingança infantil toda vez que apanha a opção mais barata na gôndola do supermercado. Coloca um rolo e um sabonete no lavabo, depois faz o mesmo no banheiro do quarto. Guarda o resto do papel no gabinete sob a pia. Depois de tanto tempo sentindo apenas perfumes de verbena, erva doce e mel no banho ou ao lavar as mãos, ele chega a estranhar o aroma neutro. Não o cheiro em si, mas o fato de ser tão familiar. E então se lembra: é cheiro de praia. Ou melhor, de volta da praia, na casa na qual costumava passar o verão com a família. As mulheres voltavam antes e ficavam com o conforto dos banheiros, enquanto os homens tinham de usar a ducha fria instalada nos fundos e um sabonete simplesinho como aquele, que sempre ficava com um monte de areia grudada.&lt;br /&gt;Ele largava a sunga no varal e corria enrolado na toalha até o quarto. Quando terminava de se vestir, ia espiar o que tinha na cozinha. Muitas vezes, encontrava a panela já borbulhando com algo comprado logo cedo dos pescadores na praia: mariscos, camarões, postas de cação. A mesa era sempre uma barulheira só, com os homens ainda um pouco bêbados, as mulheres censurando sua gulodice e as crianças rindo dos palavrões que o avô soltava quando não conseguia abrir um marisco. Depois do almoço, a mãe o obrigava a ficar quieto por pelo menos uma hora para fazer digestão. Então, tinha de disputar a rede, onde podia ficar lendo, ou carregar o rádio de pilha até a garagem e ficar lá deitado no chão, olhando as nuvens e os topos dos morros.&lt;br /&gt;A tarde era seu horário favorito, quando encontrava a molecada da rua. Eram todos de famílias que, como a sua, trocavam a capital pelo litoral durante as férias. Tinham mais ou menos a mesma idade, um ano a mais ou a menos. A garota -- Sofia era o nome dela -- era da ala dos mais novos, mas tinha acabado com qualquer resistência à sua presença ao se mostrar a única com sangue frio suficiente para tirar a aranha que subia pelas costas de um dos meninos. Achava que talvez gostasse dela por causa daquilo. Ou, quem sabe, por outro detalhe ainda mais bobo, como o fato de as pontas de sua longa cabeleira estarem sempre úmidas e grudadas quando ela aparecia. De algum modo, sentia-se íntimo por saber quanto tempo o cabelo dela demorava para secar ou qual sua aparência quando saía do banho. Aquele pensamento lhe dava um frio na barriga.&lt;br /&gt;— Ei, tá sonhando de novo?&lt;br /&gt;Geralmente, era a própria garota quem o tirava dos devaneios, com aquele jeito de sorrir com os olhos. Devolvia-lhe sua melhor cara de idiota. Iam todos até a praia jogar taco, catar conchas, observar os peixes e outros bichos que a maré trazia e as pedras aprisionavam. Às vezes, iam até o rio pescar ou tentar apanhar caranguejos. Depois, quase sempre acabavam se refrescando com a água gelada da bica depois da ponte. As únicas ocasiões de que ele não gostava eram os passeios de bicicleta. Como nunca tinha aprendido a andar, ficava excluído e obrigado a ver, sozinho, o tédio das horas de digestão se prolongar.&lt;br /&gt;Isso até o dia em que Sofia anunciou que iria ensiná-lo. Foram caminhando, empurrando a bicicleta dela até as ruas perfeitamente pavimentadas do condomínio fechado, onde a molecada costumava andar e já se encontrava reunida. Não botava muita fé de que sairia dali pedalando, mas não poderia dizer não para ela. E não queria perder a chance de tê-la bem perto durante a tarde toda. Começou relutante, mal conseguindo se manter sobre o selim. Aos poucos, foi capaz de avançar alguns centímetros. A garota segurava a parte de trás da magrela, dava dicas e o incentivava. Num determinado momento, sentiu-se mais seguro e acelerou -- estava pegando o jeito. Pensou em dizer isso a ela, mas ouviu os brados das outras crianças. E a voz de Sofia, um pouco mais distante do que esperava.&lt;br /&gt;— Olha só pra você: tá andando sozinho!&lt;br /&gt;Virou-se para trás, perdeu o equilíbrio e, durante a fração de segundos que demorou seu voo, antes de fazer pouso forçado no asfalto, lembrou-se do final da história de Orfeu, que tinha lido no livro de mitologia grega. Depois, vieram gritos, correria, joelhos, canelas e cotovelos ralados, quatro pontos no queixo e uma torção no pulso que fez com que o médico engessasse o seu braço. Teria de ficar de molho pelos próximos quinze dias.&lt;br /&gt;Sem os mergulhos no mar, a praia virou uma chateação. A mãe ainda tentava compensá-lo oferecendo mais sorvete do que às outras crianças, mas, na maioria das vezes, acabava voltando para casa mais cedo, junto com as mulheres. As brincadeiras da tarde também haviam acabado para ele -- agora, as únicas aventuras possíveis eram as de Sherlock Holmes, Huck Finn ou dos heróis das revistas em quadrinhos. Não precisava mais disputar a rede e, no entanto, não via grande vantagem nisso.&lt;br /&gt;A única coisa boa era receber visitas de Sofia, que vinha saber como ele estava e contar-lhe como tinha sido seu dia. Ele a tratava com certa frieza, não porque a culpava pelo braço engessado, mas porque sentia ciúme -- ciúme por ela compartilhar com os outros meninos histórias das quais ele não fazia parte. A garota aparecia lá quase todo fim de tarde só para vê-lo e, mesmo assim, não conseguia evitar -- quando se dava conta, estava resmungando alguma resposta seca. Ela parecia não se importar e continuava aparecendo; ele continuava esperando.&lt;br /&gt;Na última semana das férias, Sofia veio bem antes do horário de costume. Cabisbaixa, contou que estava indo embora -- os pais tinham decidido antecipar a volta para evitar o trânsito e aproveitar um pouco a cidade ainda vazia. A garota ficou desapontada diante da sua reação de aparente indiferença, virou-lhe as costas e ficou em silêncio durante o que pareceu uma eternidade. Ele teve vontade de agarrar seu braço, pedir desculpas e dizer que aqueles dias tinham sido os melhores. Quase chegou a tocar nas pontas úmidas e grudadas de seus cabelos, mas não teve tempo. A garota se voltou, repentinamente decidida, tirou algo do bolso do vestido, colocou em suas mãos e saiu em disparada. Era uma carta. Nela, Sofia pedia desculpas por ter “arruinado” as férias dele. E dizia que, se servisse de consolo, meninas costumavam gostar de caras com cicatrizes no rosto -- ela, pelo menos, gostava.&lt;br /&gt;Ele bebe um gole de uísque direto do gargalo. Olha no espelho e toca o queixo, no lugar onde havia levado os pontos. Há apenas um pequeno e quase imperceptível sinal. Volta para a sala, passa a mão em uma das caixas para tirar o pó, e se senta sobre ela, sem saber ao certo se está cheia de pertences ou de lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1113853719636773232?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1113853719636773232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1113853719636773232&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1113853719636773232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1113853719636773232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2011/02/40.html' title='[40]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8516547754837838650</id><published>2010-10-29T01:04:00.006-02:00</published><updated>2011-09-10T00:50:38.883-03:00</updated><title type='text'>[It takes an ocean not to break]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Tô saindo com um cara.&lt;br /&gt;Ela resolve dizer isso cinco segundos depois de eu ter tomado sua mão direita nas minhas. Esforço-me para manter a mesma força, sem apertá-la demais ou afrouxar. Concentro-me em não suar. Tento decidir o melhor momento para soltá-la sem parecer constrangido. Demais.&lt;br /&gt;— É mesmo? Quem é?&lt;br /&gt;Um gole de cerveja. Preciso pegar o copo. É um motivo razoável. Agora. Bom, pareceu natural. Na medida do possível.&lt;br /&gt;— Trabalha com a minha irmã. Conheci no aniversário dela, junto com o resto do pessoal do escritório. Saí com a turma toda algumas vezes. Daí rolou.&lt;br /&gt;Ela dá de ombros, parecendo repentinamente pouco à vontade com o assunto. Ela não costumava sair com a irmã e nunca tinha manifestado interesse pelo "pessoal do escritório".&lt;br /&gt;— Mas você... Tá curtindo?&lt;br /&gt;— Tô. Tá legal. Ele é um amor.&lt;br /&gt;Ela bem que podia ter contado a novidade antes. Teria poupado algumas coisas. Teria feito disto aqui o que realmente é. Aliás, o que é isto?&lt;br /&gt;— Fico feliz por você. Mas, vem cá, sabe o que eu queria perguntar? A gente... Se fosse hoje... Não hoje "no dia de hoje", mas hoje "no momento presente das nossas vidas"...&lt;br /&gt;Ela sorri.&lt;br /&gt;— Eu entendi.&lt;br /&gt;— Se fosse hoje... A gente... Teria dado certo?&lt;br /&gt;Ela respira fundo e fixa o olhar num ponto indefinido do horizonte. Depois me encara, como quem diz: "Preste atenção, só vou dizer uma vez".&lt;br /&gt;— Talvez. Acho que sim. Provavelmente.&lt;br /&gt;Meu problema é esse: o timing. E a insegurança. E o apego insensato a coisas que, no fundo, não existem.&lt;br /&gt;— Vai ver que, em alguma linha temporal alternativa, a gente tá junto.&lt;br /&gt;— Rá, "linha temporal alternativa"? Isso é coisa do Star Wars, né?&lt;br /&gt;— Não, tá mais pra Star Trek.&lt;br /&gt;— Dá no mesmo.&lt;br /&gt;— Olha, quando você diz essas barbaridades, você quase me faz acreditar que não, a gente não teria dado certo.&lt;br /&gt;Ela faz uma careta. Silêncio. Ergue o braço para pedir a conta.&lt;br /&gt;— Tenho que ir.&lt;br /&gt;— Já? A gente nem pediu a saideira ainda.&lt;br /&gt;— É que vai um povo agora à noite lá na casa do Rogério.&lt;br /&gt;— É o cara?&lt;br /&gt;— É.&lt;br /&gt;— O que ele faz na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;firma&lt;/span&gt; da sua irmã, afinal?&lt;br /&gt;Tento não sublinhar demais a palavra "firma".&lt;br /&gt;— Ele é headhunter.&lt;br /&gt;— Pfff. Ainda se fosse bounty-hunter...&lt;br /&gt;— Hã?&lt;br /&gt;— Deixa pra lá.&lt;br /&gt;Pagamos a conta, nos levantamos. Ela me abraça.&lt;br /&gt;— De qualquer modo, eu nunca entendi direito o que você viu em mim.&lt;br /&gt;Ela é tão bonita que dá vontade de chorar. Que nem um disco do The National.&lt;br /&gt;— Pra falar a verdade, nem eu.&lt;br /&gt;Ela mostra a língua, diz "tchau" e faz carinho no meu braço, num frustrante gesto de camaradagem. Viro as costas e pego o rumo de casa com a mão enfiada no bolso, porque ambos estão vazios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/Efg1h0EzLeE" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8516547754837838650?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8516547754837838650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8516547754837838650&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8516547754837838650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8516547754837838650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/10/it-takes-ocean-not-to-break.html' title='[It takes an ocean not to break]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Efg1h0EzLeE/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-2502644866139824321</id><published>2010-10-23T23:51:00.009-02:00</published><updated>2010-10-24T01:23:52.062-02:00</updated><title type='text'>[O guia do viajante solitário - capítulo 43]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando estiver em Puerto Rico, não deixe de visitar o Pececillo de Plata [Calle Abadía, 69]. Escondido numa viela não muito distante do agito dos bares de San Juan Viejo, esse simpático misto de café e sebo é solenemente ignorado pelos turistas, o que o torna o lugar ideal para observar -- e interagir com -- os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;locales&lt;/span&gt;. Paredes azulejadas e toalhas xadrez sobre as mesinhas garantem o ar autenticamente retrô. Objetos de decoração funcionais, como mancebos e abajures, disputam espaço com as estantes apinhadas de livros, que podem ser folheados enquanto você esvazia seu copo. Aliás, fuja da cerveja nacional [Medalla, US$ 2], que segue o fraco padrão das pilsners norte-americanas, e aposte no mojito [US$ 3,50]. Na hora de fazer o pedido, puxe papo com a garçonete que, a exemplo de qualquer um de seus conterrâneos, defenderá a superioridade da versão porto-riquenha do drink sobre a cubana.&lt;br /&gt;— A diferença está na qualidade do rum. Somos os maiores produtores do mundo, sabia?&lt;br /&gt;Entre acenos e gracejos, a literatura também pode virar assunto num lugar como esse, obviamente. Procure se informar antes a respeito dos autores e vanguardas do país. E, quando for reabastecer sua bebida, pergunte a opinião dela.&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nuyoricanos&lt;/span&gt;? Hum, não vejo graça. Aqui, dê uma olhada em algo bem melhor: Julia de Burgos. Uma das minhas preferidas.&lt;br /&gt;Depois de três ou quatro mojitos, aproveite a dose extra de coragem -- e o sempre fraco movimento de clientes -- para convidá-la para um passeio pela cidade depois do expediente.&lt;br /&gt;— Hã, sinto muito... Eu tenho que, hã... Atender as outras mesas. Com licença.&lt;br /&gt;Não desanime logo no primeiro revés -- há muitas outras opções de lugares onde encontrar boa bebida e alguma companhia. No entanto, é sempre bom se prevenir para a hipótese de tudo dar errado. Para isso, vale a pena gastar mais [US$ 160 a diária] e se hospedar no Marriott [Avenida Ashford, 1309]. Além de toda a estrutura de um hotel de luxo, ele possui um deck com acesso direto à praia -- onde há um bar estrategicamente localizado. Caso a ideia de tomar um daqueles coquetéis enfeitados com um guarda-sol em miniatura enquanto sente a brisa fresca do mar não lhe pareça um alento no fim do dia, você pode perguntar por um barman chamado Ortiz e pedir um Sex on the Beach com açúcar. Não estranhe quando o sujeito aparecer com uma dose pura de vodka.&lt;br /&gt;— Aqui está o Beach, cavalheiro. O restante será servido na sua suíte daqui a quarenta minutos.&lt;br /&gt;Agradeça, pague pela vodka [US$ 12], acrescente uma generosa gorjeta [US$ 50], vire o copo numa golada e suba até o quarto. Tome uma ducha, mas fique de olho no relógio -- os préstimos de Ortiz costumam ser pontuais. Depois de quarenta minutos cravados, você ouvirá batidas na porta e, ao abri-la, dará de cara com uma morena de corpo curvilíneo e rosto de traços marcantes emolurando olhos verdes.&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Holla&lt;/span&gt;, me chamo Azúcar. Não vai me convidar para entrar?&lt;br /&gt;Seja gentil, receba-a com um beijo no rosto, guarde a bolsa dela e ofereça algo para beber. Depois de estabelecidas as regras do jogo e o valor da aposta [US$ 300], divirta-se -- e lembre-se que a melhor parte de estar em outro lugar é a chance de ser outra pessoa. Ao fim da primeira rodada, estimulado pelo clima forçado de intimidade e pela perspectiva de nunca mais vê-la, talvez você se sinta tentado a se abrir com aquela completa estranha -- talvez revele suas angústias, verbalize certas mágoas pela primeira vez e conclua que, apesar de sempre tentar fazer o seu melhor, isso nunca parece ser o suficiente.&lt;br /&gt;— Hum... No fundo a gente sempre sabe onde errou. O problema é não saber o que fez de diferente nas vezes em que tudo deu certo.&lt;br /&gt;Será a coisa mais verdadeira que você terá ouvido nos últimos dias, dita por uma mulher que é paga para fazer e dizer apenas o que os homens esperam. Você sentirá uma repentina vontade de conhecê-la de verdade e começará perguntando se ela já passou por algo parecido. Mas momentos de sinceridade costumam ser passageiros.&lt;br /&gt;— Ah, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;corazón&lt;/span&gt;. Eu sei muito bem o que faço. Pensei que tinha deixado isso claro. Mas venha cá que te mostro de novo...&lt;br /&gt;Ela se jogará em cima de você -- e não encontrará resistência. Encerrada a partida, você se despedirá de Azúcar com um beijo bem mais caloroso do que o da chegada, e sem qualquer sinal de arrependimento. Mesmo assim, pela manhã, haverá algo mais vazio do que a sua cama. Ao olhar pela janela, você encontrará o mar do Caribe se misturando com o céu sem nuvens. E perceberá que neste lugar, nada foi feito para as pessoas sozinhas -- a não ser essas malditas micro-garrafas de uísque no frigobar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2502644866139824321?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2502644866139824321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2502644866139824321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2502644866139824321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2502644866139824321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/10/o-guia-do-viajante-solitario-capitulo.html' title='[O guia do viajante solitário - capítulo 43]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6658771508335324808</id><published>2010-08-12T02:01:00.003-03:00</published><updated>2011-09-09T23:51:23.969-03:00</updated><title type='text'>[Farewell to the girl with the sun in her eyes]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi só quando o viu usando aqueles tênis que ela se deu conta de que algumas coisas tinham irremediavelmente ficado para trás. Era evidente que o conforto dos velhos calçados não tinha sido suficiente para ofuscar o apelo dos novos. Mas o que mais a incomodava era pensar que, agora, aquele par iria desbravar ruas, calçadas, chãos de bares e de salas; quem sabe até se aventurar em passos de dança. E, numa noite qualquer, iria finalmente enfrentar o desconhecido vão entre uma cama e uma cômoda, sendo resgatado apenas na manhã seguinte. Enquanto isso, o par anterior seria mantido num canto escondido do armário, sabe-se lá se por mesquinharia ou por apego nostálgico. Ela não conseguiu desviar o olhar, tanto que ele franziu a testa e disse, desconcertado:&lt;br /&gt;— Hã, são novos. Gostou? Comprei naquela loja on-line que você me apresentou.&lt;br /&gt;Ela deu um sorriso amarelo e engoliu seco. "Na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;minha&lt;/span&gt; loja?!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/yatoHMUQ_Ps" allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6658771508335324808?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6658771508335324808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6658771508335324808&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6658771508335324808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6658771508335324808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/08/farewell-to-girl-with-sun-in-her-eyes.html' title='[Farewell to the girl with the sun in her eyes]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/yatoHMUQ_Ps/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6434323682888335409</id><published>2010-07-23T11:23:00.002-03:00</published><updated>2010-07-23T11:26:47.992-03:00</updated><title type='text'>[Serotonina]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;" class="im"&gt;Vem em cápsulas.&lt;br /&gt;Um sorriso.&lt;br /&gt;O que pode estar nas entrelinhas de uma conversa.&lt;br /&gt;Mãos dadas sem receio.&lt;br /&gt;Uma canção do Van Morrison.&lt;br /&gt;Um álbum inteiro do Van Morrison.&lt;br /&gt;A impressão de que já é primavera na rua em que ela mora.&lt;br /&gt;Um beijo.&lt;br /&gt;O tempo que dura uma promessa.&lt;br /&gt;— Querer a felicidade talvez seja querer viver entorpecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6434323682888335409?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6434323682888335409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6434323682888335409&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6434323682888335409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6434323682888335409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/07/serotonina.html' title='[Serotonina]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1231187209314712832</id><published>2010-07-19T23:43:00.007-03:00</published><updated>2011-09-10T00:28:24.077-03:00</updated><title type='text'>[I can play the part so well]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É como num daqueles filmes em que os créditos passam logo no começo: seu nome anunciado em destaque, em letras garrafais; o meu, em fonte menor, dividindo a tela com outros tantos. Sem fala memorável ou espaço para roubar a cena, fico com o papel de ajudar a trama a avançar.&lt;br /&gt;— O que dói mesmo é não ter uma música na trilha sonora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/-oBZu_bJp9c" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1231187209314712832?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1231187209314712832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1231187209314712832&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1231187209314712832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1231187209314712832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/07/act-naturally.html' title='[I can play the part so well]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/-oBZu_bJp9c/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-579733032609584446</id><published>2010-07-09T11:45:00.006-03:00</published><updated>2011-09-10T00:29:14.403-03:00</updated><title type='text'>[Filled with joy and thunder]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria um dia comum, não fosse a garota na velha ponte de madeira.&lt;br /&gt;— Ei.&lt;br /&gt;— Ei.&lt;br /&gt;Sentei-me ao seu lado, dois pares de All Star balançando sobre as águas barrentas do rio, como antigamente.&lt;br /&gt;— Chegaram faz tempo?&lt;br /&gt;— Não, não muito.&lt;br /&gt;— Já sabe que horas vai ser? O enterro?&lt;br /&gt;— A hora certinha ainda não sei. Vai ser amanhã cedo.&lt;br /&gt;— Eu... Sinto muito.&lt;br /&gt;— Obrigada.&lt;br /&gt;A morte costuma introduzir silêncios prolongados nas conversas.&lt;br /&gt;— Sabe uma coisa que ele não cansava de contar? Que ele e a minha mãe passaram a infância inteira aqui e nem ao menos chegaram a estudar na mesma sala. Mas acabaram se conhecendo e se apaixonando depois que se mudaram lá pra São Paulo.&lt;br /&gt;Ela franziu a testa e prosseguiu.&lt;br /&gt;— Como é que a gente sabe essas coisas, hein? Como é que você sabe quando gosta pra valer de alguém? Digo, como é que diferencia aquela pessoa de todas as outras que já apareceram ou que ainda vão aparecer na sua vida?&lt;br /&gt;Suspirei.&lt;br /&gt;— Acho que é meio que nem quando você é criança e tá viajando de carro, olhando a paisagem do banco de trás, e resolve abrir o vidro e pôr a cabeça pra fora da janela. Daí sente todo aquele vento no rosto e tem a impressão de que é capaz de sufocar com tanto ar.&lt;br /&gt;Foi, provavelmente, a primeira vez que ela sorriu naquele dia. E, com certeza, foi a primeira que me encarou.&lt;br /&gt;— É, taí um bom jeito de explicar. Você já se sentiu assim por alguém?&lt;br /&gt;Balancei a cabeça afirmativamente, olhos fixos numa sombra escura no leito do rio -- talvez uma pedra ou um tronco, o que quer que fosse era visível mesmo imerso lá no fundo.&lt;br /&gt;— Sorte a sua. As minhas viagens têm sido todas com o vidro fechado e o ar condicionado no talo. Rá!&lt;br /&gt;Ela deu de ombros, resignada. E voltou-se de repente para mim, como se tivesse se dado conta de algo.&lt;br /&gt;— Ei... É bom te ver de novo.&lt;br /&gt;Sorri. Em algum lugar, alguém ligou um rádio que berrava um comercial de banco, a vida comum tentando nos alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/nKTIelUzZEM" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-579733032609584446?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/579733032609584446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=579733032609584446&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/579733032609584446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/579733032609584446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/07/filled-with-joy-and-thunder.html' title='[Filled with joy and thunder]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/nKTIelUzZEM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5580869283368854191</id><published>2010-06-19T13:40:00.006-03:00</published><updated>2011-09-10T00:29:57.709-03:00</updated><title type='text'>[Red red red]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As frases me saem relutantes, como se eu atirasse moedas numa fonte: esperando que, por mágica, me tragam o que eu quero e, ao mesmo tempo, me sentindo meio ridículo por fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os dedos com unhas roídas ela prende o cigarro de filtro vermelho.&lt;br /&gt;Entre os lábios vermelhos impossíveis ela prende os ponteiros do relógio.&lt;br /&gt;Entre o asfalto e o solado de borracha ela prende algo vermelho, velho e surrado que ninguém em sã consciência carregaria dentro do peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui completamente honesto quando respondi que não acredito em horóscopos: eu me apego às coisas que você não diz porque nelas enxergo o que quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;What's so impressive about a diamond&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;except the mining&lt;/span&gt;?"&lt;br /&gt;(Fiona Apple)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/h8FKIXvF_yk" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5580869283368854191?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5580869283368854191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5580869283368854191&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5580869283368854191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5580869283368854191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/06/red-red-red.html' title='[Red red red]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/h8FKIXvF_yk/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-836032742263300088</id><published>2010-04-30T17:59:00.006-03:00</published><updated>2011-02-04T13:27:57.711-02:00</updated><title type='text'>[Som(os)]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em vez de flores, humores&lt;br /&gt;dispostos em arranjo.&lt;br /&gt;O piano toante finge timidez e diz&lt;br /&gt;         uma&lt;br /&gt;         tecla&lt;br /&gt;         por&lt;br /&gt;         vez&lt;br /&gt;a frase que revela a intenção.&lt;br /&gt;O violão se sente em casa e se espalha, feito sorriso.&lt;br /&gt;Festivo, o acordeom convida a um abraço&lt;br /&gt;e, enquanto o faço, a voz treme, hesita um segundo.&lt;br /&gt;Ao fundo, o cello ecoa um medo escondido,&lt;br /&gt;mas logo o violino consegue transformar a noite em melodia.&lt;br /&gt;O ritmo sentencia:&lt;br /&gt;"Amar é como dançar: não tem razão que explique.&lt;br /&gt;Basta fechar os olhos e seguir a batida&lt;br /&gt;do bumbo e do coração".&lt;br /&gt;(Penso, cá comigo,&lt;br /&gt;que quem fecha os olhos&lt;br /&gt;e sonha, anseia e escreve&lt;br /&gt;é igualmente bailarino:&lt;br /&gt;um verso também é movimento,&lt;br /&gt;o silêncio é música&lt;br /&gt;que espera resposta).&lt;br /&gt;A pausa antes do refrão&lt;br /&gt;prende a respiração&lt;br /&gt;e eu me pergunto se você&lt;br /&gt;nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-836032742263300088?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/836032742263300088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=836032742263300088&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/836032742263300088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/836032742263300088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/04/somos.html' title='[Som(os)]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6830719332531038856</id><published>2010-04-22T01:18:00.010-03:00</published><updated>2011-09-10T01:06:37.661-03:00</updated><title type='text'>[13]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nano girou mais uma vez o baleiro e observou as cores dos doces sortidos se misturarem em um borrão indistinto.&lt;br /&gt;— Não sei pra quê tanta volta. No fim, cê sempre acaba escolhendo a mesma coisa.&lt;br /&gt;Irritou-se, não tanto com o comentário de Guto, mas com o fato de que o amigo tinha razão. Pegou uma bala de maçã-verde ao invés da habitual de framboesa só para não dar o braço a torcer. Colocou-a sobre o balcão de fórmica, juntamente com o envelope de figurinhas e algumas moedas.&lt;br /&gt;A vendinha do seu Jairo era o principal estabelecimento comercial do bairro, frequentado por bandos de moleques atrás de guloseimas ou incumbidos pelas mães de comprar verduras ou algum produto de limpeza. Ao se dar conta do potencial de negócios representado por tal freguesia, o velho incluíra gibis e pipas em sua lista de produtos.&lt;br /&gt;Seu Jairo cumprimentou-o com a efusão de sempre e seguiu o roteiro à risca.&lt;br /&gt;— Tudo bem em casa? E na escola? Mande um abraço pra seu Heitor e dona Suzana.&lt;br /&gt;Nano balançou a cabeça afirmativamente e pegou suas coisas. Saiu com Guto e sentou-se no meio-fio. Desembrulhou a bala com cuidado para que nenhum pedaço de papel ficasse grudado. O amigo continuava em pé: era obcecado por limpeza e recusava-se a sentar onde, segundo dizia, pessoas, cachorros e sabe-se lá que outros bichos pisavam.&lt;br /&gt;— Vai, abre logo isso aí.&lt;br /&gt;Impaciente, Guto balançava o corpo para frente e para trás, os braços cruzados. Nano estava prestes a atender à solicitação quando, com o canto do olho, viu uma bicicleta se aproximar. Adivinhando quem era, fingiu ter dificuldades para rasgar o envelope. Após alguns instantes, ouviu os pneus derrapando de leve com a freada.&lt;br /&gt;— Oi, meninos.&lt;br /&gt;— Oi, Teca.&lt;br /&gt;A garota não sorriu, mas fez o equivalente: piscou seus grandes olhos escuros. Desmontou da biclicleta e voltou-se para a porta da venda.&lt;br /&gt;— Paiê! Já cheguei!&lt;br /&gt;De lá de dentro, seu Jairo berrou alguma coisa incompreensível. Provavelmente, era "oi, princesa" -- o jeito como ele sempre chamava a filha e que sempre a deixava constrangida. Antes que alguém fizesse algum comentário, Teca apressou-se em desviar o assunto.&lt;br /&gt;— E então, o que temos?&lt;br /&gt;Dessa vez, Nano não teve problemas para abrir o pacote duma só vez. Derrota: três figurinhas repetidas. Guto suspirou.&lt;br /&gt;— Diacho... Já devo ter uns cinco Sócrates. E o Zico que é bom, nada.&lt;br /&gt;— Não desistam, rapazes. Continuem comprando.&lt;br /&gt;— Bom, dona espertalhona, e que tal se a gente começar a comprar em outro lugar?&lt;br /&gt;Teca deu de ombros e emendou a resposta usual quando alguém ameaçava boicotar o mercado de seu pai.&lt;br /&gt;— É um país livre.&lt;br /&gt;Guto zangou-se.&lt;br /&gt;— Vambora pra banca da Matriz. O Tatavo disse que foi lá quatro vezes seguidas e não veio nenhuma repetida.&lt;br /&gt;Nano fez uma careta indicando que a Matriz era longe demais. Guto ficou visivelmente sentido com a deserção do amigo, mas engoliu o orgulho em seco.&lt;br /&gt;— Você é quem sabe. Eu vou completar o meu álbum antes. Adeus.&lt;br /&gt;Saiu pisando duro. Teca balançou a cabeça, complacente. Em seguida, voltou-se para Nano.&lt;br /&gt;— E aí... Conseguiu?&lt;br /&gt;O garoto sorriu e puxou um objeto do bolso, num gesto triunfal.&lt;br /&gt;— Não acredito! Você é demais!&lt;br /&gt;Teca apanhou o retângulo de plástico e ficou admirando-o. Era uma fita cassete com o primeiro álbum do Big Star. Nano fora até a casa do primo na semana anterior para gravá-lo. Após o toque da campainha, o primo abrira a porta com um sorriso, orgulhoso da reputação do seu acervo musical.&lt;br /&gt;— É isso aí, moleque. Aprendendo desde cedo a ter bom gosto. Tenho que continuar estudando, mas você sabe mexer no aparelho, né? Olha: se eu encontrar um pelinho que seja no meu disco, eu te encho de cascudo, tá legal?&lt;br /&gt;Nano detivera-se um instante, admirando o letreiro em neon na capa. Puxara o LP com todo o cuidado. Colocara os fones de ouvido alemães do primo. Os primeiros chiados da agulha contra os sulcos provocaram nele a ansiedade de um explorador prestes a desembarcar em um novo mundo. Não era nada parecido com os discos dos Stones que o irmão mais velho ouvia em casa, muito menos com a música italiana dos pais ou o pop FM de Guto e dos outros amigos. Nano imaginara Teca dançando ao som da faixa três e comovera-se dum jeito difícil de explicar com a faixa quatro. Ao final daqueles trinta e sete minutos, dera-se conta de que havia acabado de construir algo novo, só seu. Uma memória afetiva.&lt;br /&gt;— Nem sei como te agradecer!&lt;br /&gt;A Teca de carne e osso interrompeu a divagação. Nano sorriu, sem graça, e deu de ombros, relativizando a dimensão de seu feito.&lt;br /&gt;— Vai ser perfeita pra festa da Ciça. Aquela tonta não vai mais poder me encher!&lt;br /&gt;Ciça era uma esnobe que só falava com os garotos da oitava série. Nano sempre se perguntara como Teca podia ser amiga daquela chata, mas agora lembrou-se de que a vira uma vez conversando, toda sorrisos, com um dos meninos mais velhos. Sentiu raiva; era como uma onda de calor subindo do estômago para a garganta e fazendo-o ter vontade de explodir, gritar, chamar Teca de idiota, falsa, interesseira. Não fez nada disso. Apenas levantou-se apressadamente e resmungou que tinha que ir.&lt;br /&gt;— Já? Mas eu acabei de chegar... Bom, obrigada de novo. Ou melhor, obrigada, porque eu não tinha dito isso antes.&lt;br /&gt;Nano deu de ombros.&lt;br /&gt;— Ah, só mais uma coisa... A festa da Ciça... É no sabado. Eu sei que você nem fala com ela, mas... Bom, ela me disse que eu podia levar alguém, se eu quisesse.&lt;br /&gt;Ele encarou a garota, que piscava seus grandes olhos escuros.&lt;br /&gt;— E então... Você passa aqui?&lt;br /&gt;Tentou balbuciar algo, mas apenas esboçou um sorriso e balançou a cabeça afirmativamente.&lt;br /&gt;— Ai, que bom! Amanhã a gente combina direitinho, tá?&lt;br /&gt;Acenou um "tchau" desengonçado. Virou as costas, meteu as mãos nos bolsos e seguiu caminhando, pensamentos sortidos girando na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/pte3Jg-2Ax4" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6830719332531038856?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6830719332531038856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6830719332531038856&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6830719332531038856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6830719332531038856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/04/13.html' title='[13]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/pte3Jg-2Ax4/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5579621205290378996</id><published>2010-03-30T08:53:00.004-03:00</published><updated>2011-09-10T00:47:49.269-03:00</updated><title type='text'>[Feel just like Cagney]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aceito outro copo.&lt;br /&gt;Ouço mais do que diz a canção.&lt;br /&gt;Ajoelho para amarrar seus cadarços.&lt;br /&gt;A ideia do amor parece bastar.&lt;br /&gt;Mas pela manhã ela já não está na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="250" height="40"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=7954556&amp;style=metal&amp;p=0" /&gt;&lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=7954556&amp;style=metal&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5579621205290378996?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5579621205290378996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5579621205290378996&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5579621205290378996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5579621205290378996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/03/invitation-to-blues.html' title='[Feel just like Cagney]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-4622879842257212785</id><published>2010-03-22T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-09-10T00:32:12.736-03:00</updated><title type='text'>[It's getting hard to be someone but it all works out]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu escolho enfrentar os moinhos de vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/cG2gNvqGJVU" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-4622879842257212785?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/4622879842257212785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=4622879842257212785&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4622879842257212785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4622879842257212785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/03/its-getting-hard-to-be-someone-but-it.html' title='[It&apos;s getting hard to be someone but it all works out]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=13057001&amp;style=metal&amp;p=0" /&gt;&lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=13057001&amp;style=metal&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-829725053402403390?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/829725053402403390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=829725053402403390&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/829725053402403390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/829725053402403390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/03/all-these-waves.html' title='[All these waves]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8874263372396293298?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8874263372396293298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8874263372396293298&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8874263372396293298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8874263372396293298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/02/most-of-time-ive-got-nothing-to-say.html' title='[Most of the time I&apos;ve got nothing to say]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-506312258556033671</id><published>2010-02-16T13:48:00.006-02:00</published><updated>2011-09-10T00:33:46.853-03:00</updated><title type='text'>[And the wonder of it all...]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flagro-me sorrindo diante dos seus pés descalços e do afã de sair à rua. A garota acabou de tomar banho, mas zanzando de um lado para o outro desse jeito logo vai estar com as solas pretas, como de costume. Ela observa pela enésima vez que parou de chover, como uma criança impaciente que sente que perdeu um tempo precioso das férias trancafiada em casa. Resolvo levantar, não por causa das suas repetidas indiretas, mas simplesmente porque me cansei do clima abafado que faz a pele grudar na rede esticada na varanda. Ela se anima e pergunta se podemos ir até o calçadão; respondo que depois da minha ducha podemos. Quando saio do banheiro, ela está com o vestido verde, colocando os brincos diante do espelho no corredor. Seguro-a pela cintura, apoio o queixo em seu ombro e cantarolo um trecho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wonderful Tonight&lt;/span&gt;. Ela ri e me empurra de volta para o quarto.&lt;br /&gt;O vento que sopra do mar ajuda a refrescar. O sol vai se pondo e as luzes dos postes começam a acender, o que realça o colorido esmaecido dos brinquedos do parque de diversões. A montanha-russa trepida enquanto os vagões passam em alta velocidade e a molecada grita, histérica. Comento que jamais me arriscaria na montanha de um parque caindo aos pedaços como aquele. Ela me chama de covarde e diz que eu jamais me arriscaria em montanha alguma. Melindrado, resmungo que já fui em várias. Ela duvida e me lembra do meu medo de alturas. Respondo que o único problema é que a primeira subida sempre faz com que eu me arrependa e me pergunte o que diabos estou fazendo ali. Ela balança a cabeça, como quem diz "você não sabe de nada", e afirma que a melhor coisa de uma montanha-russa é justamente o modo como a primeira descida arranca essa sensação em uma fração de segundo.&lt;br /&gt;Ficamos quietos por um instante. Até que ela sorri do jeito que geralmente faz antes de aprontar alguma. Pega na minha mão, diz que tem um brinquedo muito mais adequado ao meu perfil e me puxa na direção do carrossel. Deixo-me levar porque é a única coisa que posso fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/qwprrAEL9-E" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-506312258556033671?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/506312258556033671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=506312258556033671&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/506312258556033671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/506312258556033671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/02/bell-black-ocean.html' title='[And the wonder of it all...]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/qwprrAEL9-E/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5626879781417883228</id><published>2010-01-24T00:23:00.001-02:00</published><updated>2011-09-10T00:08:30.874-03:00</updated><title type='text'>[Tonight I say goodbye to everything that thrills me]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com as cortinas fechadas&lt;br /&gt;tento adivinhar como está o dia lá fora.&lt;br /&gt;Anseio por coisas que não conheço.&lt;br /&gt;Sinto falta do que nunca foi meu.&lt;br /&gt;Lastima-me saber que o que me faz continuar&lt;br /&gt;é justamente&lt;br /&gt;o que continua me matando aos poucos:&lt;br /&gt;acreditar nas tolices&lt;br /&gt;que só eu vejo.&lt;br /&gt;— Melhor seria derrubar as paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="250" height="40"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=1227673&amp;style=metal&amp;p=0" /&gt;&lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=1227673&amp;style=metal&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5626879781417883228?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5626879781417883228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5626879781417883228&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5626879781417883228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5626879781417883228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/01/tonight-i-say-goodbye-to-everything.html' title='[Tonight I say goodbye to everything that thrills me]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-4485992527701051555</id><published>2010-01-15T00:59:00.005-02:00</published><updated>2011-09-10T02:09:33.369-03:00</updated><title type='text'>[Bubble]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Distraída, alisa com o dedo a ponta do nariz enquanto observa que tem as feições do pai. Tenta imprimir um tom jocoso ao dizer que espera não ficar com o corpo da mãe. Conclui, com resignação, que é isso o que acabará acontecendo se continuar comendo feito criança e bebendo feito homenzinho. Concorda que existe algo de inexplicavelmente romântico no último trem da noite. Ri quando exponho o que é que o amor tem a ver com janelas, cheiro de chuva e longas caminhadas. Decreta que eu sou um fetichista de ideias. Talvez não faça ideia de que ela própria é um apanhado de pedaços de histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I embrace the moment&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I'm in love with a dream&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;and toy with ideas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;that burn deep inside me&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;(Mark Kozelek)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="250" height="40"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=1264578&amp;style=metal&amp;p=0" /&gt;&lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=1264578&amp;style=metal&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-4485992527701051555?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/4485992527701051555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=4485992527701051555&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4485992527701051555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4485992527701051555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/01/bubble.html' title='[Bubble]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5998822779628167105</id><published>2010-01-06T23:46:00.004-02:00</published><updated>2011-09-12T01:05:57.661-03:00</updated><title type='text'>[I know it's built to rust]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os barcos cercam o horizonte.&lt;br /&gt;As boias cercam a enseada.&lt;br /&gt;As casas cercam a areia.&lt;br /&gt;O velho ressentido cerca o menino suscetível.&lt;br /&gt;Fica o sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5998822779628167105?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5998822779628167105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5998822779628167105&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5998822779628167105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5998822779628167105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2010/01/i-know-its-built-to-rust.html' title='[I know it&apos;s built to rust]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7717712815580079391</id><published>2009-12-27T14:47:00.018-02:00</published><updated>2011-09-10T02:31:50.343-03:00</updated><title type='text'>[Me and the devil blues]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A história só depende de quem a conta", costuma dizer um amigo meu. E tenho que concordar. Outra pessoa poderia descrever o misterioso personagem central do episódio que vou narrar como sendo alguma entidade de origem africana. Ou uma alma penada. Para mim, parecia mais uma encarnação do Robert Johnson -- do lugar em que me esperava (uma encruzilhada) à poeira que maculava seu terno alinhado, tudo remetia a uma estrada perdida no Delta do Mississippi.&lt;br /&gt;Sorriu-me com dentes brancos, reluzentes sob a luz do poste, e ergueu-me o chapéu em saudação. Avançou um passo em minha direção; em resposta, ofereci minha melhor cara de "pois não, o que deseja?". Ele franziu a testa e me disse, numa voz rouca, curtida em tonéis de carvalho:&lt;br /&gt;— Geralmente eu é que faço essa pergunta, rapaz.&lt;br /&gt;Não cheguei a me surpreender com a demonstração de telepatia. Era de se esperar que algo assim acontecesse -- como se toda a literatura fantástica devorada nos anos de formação houvesse me preparado para aquele instante. A seguir, eu sabia, viria uma proposta de pacto com o além. Ele balançou a cabeça:&lt;br /&gt;— Não, não é assim que funciona. Primeiro você me oferece uma bebida.&lt;br /&gt;Mais uma vez, não houve espanto ao perceber que a rua, outrora morta, de repente revelava uma tímida luz vinda de um estabelecimento comercial ainda aberto naquele horário avançado: um bar, é claro. Dirigimo-nos até lá e sentamo-nos em uma das muitas mesas disponíveis. Aliás, não havia cliente algum além de nós e, apesar disso, o garçom não parecia aborrecido. Imaginei que meu convidado gostava de Jack Daniel's e pedi duas doses, mas ele corrigiu:&lt;br /&gt;— Melhor trazer a garrafa.&lt;br /&gt;Puxou, em seguida, algo do bolso interno do paletó: um cigarro enrolado à mão, que acendeu com um daqueles fósforos de cartela. Pensei em alertá-lo de que era proibido fumar ali, mas acabei concluindo que minha observação fatalmente seria ignorada. Permanecemos calados e, pela posição em que estava, não conseguia enxergar seus olhos, ocultos pela aba do chapéu e pela fumaça.&lt;br /&gt;O garçom voltou com nosso pedido e serviu uma dose dupla para cada, mesmo não tendo sido instruído para tal. Bebi um gole, enquanto meu conviva sorveu tudo de uma só vez, estalando a língua, satisfeito. Finalmente, voltou-se para mim e passou a me fitar com interesse:&lt;br /&gt;— E então, rapaz, o que vai ser? Dinheiro? Fama? Mulheres? Hum, quem sabe uma mulher, em especial...&lt;br /&gt;Mexi-me na cadeira, desconfortável com a invasão de privacidade mental, e concentrei-me na ideia de que não teria a menor graça acordar num belo dia e simplesmente ter tudo. Ele riu:&lt;br /&gt;— Nada disso. Se você aceitar o trato, as coisas não vão cair no seu colo da noite para o dia -- você vai ter que conquistá-las. Você vai continuar sendo você mesmo, só que... Só que com um empurrãozinho, digamos assim. E, claro, com a certeza de que, cedo ou tarde, vai ter tudo o que deseja.&lt;br /&gt;Antes que eu pudesse abrir a boca, ele acrescentou:&lt;br /&gt;— Já sei, já sei, você vai perguntar então por que diabos precisa de mim. Mas sou eu que pergunto: por que diabos você precisa de mim?&lt;br /&gt;Com o ar triunfante de quem pôs fim a uma discussão, ele reabasteceu o copo. Supus que aquela seria a hora em que ele colocaria seu preço: minha alma, provavelmente. Ele explodiu em uma gargalhada zombeteira:&lt;br /&gt;— Alma? E ficar no prejuízo? Você tem muito mais blues do que soul...&lt;br /&gt;Entornei num gole o que restava no meu copo.&lt;br /&gt;— Ah, vamos lá, foi só uma brincadeira. Achei que você ia gostar da referência. É o seguinte: você fica com tudo o que quiser -- inclusive com a sua preciosa alma. E eu volto algum dia para cobrar a dívida. Não posso adiantar agora o que vai ser, porque eu só decido na hora. Talvez seja um favor ou algo que eu queira muito. Veremos.&lt;br /&gt;Servi-me outra dose, conjeturando se o sujeito lá de cima teria, por acaso, uma contraproposta. O pensamento exasperou meu convidado:&lt;br /&gt;— Vocês, sempre com esse maniqueísmo imbecil. Isto aqui não é uma disputa entre mocinhos e bandidos. Muito menos um leilão.&lt;br /&gt;Quedamo-nos em silêncio. Procurei avaliar a situação. Nunca fui muito religioso, então isso não chegava a ser um problema. A questão toda era moral. Do outro lado da mesa, meu companheiro de bebida parecia ignorar minha presença. Mas eu sabia que ele acompanhava cada pensamento meu. Já havíamos quase liquidado a garrafa quando ele, enfim, bufou, resignado:&lt;br /&gt;— Você realmente quer envolver o "sujeito lá de cima" no nosso pequeno negócio, não é? Então aqui está.&lt;br /&gt;Retirou algo de um dos bolsos e atirou para mim. Era uma moeda. Não uma moeda qualquer -- era pesada, aparentemente de prata, com um rosto gravado em uma das faces e uma coroa na outra. Uma tradução literal do velho jogo. Antes que eu pudesse formular a pergunta, ele disse, entediado:&lt;br /&gt;— Que pensamento mais simplista! Eu não esperava isso de você. Não, o "sujeito lá de cima" não se manifesta por meio do acaso. Nada de "escrever certo por linhas tortas". Não, o jogo aqui é diferente: a moeda descobre o que você realmente quer e mostra a resposta. As opções? Coroa: você paga a conta. Eu lhe dou uma das coisas que ofereci antes, mas você sempre vai se sentir culpado por ter trapaceado, por não merecer o que ganhou. Cara: eu pago a conta. Você nunca vai conquistar nada do que deseja, mas sempre vai ter a lembrança deste nosso encontro. E vai poder atribuir o seu fracasso a mim. Ou ao "lá de cima". Como quiser.&lt;br /&gt;Despejei o restante do conteúdo da garrafa no meu copo. Ele soltou uma interjeição de desprezo:&lt;br /&gt;— Se eu quisesse enganá-lo, teria feito isso desde o começo.&lt;br /&gt;Bebi o whiskey, bati o copo na mesa com força desnecessária e, sem pensar muito, atirei a moeda para o alto. Deixei-a cair no dorso da mão esquerda e, imediatamente, cobri-a com a direita. Quando tomei coragem e vi o resultado, não soube dizer se havia ganhado ou perdido. Achei que viria um riso de escárnio, mas meu convidado simplesmente deu de ombros e disse:&lt;br /&gt;— A história só depende de quem a conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/3MCHI23FTP8" allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7717712815580079391?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7717712815580079391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7717712815580079391&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7717712815580079391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7717712815580079391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/12/me-and-devil-blues.html' title='[Me and the devil blues]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/3MCHI23FTP8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7922975623756461340</id><published>2009-12-24T00:55:00.002-02:00</published><updated>2009-12-24T02:20:42.103-02:00</updated><title type='text'>[Ghost of Christmas Present]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O menino ansioso&lt;br /&gt;sacode o pacote perto do ouvido.&lt;br /&gt;Rasga, impaciente, o papel colorido.&lt;br /&gt;E seus olhos brilham antes mesmo de ver&lt;br /&gt;o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem cansado&lt;br /&gt;guarda o pacote no fundo do armário.&lt;br /&gt;Rasga o papel que lhe custou alguma coragem.&lt;br /&gt;E seus olhos marejam diante do fato de que, no fim, é tudo&lt;br /&gt;embalagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7922975623756461340?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7922975623756461340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7922975623756461340&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7922975623756461340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7922975623756461340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/12/ghost-of-christmas-present.html' title='[Ghost of Christmas Present]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2575509567176868905?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2575509567176868905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2575509567176868905&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2575509567176868905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2575509567176868905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/12/roy-orbison-is-singing-for-lonely.html' title='[Roy Orbison is singing for the lonely]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/RMB3M43AEpc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5692626564096994736</id><published>2009-12-01T00:24:00.007-02:00</published><updated>2009-12-03T01:04:37.240-02:00</updated><title type='text'>[73]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Será que nem hoje vocês podem me dar um sorrisinho? Só um?&lt;br /&gt;A mãe segurava a câmera, esperançosa. Mas os três atrás da mesa permaneciam irredutíveis. A menina mais velha bufava, visivelmente contrariada diante do tratamento infantil que a família vinha lhe dispensando e que, segundo julgava, era totalmente inadequado à sua idade (as duas velas sobre o bolo de aniversário, com os algarismos 1 e 4, tinham sido a gota d'água). O namorado dela mantinha o mesmo rosto inexpressivo de sempre. E o avô simplesmente não sorria. Nunca.&lt;br /&gt;— Vamos lá, papai. Sua neta tá virando uma mocinha. Que tal pelo menos parecer feliz na foto?&lt;br /&gt;— Virando mocinha? Minha neta tá namorando uma mocinha, isso sim. Olha só, esse moleque tá usando maquiagem!&lt;br /&gt;O queixo da menina mais velha caiu. &lt;span&gt;Aquilo&lt;/span&gt; é que era a gota d'água.&lt;br /&gt;— Vô!&lt;br /&gt;A mãe desistiu da foto e começou a massagear as têmporas.&lt;br /&gt;— Papai, pelo amor de Deus...&lt;br /&gt;— Não acredito!&lt;br /&gt;A menina saiu da sala pisando duro, puxando pela mão o namorado, que continuava sem esboçar reação alguma. A mãe ergueu o dedo.&lt;br /&gt;— Papai, mais tarde a gente vai ter uma conversa séria!&lt;br /&gt;E saiu, atrás da filha.&lt;br /&gt;— Mas é verdade, o moleque tá usando maquiagem...&lt;br /&gt;O avô sentiu alguém lhe puxando a manga da camisa. Era a menina mais nova.&lt;br /&gt;— Vovô, eu vi. Tá mesmo. Mas tem uns meninos que usam lápis no olho. É normal.&lt;br /&gt;Ele roubou dois brigadeiros da mesa. Comeu um e entregou o outro à netinha, colocando o indicador sobre os lábios, como quem pede segredo.&lt;br /&gt;— Normal, normal... Na minha época, se o sujeito deixava o cabelo crescer, já era coisa de fresco. E nem precisava ser muito: podia ser, assim, que nem o do John Lennon no começo.&lt;br /&gt;Observou para ver se a menina entendia a referência. Mas ela aparentemente ignorou o comentário.&lt;br /&gt;— Vovô, você devia vir morar com a gente. Você ia ficar mais feliz?&lt;br /&gt;— Acho que a sua mãe me deixava louco antes. Ou me matava.&lt;br /&gt;O avô fez um esforço para se inclinar e se aproximar da neta.&lt;br /&gt;— Eu vou te contar um segredo. Todo mundo acha que eu sou ranzinza só por causa disso aqui: rugas na testa.&lt;br /&gt;A menina riu em aprovação e ficou brincando de franzir o cenho.&lt;br /&gt;— É isso aí. Sua mãe, por outro lado, não tem rugas e tá sempre enfezada. Ainda bem que eu não vou estar por aqui quando ela chegar na minha idade. Acho que, no caso dela, é mesmo um problema de intestino...&lt;br /&gt;— Hããã?!!&lt;br /&gt;— Você nunca ouviu falar de onde veio a palavra "enfezado"?&lt;br /&gt;— Hummm, não. De onde?&lt;br /&gt;— Sabe o que é etimologia?&lt;br /&gt;— Tima-o-que?&lt;br /&gt;— O que é que te ensinam na escola, hein? Bom, deixa pra lá. O que eu tava dizendo é que todo mundo acha que "enfezado" vem de "fezes". Dizem que, quando o sujeito tava com o intestino preso, ele ficava de mau humor e daí tachavam ele de enfezado.&lt;br /&gt;— Mentiiiraaa!!!&lt;br /&gt;— É mentira mesmo. A etimologia ensina que "enfezado" e "fezes" vêm de termos latins diferentes e, portanto, a origem de uma palavra não tem nada a ver com a da outra. Mas eu acho que faz muito mais sentido essa história que eu te contei. Ou, pelo menos, é muito mais divertido pensar assim. O que você acha?&lt;br /&gt;A menina não teve tempo de responder. A mãe, que tinha acabado de voltar com a mais velha, chamou-a para perto da mesa.&lt;br /&gt;— Vem, vamos tirar uma foto bem bonita de vocês duas.&lt;br /&gt;A mais velha ainda estava com cara de poucos amigos. A mais nova resolveu imitá-la, para desespero da mãe.&lt;br /&gt;— Ah, mas não é possível! O que é isso? A festa da Família Addams?&lt;br /&gt;A pequena se divertiu com a ideia e colocou o cabelo na frente da cara, fingindo ser o Primo It.&lt;br /&gt;— Chega dessa palhaçada, vamos!&lt;br /&gt;— Ih, mamãe, acho que você tá cheia de cocô...&lt;br /&gt;— O queee?!!&lt;br /&gt;O avô virou o rosto de lado e cobriu a boca com a mão. Para tossir, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5692626564096994736?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5692626564096994736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5692626564096994736&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5692626564096994736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5692626564096994736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/12/73.html' title='[73]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7308215245076782119</id><published>2009-11-26T09:11:00.005-02:00</published><updated>2011-09-10T02:05:48.140-03:00</updated><title type='text'>[Half awake]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Garrafas.&lt;br /&gt;Skyline.&lt;br /&gt;Verso sublinhado.&lt;br /&gt;Penumbra.&lt;br /&gt;Nada encobre a canção&lt;br /&gt;que martela os sentidos,&lt;br /&gt;brota dos lábios sem querer&lt;br /&gt;e só se detém nestes pés desajeitados&lt;br /&gt;que não acertam um passo sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/KehwyWmXr3U" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7308215245076782119?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7308215245076782119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7308215245076782119&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7308215245076782119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7308215245076782119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/11/halkf-awake.html' title='[Half awake]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/KehwyWmXr3U/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8840180896430692913</id><published>2009-11-22T23:34:00.006-02:00</published><updated>2009-11-22T23:45:14.888-02:00</updated><title type='text'>[Days like this]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os velhos bebem cachaça, falam de viagens e de gente que se foi.&lt;br /&gt;Os mais novos vão com calma com a cerveja, conversam sobre filhos e emprego.&lt;br /&gt;Eu não sei onde me encaixo.&lt;br /&gt;Mas me dou bem com as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8840180896430692913?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8840180896430692913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8840180896430692913&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8840180896430692913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8840180896430692913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/11/days-like-this.html' title='[Days like this]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8060545829919270805</id><published>2009-11-21T14:25:00.002-02:00</published><updated>2009-12-14T00:36:10.077-02:00</updated><title type='text'>[Scene missing]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Oi, sou eu. Queria saber se tá tudo certo pra amanhã. Pensei em mandar umas instruções por e-mail, mas você conhece por aqui, né? Qualquer coisa, me liga. No celular, porque o fixo ainda não chegou. Acho que você vai ficar feliz de ver que a casa é do jeito que eu queria. É pequena, aconchegante, tem um quintalzinho que até cabe uma churrasqueira. E um corredor que eu quero encher com uns vasos de planta. Tem padaria, mercado e ponto de ônibus pertinho. Claro que nem tudo é perfeito. A cozinha é meio pequena, o piso da sala é daqueles tacos que vivem soltando. E tem um culto evangélico bem do lado. Não é um sobradinho numa vila na Lapa, mas também não é uma quitinete em São Miguel. Pra mim tá bom. Quem diria, né? Talvez você ache que eu mudei. Bom, e mudei mesmo, rá! Mas, sério, acho que as coisas têm acontecido meio que nem... Que nem quando você vai na praia, entra no mar e nem percebe que a correnteza tá puxando. Daí, quando você sai, não consegue encontrar o guarda-sol. Sabe? Enfim, o que eu queria mesmo dizer...&lt;br /&gt;Acaba o tempo para deixar recado na caixa postal. Suspira. Disca o mesmo número.&lt;br /&gt;— Eu de novo. Se você não encontrar lugar pra estacionar, dá a volta e entra numa rua antes. Lá sempre tem vaga. A Ana e o Beto falaram que vêm, mas chegam um pouco mais tarde. Te peço pra trazer o que você for beber... E só. Tchau.&lt;br /&gt;Desliga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8060545829919270805?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8060545829919270805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8060545829919270805&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8060545829919270805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8060545829919270805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/11/scene-missing.html' title='[Scene missing]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1668120770445394407</id><published>2009-11-14T15:41:00.002-02:00</published><updated>2011-09-10T01:43:45.688-03:00</updated><title type='text'>[Take this sinking boat and point it home]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você passa as horas metido num escritório com o ar condicionado ligado no máximo.&lt;br /&gt;Mas o dia bonito sempre dá um jeito de se infiltrar.&lt;br /&gt;No bafo quente que entra pela fresta da janela.&lt;br /&gt;Na imagem da moça de vestido branco debaixo da árvore, esperando pra atravessar a avenida.&lt;br /&gt;Na música com a qual o shuffle do iTunes resolve te surpreender.&lt;br /&gt;No coração que aperta quando Glen Hansard canta "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;it's time that you won&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/k8mtXwtapX4" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1668120770445394407?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1668120770445394407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1668120770445394407&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1668120770445394407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1668120770445394407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/11/take-this-sinking-boat-and-point-it.html' title='[Take this sinking boat and point it home]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/k8mtXwtapX4/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8896502030092796291</id><published>2009-10-31T19:26:00.003-02:00</published><updated>2009-11-01T14:53:44.145-02:00</updated><title type='text'>[15]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começou a mudar numa tarde quente de novembro.&lt;br /&gt;Júlio saiu esbaforido pelo portão verde, com as barras da calça de moletom erguidas quase até os joelhos -- mesmo naquele calor, os meninos não tinham permissão para usar bermuda no colégio de freiras. Sentia-se meio empanturrado com o x-tudo e a Fanta engolidos às pressas na cantina. Às quintas-feiras, sua classe tinha Educação Física no último horário e a maioria aproveitava para ir embora mais cedo. Mas não ele. Aquela era a única aula na qual conseguia se destacar. Em todas as outras, seu desempenho ia de mediano a ruim. Especialmente ruim em Exatas.&lt;br /&gt;Olhou o relógio: estava atrasado. Ia estudar em grupo para os exames finais. Sabia que não tinha muita chance de escapar da recuperação, mas, para ele, os encontros serviam mais como uma oportunidade de reunir sua pequena turma fora do ambiente da escola. Eram dois casais. Pelo menos, era assim que gostava de enxergá-los.&lt;br /&gt;Embora não tivessem muito em comum, Rodrigo era o que estava mais próximo de ser um melhor amigo. Franzino e desengonçado, compensava a total falta de coordenação para atividades físicas com um rico arsenal de opiniões formadas sobre qualquer assunto. A única que conseguia fazê-lo se calar era Tânia, por quem Rodrigo era óbvia, mas não declaradamente, apaixonado.&lt;br /&gt;Tânia era a mais inteligente e também a mais estranha. Sua bipolaridade beirava o inacreditável: ria de um jeito escandaloso e, literalmente no segundo seguinte, quedava quieta e amuada sem razão aparente. Era capaz de se tornar a pessoa mais meiga e afável logo depois de uma incontrolável explosão de nervos. Nem mesmo os professores sabiam como lidar com seu humor intempestivo.&lt;br /&gt;E tinha Verônica... Ela costumava prestigiar as partidas de basquete. Júlio lembrava-se de uma, em particular, na qual, após ouvir a voz da garota gritando seu nome em pleno ginásio, ficara desconcertado e perdera a bola, fazendo com que a equipe adversária encostasse no placar e o treinador fosse obrigado a pedir tempo. Quando estavam só os dois juntos, no entanto, o efeito era o contrário. Verônica o fazia dizer coisas engraçadas, interessantes, profundas. Ao lado dela, sentia-se uma pessoa melhor.&lt;br /&gt;Chegou ao prédio em que Tânia morava. Era um daqueles conjuntos antigos em que não havia porteiro, apenas campainhas diretas para cada apartamento. Ia apertar o botão referente ao número doze, mas uma senhora que saía, vendo aquele rapaz alto e bonito, de mochila nas costas e uniforme escolar, sorriu e gentilmente segurou o portão para que ele entrasse. Mais tarde, lembrando-se desse gesto, ele presumiria que, se não fosse aquela senhora, as coisas poderiam ter sido diferentes.&lt;br /&gt;Nem bem havia chegado ao saguão de entrada, ouviu um grito. Era Verônica. Não pensou duas vezes. Subiu as escadas num piscar de olhos, com suas passadas largas de atleta. A porta do apartamento doze estava entreaberta. Irrompeu na sala. Verônica com as duas mãos cobrindo a boca, paralisada de medo. Rodrigo no chão, o rosto coberto de dor. Em pé, diante dele, trôpego e visivelmente embriagado, o pai de Tânia, com uma expressão colérica, segurando um bastão de madeira. Nenhum sinal da filha.&lt;br /&gt;De repente, algumas imagens vieram à mente de Júlio em um flash, conferindo novo significado a acontecimentos aos quais, até então, dera pouca atenção. As ocasiões em que Tânia chegava vestindo blusas de mangas compridas, parecendo ainda mais arisca do que o habitual e fazendo com que Rodrigo ficasse apreensivo e agitado. O dia em que Rodrigo chegou com o braço engessado e, hesitante, contou que havia caído da árvore no sítio de um tio -- logo ele, tão pouco afeito a aventuras na natureza e reuniões de família.&lt;br /&gt;A conclusão podia ser cruel, mas praticamente se confirmava ali, naquela sala, e impeliu Júlio a agir.&lt;br /&gt;Em uma série de movimentos rápidos e precisos, como em uma jogada ensaiada, o armador da equipe de basquete avançou em direção ao velho bêbado e acertou-lhe um pontapé no estômago. Aproveitando-se do momento de fraqueza do homem, tomou-lhe o pedaço de pau. Girou o corpo e tentou repetir a coreografia dos rebatedores que via nas transmissões de beisebol na tevê a cabo, só que direcionando a mira para baixo. Jogou o peso do corpanzil e deixou toda a energia do movimento ser transferida para o bastão, sem se dar conta de que aquilo era Física pura. Atingiu em cheio o joelho do pai de Tânia.&lt;br /&gt;O velho tombou, gritando. Júlio estava pronto para nova investida, mas sentiu a mão de Verônica em seu ombro.&lt;br /&gt;— A gente precisa levar ele pro hospital.&lt;br /&gt;Ela se referia, é claro, a Rodrigo. Júlio balançou a cabeça, afirmativamente. Com um golpe firme contra a própria perna, partiu o pedaço de madeira em dois e atirou as metades para longe, dirigindo um olhar de desprezo para o pai de Tânia, que gemia no chão. Enquanto ajudava o amigo a descer a escada, teve a impressão de ouvir a porta de um dos apartamentos ao lado se fechando. Imaginou que os vizinhos deviam estar habituados a ouvir as brigas no número doze sem jamais tomar uma atitude.&lt;br /&gt;No pronto-socorro, disseram que Júlio havia se machucado em uma dividida sem maldade no jogo de futebol. Enquanto ele era atendido, o casal ficou na sala de espera. Júlio pensou em perguntar se Verônica já tinha testemunhado algum outro episódio como aquele, mas acabou desistindo. Estava prestes a dizer algo trivial para quebrar o silêncio quando reparou que uma lágrima escorria pelo rosto da garota. Quando tocou em sua mão, ela imediatamente o abraçou e começou a soluçar.&lt;br /&gt;Ficaram assim, calados, durante um bom tempo. Mesmo depois de se acalmar, Verônica manteve a cabeça apoiada no ombro de Júlio, segurando seu braço forte. Ele, de vez em quando, acariciava o rosto dela. Do ângulo em que estava, conseguia espiar, através do decote em vê da blusa da escola, a curva dos seios e o sutiã branco que ela usava. Júlio fechou os olhos e torceu para que Verônica não notasse sua respiração ofegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quatro só se reuniram novamente na segunda-feira e, mesmo assim, por um breve instante. Na hora do intervalo, Júlio avistou de longe os três sentados na escada perto do parquinho. Aproximou-se, mas antes que pudesse cumprimentá-los, Tânia se levantou e saiu resmungando algo sobre "covardia". Olhou, confuso, para os outros dois, que não disseram nada. Sentou-se com eles na escada. Depois de alguns instantes, Rodrigo começou, enfim, a relutantemente contar que o pai de Tânia tivera que ir para o hospital para cuidar do joelho e, com isso, perdera uma entrevista de emprego em uma empresa de transportes.&lt;br /&gt;Júlio entendeu. Era a ele que Tânia se referia; achava-o um covarde por ter agredido e prejudicado um velho inocente e indefeso. Um pai alcólatra que abusava dela, mas que mesmo assim ela defendia. Sentiu raiva. Sentiu-se terrivelmente injustiçado. Em parte por causa de Tânia. Em parte porque Verônica tinha o braço entrelaçado com o de Rodrigo, a mão repousando sobre a coxa dele, em intimidade excessiva. Cerrou os punhos com força, até sentir as unhas cravando sua própria carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8896502030092796291?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8896502030092796291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8896502030092796291&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8896502030092796291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8896502030092796291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/10/15.html' title='[15]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-50248027395365863</id><published>2009-10-27T13:30:00.002-02:00</published><updated>2009-10-28T00:00:49.898-02:00</updated><title type='text'>[Efeito borboleta]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um gesto aparentemente inofensivo como uma mão que escapa à outra pode provocar um temporal que coloca a cidade em estado de alerta e deixa ao menos um desabrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-50248027395365863?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/50248027395365863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=50248027395365863&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/50248027395365863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/50248027395365863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/10/efeito-borboleta.html' title='[Efeito borboleta]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-4962421718606149204</id><published>2009-10-18T23:18:00.002-02:00</published><updated>2011-09-10T01:46:25.825-03:00</updated><title type='text'>[Give'em what they want]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Achei Skittles em uma lojinha perdida na galeria.&lt;br /&gt;Era caro, mas comprei um pacote.&lt;br /&gt;Abri e despejei sobre a cama.&lt;br /&gt;Agrupei por cores e comi de dois em dois, na ordem.&lt;br /&gt;Laranja, amarelo, roxo, vermelho e verde.&lt;br /&gt;Tem coisas que, apesar de infantis, não consigo deixar de fazer:&lt;br /&gt;exagero no que gosto e finjo esquecer o que incomoda;&lt;br /&gt;paro diante de janelas e jardins;&lt;br /&gt;imagino cenas de filmes que não existem;&lt;br /&gt;e me encanto com meninas que riem com os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/jORFcH5uAjM" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-4962421718606149204?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/4962421718606149204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=4962421718606149204&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4962421718606149204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4962421718606149204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/10/candy-candy.html' title='[Give&apos;em what they want]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/jORFcH5uAjM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6167807128500000669</id><published>2009-09-25T01:11:00.003-03:00</published><updated>2011-09-10T01:47:47.697-03:00</updated><title type='text'>[Sheets of empty canvas]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela diz que sabe como eu escrevo.&lt;br /&gt;E que é capaz de distinguir as histórias que eu quero contar das que eu preciso contar.&lt;br /&gt;Mas desconhece as vontades natimortas que são cremadas e têm as cinzas espalhadas sobre o mar em cerimônias privadas.&lt;br /&gt;E ignora o fato de que, às vezes, não é por estilo que eu visto preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/RAszG9dr3k0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6167807128500000669?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6167807128500000669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6167807128500000669&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6167807128500000669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6167807128500000669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/09/sheets-of-empty-canvas.html' title='[Sheets of empty canvas]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/RAszG9dr3k0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6817747699057863391</id><published>2009-09-22T23:11:00.012-03:00</published><updated>2011-09-10T01:49:10.649-03:00</updated><title type='text'>[Beneath the Matala moon]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A surpresa em seu rosto provavelmente o traiu, pois a garota cutucou-o com o cotovelo, triunfante:&lt;br /&gt;— Viu, eu não disse?&lt;br /&gt;A pintura de uma sereia na parede branca já meio descascada batizava o lugar. Não queria admitir, mas, de fato, não tinha botado muita fé quando ela contou que naquela pequena vila de pescadores havia mesmo um Mermaid Cafe, tal qual na música da Joni Mitchell. Estar diante de um bar que ele jamais havia imaginado existir, na companhia de uma completa estranha, era a conclusão mais adequada para um dia como aquele.&lt;br /&gt;Não era do tipo de pessoa que acreditava em destino ou forças sobrenaturais, mas sentiu-se inexplicavelmente atraído pela imagem no cartão postal que viu de relance na recepção do hotel. De tão azul, o mar parecia artificial, como se alguém, numa tentativa de criar um cenário paradisíaco perfeito, houvesse carregado demais na tinta. No final da enseada, um enorme rochedo, ao longo do qual havia dezenas de pequenas cavernas que lhe conferiam a aparência de um gigantesco formigueiro de pedra.&lt;br /&gt;O rapaz atrás do balcão informou que era preciso pegar a balsa para Creta para chegar lá, deu-lhe um folheto com um mapa simplificado e explicou o caminho até o porto. Apesar de parecer fácil, decidiu pegar um táxi. Pagou o motorista e acabou deixando o troco, pois notou uma movimentação que parecia indicar que uma balsa estava prestes a sair. Estava certo. Resmungou um palavrão ao perceber que o preço da passagem era quase o equivalente à gorjeta forçada dada ao taxista. Esqueceu de tudo isso ao virar para trás e se deparar com aquela visão de Atenas. Olhou ao redor e notou o contraste entre os turistas falantes e os moradores locais absortos e quase alheios. Sacou da bolsa o caderno de rascunhos.&lt;br /&gt;Perguntou a um sujeito mal-humorado como chegar até o vilarejo. Dessa vez, sentiu-se inclinado a seguir as instruções e pegar o ônibus. Um senhor tentou puxar conversa. Constrangido, ergueu os ombros e tentou explicar, por meio de gestos, que não falava grego. O velhote pareceu não se importar e continuou falando. Sentiu um certo alívio quando finalmente desceu. Tanto que demorou alguns minutos até se dar conta de que estava diante da praia que tinha visto no postal. Sorriu, tirou os sapatos e pôs-se a andar pela orla.&lt;br /&gt;A trilha que conduzia às cavernas era feita de areia e pequenas pedras que machucavam. Decidiu dar uma folga aos pés, descansando-os sobre a superfície lisa duma rocha. Péssima ideia: exposta ao sol durante a manhã inteira, a pedra parecia estar em brasa. Ficou dando pulos, alternando as pernas, segurando os sapatos com uma mão e alisando as solas dos pés com a outra, enquanto soltava grunhidos que misturavam dor e irritação.&lt;br /&gt;Nesse momento, ouviu alguém rindo alto atrás de si. Virou-se furioso, pronto para arrumar confusão, mas viu-se desarmado diante da garota perturbadoramente bonita parada diante de uma das cavernas. A pele quase da cor da areia, os olhos como o mar, sabotados pelo sorriso jocoso estampado no rosto.&lt;br /&gt;Por um instante, esqueceu-se de pular e ficou parado numa posição um tanto cômica, curvado, equilibrando-se em apenas uma das pernas. A garota disse algo em um idioma que não conseguiu identificar, mas adivinhou o deboche pelo tom de voz dela. Tentou ficar ereto e disse, um pouco sem-graça, mas ao mesmo tempo ofendido pela gozação:&lt;br /&gt;— Olha, sinto muito, mas eu não entendo uma palavra do que você tá dizendo.&lt;br /&gt;— Ah, desculpe!&lt;br /&gt;A garota o mediu de cima a baixo e balançou a cabeça lentamente, como se enxergasse algo que explicava toda a situação. Prosseguiu, em um inglês carregado de sotaque:&lt;br /&gt;— Aquela dança que você estava fazendo parecia muito... Divertida.&lt;br /&gt;Não respondeu, apenas ergueu uma das sobrancelhas. A garota estendeu-lhe a mão e se apresentou. Com alguma relutância, aceitou o cumprimento.&lt;br /&gt;— Prazer em conhecê-lo, senhor bailarino.&lt;br /&gt;Ela riu novamente, jogando a cabeça para trás. Teve vontade de mandá-la à merda. Mas, por uma razão tão inexplicável quanto o fato de ter seguido uma imagem em um cartão postal, sentiu-se inclinado a aceitar o convite da garota para um passeio pelo vilarejo.&lt;br /&gt;Agora, do mesmo modo, apesar da mesura propositadamente exagerada com que ela o convidava para entrar no bar, alguma coisa acabou fazendo-o resistir ao impulso inicial de virar-lhe as costas. Sentaram-se em uma das mesas na área descoberta. O garçom entregou os cardápios. Diante de sua aparente indecisão, a garota perguntou:&lt;br /&gt;— Posso fazer uma sugestão?&lt;br /&gt;— Por que não?&lt;br /&gt;Com desenvoltura, ela trocou algumas palavras com o garçom, que se retirou.&lt;br /&gt;— O que você pediu?&lt;br /&gt;— Uma bebida grega. Uma espécie de vinho misturado com conhaque.&lt;br /&gt;Pensou em perguntar se era forte, mas conteve-se, prevendo mais zombaria.&lt;br /&gt;— Você, pelo jeito, conhece tudo por aqui.&lt;br /&gt;— Amo este lugar, volto aqui todos os anos.&lt;br /&gt;— O bar ou a ilha?&lt;br /&gt;— Ambos. E você, primeira vez?&lt;br /&gt;— Sim.&lt;br /&gt;— O que te trouxe a este vilarejo?&lt;br /&gt;— Vi no hotel um postal com a foto daquelas cavernas e... Bom, fiquei curioso.&lt;br /&gt;Novamente, guardou para si o que realmente pensou. A garota retrucou:&lt;br /&gt;— Não são exatamente cavernas. São câmaras mortuárias da época do Império Romano.&lt;br /&gt;— Sério?&lt;br /&gt;— É sim. Vai ver que é isso...&lt;br /&gt;— O que?&lt;br /&gt;— Você viu a foto no postal e ficou com vontade de vir. Eu, mesmo já conhecendo tudo de cabo a rabo, volto todo ano. Este lugar exerce algum tipo de... Atração.&lt;br /&gt;Sentiu um arrepio. Talvez fosse a brisa noturna. Ou o fato de a garota ter chegado à mesma conclusão. Fingiu fazer pouco caso:&lt;br /&gt;— E você acha que são os espíritos dos tempos de César?&lt;br /&gt;— Sei lá. Ou então são os deuses. Quando Zeus raptou Europa disfarçado de touro, trouxe-a para cá, para essa praia.&lt;br /&gt;— E o que ele fez com ela?&lt;br /&gt;— O que você acha?&lt;br /&gt;O garçom chegou com a bebida. Era uma garrafa peculiar, em formato que lembrava uma ânfora, e preenchida por um líquido de coloração acobreada que foi servido em taças de brandy. Estava ainda entretido com o aroma quando a garota ergueu sua taça:&lt;br /&gt;— Um brinde.&lt;br /&gt;— A quê?&lt;br /&gt;— À Grécia, aos deuses...&lt;br /&gt;Beberam.&lt;br /&gt;— E ao sexo na praia.&lt;br /&gt;Engasgou, em parte porque o drinque era um pouco forte. Esperou outro riso de escárnio. Mas quando fitou a garota, ela apenas sorria -- e havia tudo naquele sorriso, menos pilhéria. Não foi bem isso o que lhe pareceu um bom presságio. Foi o fato de que, só naquele momento percebeu, ela usava brincos de prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/jO4WXTIZ7Uw" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6817747699057863391?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6817747699057863391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6817747699057863391&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6817747699057863391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6817747699057863391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/09/beneath-matala-moon.html' title='[Beneath the Matala moon]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/jO4WXTIZ7Uw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5151336664261811984</id><published>2009-08-29T23:26:00.001-03:00</published><updated>2011-09-10T01:50:03.848-03:00</updated><title type='text'>[Mr. Sandman]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teve a impressão de ouvir uma voz chamando-o, mas não pôde enxergar coisa alguma. Parecia que os olhos estavam cobertos de areia e, por mais que esfregasse, não conseguia limpá-los. Era algo recorrente em seus sonhos: perder a visão ou a fala, quando não ambos. De repente, passou-lhe pela cabeça que era a primeira vez que sonhava em muito tempo. Ou, pelo menos, que se lembrava.&lt;br /&gt;As noites haviam se tornando grandes apagões -- encostava a cabeça no travesseiro e a próxima coisa de que se dava conta era a campainha estridente do despertador na manhã seguinte. Sentava-se na cama, o corpo milagrosamente recuperado, mas no cérebro uma espécie de desconforto que o perseguia ao longo do dia e, à noite, somava-se ao cansaço físico, resultado das atividades maçantes na loja, e o deixava esgotado. Nas raras ocasiões em que encontrava disposição para se sentar em frente ao computador quando chegava em casa, não vinha nada. A fonte havia secado. Vez ou outra, tentava se concentrar durante cinco minutos na tevê ligada no quarto, esperando que alguma cena de filme pudesse inspirá-lo, mas o máximo que conseguia era constatar que a versão dublada do Russel Crowe era ainda mais irritante que a original; pouco depois, acabava surpreendido pela campainha estridente do despertador na manhã seguinte.&lt;br /&gt;A rotina de bebedeiras e incertezas e os trocados contados no bolso costumavam lhe dar mais do que ressacas monstruosas, dores no estômago e quilos a menos. Davam-lhe razões para escrever incessantemente e fazer grandes planos de viver disso. Se largasse a loja, talvez conseguisse recuperar a antiga forma. Ou talvez não -- naqueles dias, não tinha nada a perder. Agora, havia a casa e o embrião de família. E as noites sem sonhos. A voz chamou-o novamente, desta vez chacoalhando seu corpo.&lt;br /&gt;— Amor! Acorda!&lt;br /&gt;Descobriu que não estava sonhando. A garota insistiu e o cutucou firmemente com o cotovelo.&lt;br /&gt;— Acorda!&lt;br /&gt;Resmungou qualquer coisa.&lt;br /&gt;— Psiu! Escuta!&lt;br /&gt;Ruídos no quintal. Depois de morar a vida toda em apartamentos, a garota estava tendo problemas em se adaptar ao sobrado. Revirou-se na cama e disse que era provavelmente um gato ou o vento.&lt;br /&gt;— Será? E se for alguém tentando entrar aqui?&lt;br /&gt;Suspirou. Levantou-se e calçou os chinelos.&lt;br /&gt;— Você vai lá ver? Não é perigoso?&lt;br /&gt;Pegou o guarda-chuva pendurado no mancebo e movimentou-o como se fosse um bastão de beisebol. Por mais ridiculamente ineficaz que o objeto fosse diante de um assaltante armado, a garota pareceu satisfeita com a providência pois não disse mais nada. Enquanto descia a escada, sorriu sem perceber. Pensou que, se os grandes planos tinham ficado para trás, os grandes medos também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/9xMCNmUaGko" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5151336664261811984?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5151336664261811984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5151336664261811984&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5151336664261811984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5151336664261811984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/08/mr-sandman.html' title='[Mr. Sandman]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/9xMCNmUaGko/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5152508954612409080</id><published>2009-07-30T02:17:00.017-03:00</published><updated>2011-09-10T01:50:57.053-03:00</updated><title type='text'>[The movement you need is on your shoulder]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evan Rachel Wood domina a tela toda com seus olhos azuis, tão linda que até dói. A garota parece ler meus pensamentos e pergunta, indignada:&lt;br /&gt;— Como é que uma menina dessas foi namorar aquele monstrengo do Marylin Manson?&lt;br /&gt;Na tevê, a atriz parece ainda mais etérea enquanto canta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;because the world is round&lt;/span&gt; e nós rimos de como isso soa como uma resposta ao comentário. A garota sopra e observa a fumaça do cigarro subindo.&lt;br /&gt;— A Rolling Stone fez uma daquelas listas com o que ela chamou de "os imortais", os cem maiores artistas de todos os tempos. O legal é que cada "imortal" era apresentado num texto assinado por outro artista famoso. Nem precisa dizer que os Beatles tavam no topo -- e quem escreveu sobre eles foi o Costello.&lt;br /&gt;Digo "caralho" e entorno um gole.&lt;br /&gt;— Bem a cara dele, o texto. Falava sobre como ele tava na idade certa quando escutou pela primeira vez a banda. Também opinava sobre o talento dos quatro como compositores, instrumentistas e artistas. No final, ele contava sobre um show do qual participou junto com o Paul, um tributo à Linda, se não me engano. A música seguinte era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;All My Loving&lt;/span&gt; e o Costello se ofereceu pra fazer a segunda voz na segunda parte; o Paul respondeu algo do tipo "yeah, give it a try". Daí o Costello escreveu: "eu tive só trinta e cinco anos pra aprender aquela parte".&lt;br /&gt;Sorrimos e ficamos numa espécie de silêncio reverente, preenchido por mais um trago, mais um gole. Ela suspira, daquele jeito que geralmente antecede uma confidência.&lt;br /&gt;— Teve uma vez que... Foi uns meses antes da depressão. Eu tava quase chegando na faculdade e o rádio no boteco da esquina tava tocando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Help!&lt;/span&gt;, bem naquela segunda estrofe, sabe? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;And now my life has changed in oh so many ways. My independence seems to vanish in the haze. But every now and then I feel so insecure. I know that I just need you like I've never done before&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Encaro-a, esperando que me olhe, mas a garota apenas fita o nada.&lt;br /&gt;— Daí eu sentei numa das mesinhas do boteco. E tive que me segurar pra não chorar.&lt;br /&gt;Ela esboça um sorriso triste.&lt;br /&gt;— No geral, eu prefiro as letras do Dylan, do Cohen ou mesmo do Costello. Mas os Beatles... Eles têm esses versos que são que nem... Marretadas, sabe? E eles te acertam quando você menos espera. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;It's getting hard to be someone but it all works out&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;And in the end the love you take is equal to the love you make&lt;/span&gt;. Sei lá. Cada época da minha vida tem um diferente.&lt;br /&gt;Minha vez de sorrir; sei exatamente ao que ela se refere. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The long and winding road that leads to your door will never disappear&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Puta viagem de fã, né?&lt;br /&gt;Balanço a cabeça negativamente e digo que não é viagem não; que é justamente por isso que chamamos Dylan, Cohen e Costello pelo segundo nome e John, Paul, George e Ringo pelo primeiro. A garota me olha como quem enfim se dá conta de algo que estava bem debaixo do seu nariz. E sorri.&lt;br /&gt;— É. É mesmo.&lt;br /&gt;O cigarro queima quase no filtro, mas ela continua segurando-o. Pergunto qual é a "marretada" da vez. Ela abre a boca, mas hesita por um instante. Depois dá de ombros.&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ob-la-di, ob-la-da, life goes on&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/GEKgYKpEJ3o" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5152508954612409080?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5152508954612409080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5152508954612409080&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5152508954612409080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5152508954612409080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/07/movement-you-need-is-on-your-shoulder.html' title='[The movement you need is on your shoulder]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/GEKgYKpEJ3o/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5461713523969398114</id><published>2009-07-24T01:35:00.006-03:00</published><updated>2011-09-10T01:53:15.722-03:00</updated><title type='text'>[Grapefruit moon]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os velhos sapatos ainda servem.&lt;br /&gt;Mas já não obedecem -- querem seguir pelos mesmos caminhos de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é grande coisa o que faço, realmente. Apanho, lustro e ordeno as palavras, tal qual o seu amigo que guarda LPs que não pertencem a ele, só porque é bonito vê-los ali, dispostos na estante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da próxima vez que me pegar distraído, não precisa nem perguntar: estou imaginando um jeito de segurar sua mão sem parecer sentimental demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Everytime I hear that melody&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Something breaks inside&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;(Tom Waits)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/qc8nwdkzn_8" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5461713523969398114?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5461713523969398114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5461713523969398114&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5461713523969398114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5461713523969398114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/07/grapefruit-moon.html' title='[Grapefruit moon]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/qc8nwdkzn_8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8544242936990773368</id><published>2009-07-09T03:26:00.003-03:00</published><updated>2011-09-10T01:54:44.635-03:00</updated><title type='text'>[I tried to laugh about it]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onze anos. O menino está abraçado ao portão da garagem enquanto os outros se divertem na festa. Alguém lhe disse que a menina por quem tem uma queda está chegando. Ele sabe que foi apenas uma artimanha para tentar fazê-lo perder a brincadeira de quem consegue ficar encarando por mais tempo. Mesmo assim, continua lá no portão, sem saber direito por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/9GkVhgIeGJQ" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8544242936990773368?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8544242936990773368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8544242936990773368&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8544242936990773368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8544242936990773368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/07/boys-dont-cry.html' title='[I tried to laugh about it]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/9GkVhgIeGJQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8107698076074887072</id><published>2009-07-08T02:55:00.009-03:00</published><updated>2011-09-10T01:55:59.623-03:00</updated><title type='text'>[After hours]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— A humanidade se divide entre os que dançam e os que não dançam.&lt;br /&gt;— Do que cê tá falando?&lt;br /&gt;— Da humanidade, ué.&lt;br /&gt;— Você... Sempre julgando, né?&lt;br /&gt;— Quem falou que eu tô julgando? Tô só observando a existência duma possibilidade de categorização. Se eu dissesse que a humanidade se divide entre fãs de Star Wars e de Star Trek, entre quem ama Lost e quem caga um quilo, você responderia que eu tô julgando?&lt;br /&gt;— Hum, sei. Aposto que você tem alguma coisa contra quem dança.&lt;br /&gt;— Não falei nada.&lt;br /&gt;— Mas vai falar.&lt;br /&gt;— Bom, já que você mencionou... Eu não poria minha mão no fogo por alguém que dança.&lt;br /&gt;— Tá vendo?&lt;br /&gt;— E, definitivamente, eu não confiaria em alguém que sai pra dançar.&lt;br /&gt;— Ah, e isso não é julgar? Qual a diferença entre sair pra dançar e... Sei lá, sair pra beber?&lt;br /&gt;— Muitas, mas já que você quer comparar, vamos lá: de dez pessoas que saem pra beber, garanto que tem pelo menos três ou quatro que bebem na solidão de seus lares. E das que saem pra dançar? Taí: eu confiaria em alguém que dança sozinho, em casa.&lt;br /&gt;— Eu não entendo o que isso tem a ver. Não tem graça beber sozinho. E muito menos dançar.&lt;br /&gt;— Se você gosta mesmo de fazer uma coisa ou outra, não devia importar o fato de ter companhia ou não.&lt;br /&gt;— E de sexo, você gosta?&lt;br /&gt;— Hã?&lt;br /&gt;— Dá pra fazer sexo sozinho. Mas não é muito melhor com alguém?&lt;br /&gt;— De novo, você tá comparando coisas diferentes.&lt;br /&gt;— Foi você quem começou com as generalizações.&lt;br /&gt;O garçom chega com a conta.&lt;br /&gt;— Até que você não bebeu tanto quanto eu pensava.&lt;br /&gt;— Por que? Eles esqueceram de marcar algum coisa?&lt;br /&gt;— Não, não é isso. É que você falou "generalizações" sem tropeçar.&lt;br /&gt;— Seu tonto.&lt;br /&gt;Fazemos os cálculos e entregamos o dinheiro.&lt;br /&gt;— Ah, você sempre diz que tocar é que nem experimentar a música dum jeito físico. Quem não sabe tocar nenhum instrumento usa a dança pra experimentar a música desse jeito. Rá.&lt;br /&gt;— Hum. E você, sempre querendo usar o que eu digo contra mim.&lt;br /&gt;— Não tenho culpa se você me dá argumentos de bandeja.&lt;br /&gt;— Sua tonta.&lt;br /&gt;O garçom traz o troco. Confiro-o repetidas vezes, esperando que você pergunte se vamos tomar a saideira em algum outro lugar. Ou se vamos dançar na sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;As always at this hour&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Time means nothing&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;One final, final round&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;'Cause time means nothing&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Say that you'll stay&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;We're all right where we're supposed to be&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Time means nothing&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;(We Are Scientists)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/6XXfqPRG4TQ" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8107698076074887072?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8107698076074887072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8107698076074887072&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8107698076074887072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8107698076074887072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/07/after-hours.html' title='[After hours]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/6XXfqPRG4TQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7672535271707494973</id><published>2009-06-19T00:58:00.004-03:00</published><updated>2011-09-10T01:57:20.398-03:00</updated><title type='text'>[My heart is drenched in wine]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se morássemos em outro lugar, poderíamos abrir o portão de madeira e deixar o disco da Norah Jones tocando bem alto. Nos divertiríamos cumprimentando qualquer um que passasse na estradinha e riríamos dos olhares de soslaio dirigidos às tatuagens. Teríamos conta na mercearia e você roubaria uma bala do baleiro enquanto eu tentaria me entender com o homem detrás do balcão de fórmica. Esquentaríamos água em um balde sobre o fogão quando a resistência do chuveiro queimasse. Ficaríamos calados, cada qual entretido com sua leitura, até que eu beliscasse o seu pé.&lt;br /&gt;Mas então você não se encantaria com ângulos inusitados da cidade sob a neblina; eu não caminharia à noite, inventando histórias até a hora do último trem.&lt;br /&gt;E nós não acharíamos nosso tannat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você sorri, eu não me sinto um completo fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/tO4dxvguQDk" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7672535271707494973?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7672535271707494973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7672535271707494973&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7672535271707494973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7672535271707494973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/06/my-heart-is-drenched-in-wine.html' title='[My heart is drenched in wine]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/tO4dxvguQDk/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5432452109787435618</id><published>2009-05-24T17:53:00.009-03:00</published><updated>2009-05-26T00:51:34.353-03:00</updated><title type='text'>[17]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Tem dinheiro?&lt;br /&gt;— Tenho.&lt;br /&gt;— Tem certeza que não quer que te busque?&lt;br /&gt;— Tenho.&lt;br /&gt;— E a gente tem o telefone da mãe do Ronaldo na agenda?&lt;br /&gt;— Tem.&lt;br /&gt;— Qualquer coisa, me liga, hein?&lt;br /&gt;— Tchau, mãe.&lt;br /&gt;— Tchau, filho! Boa festa!&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;Acenou uma despedida sem entusiasmo, enquanto o carro se afastava com duas buzinadas escandalosas. As mães definitivamente não sabem manter a discrição. E parecem se sentir pessoalmente ofendidas diante de um pedido para que parem um quarteirão antes do local de destino. Guardou os óculos no bolso do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;smoking&lt;/span&gt; e caprichou na expressão calma e despreocupada ao entrar no salão. Apertou os olhos numa tentativa de encontrar alguém conhecido. Dois vultos acenaram. Roni e o Chileno.&lt;br /&gt;— Fala.&lt;br /&gt;— Beleza.&lt;br /&gt;— E aí?&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Buenas&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Ficaram os três em silêncio, observando as pessoas ao redor. Garotas. A maioria era apenas um ano e meio ou dois mais nova, mas eles se sentiam muito mais velhos e experientes. Pegaram copos de cerveja para ter o que fazer com as mãos e ensaiaram um ar blasé. A encenação foi interrompida por um anúncio.&lt;br /&gt;— Até mais, suas bichas. Minha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chica&lt;/span&gt; chegou.&lt;br /&gt;O Chileno se afastou, gingando o corpo como se fosse o Snoop Dogg. Sua aparência só não era mais estranha que o seu senso de humor bizarro, que às vezes nem eles entendiam. Riram e balançaram a cabeça.&lt;br /&gt;— Sinto pena do par desse moleque.&lt;br /&gt;— Pode crer.&lt;br /&gt;Pegaram mais um copo cada.&lt;br /&gt;— E aí, resolveu o que vai fazer?&lt;br /&gt;— Medicina.&lt;br /&gt;— Porra. E desde quando você se liga nisso?&lt;br /&gt;— Meu primo falou que dá grana. Sabe quanto ganha um cardiologista foda?&lt;br /&gt;— Meu tio é cardiologista.&lt;br /&gt;— Seu tio que voltou de Nova York?&lt;br /&gt;— É.&lt;br /&gt;Roni ergueu as sobrancelhas e os ombros, como se não precisasse dizer mais nada depois daquela informação. A atenção de ambos se voltou para a movimentação perto de uma das portas de entrada.&lt;br /&gt;— Caralho. Acho que já tão formando a fila. Viu seu par?&lt;br /&gt;— Nada.&lt;br /&gt;— Vamos colar lá.&lt;br /&gt;Todas as meninas usavam vestidos lilás, combinando com as faixas na cintura dos garotos. Alguns estavam descontraídos; outros pareciam duros e desconfortáveis enquanto elas fofocavam sobre o cabelo ou a maquiagem de fulana.&lt;br /&gt;Virou-se para comentar algo com Roni, mas este já tinha ficado pelo caminho e agora conversava com a ruivinha de aparelho com quem iria dançar. Suspirou e olhou ao redor, meio perdido. Apertou os olhos novamente e encontrou uma loira de cabelos lisos e ar impaciente ao lado de uma coluna. Caminhou timidamente até lá.&lt;br /&gt;— Desculpa a demora. Vamos?&lt;br /&gt;Ofereceu o braço. E então percebeu o engano. Não era seu par. Era a menina do primeiro ano que eles costumavam chamar de Avril, em referência à óbvia semelhança física. Ela franziu o cenho.&lt;br /&gt;— Hã... Oi?&lt;br /&gt;Improvisou algo para tentar driblar o vexame.&lt;br /&gt;— Oi. Seu par ainda não chegou e nem o meu. Vamos?&lt;br /&gt;— Eu... Acho melhor esperar o...&lt;br /&gt;— Se o cara te fez esperar até agora, na boa, ele pode esperar você terminar a dança.&lt;br /&gt;Não sabia de onde tinha tirado aquilo. Mas, para sua surpresa, Avril sorriu.&lt;br /&gt;— Quer saber? Você tem razão.&lt;br /&gt;Ofereceu novamente o braço, que desta vez foi aceito. Juntaram-se à fila. Investigou em volta, imaginando se algum dos seus amigos estava testemunhando o momento de glória. Avril, por sua vez, parecia ignorar as pessoas ao redor, provavelmente acostumada com o fato de ser alvo de muitos olhares. Ela tinha um cheiro meio adocidado, parecido com o de alguma fruta. Não conseguia reconhecer qual.&lt;br /&gt;— Não lembro de ter visto você na escola.&lt;br /&gt;Estufou o peito.&lt;br /&gt;— Tô no terceiro ano.&lt;br /&gt;— Ah.&lt;br /&gt;Aparentemente, Avril esperava que ele dissesse mais alguma coisa. Mas não era muito bom naquilo.&lt;br /&gt;— Olha, depois da dança a gente podia... Sei lá. Tomar uma cerveja.&lt;br /&gt;— Eu não bebo cerveja.&lt;br /&gt;Estufou o peito novamente, desta vez para tentar disfarçar a barriga.&lt;br /&gt;— Ah, é? Bom, eu prefiro mesmo alguma coisa mais forte.&lt;br /&gt;— Eu só gosto de coquetel de frutas.&lt;br /&gt;— Hã... Parece que o daqui tá bom, né?&lt;br /&gt;Sua tentativa de estender o diálogo foi interrompida pela aparição afobada de Roni.&lt;br /&gt;— Oi, dá licença? Seu par tá lá na frente, te procurando.&lt;br /&gt;Sua vontade era de esganar o amigo. Dirigiu um sorriso amarelo a Avril.&lt;br /&gt;— Er, eu, hã... Acho melhor...&lt;br /&gt;Ela sorriu.&lt;br /&gt;— Vai lá.&lt;br /&gt;Foram caminhando. Roni olhou furtivamente para trás.&lt;br /&gt;— Caraca, cê viu os peitinhos dela?&lt;br /&gt;Deu uma cotovelada que por pouco não acertou em cheio o estômado do amigo.&lt;br /&gt;— Porra, cinco minutos falando com a mina e você já fica assim, todo ciumentinho?&lt;br /&gt;Ergueu o dedo médio e deixou Roni falando sozinho. Foi em direção ao seu par.&lt;br /&gt;— Ah, oi, até que enfim. Tava quase pegando um vaso de plantas pra entrar comigo.&lt;br /&gt;Pensou em erguer novamente o dedo, mas foi desarmado pelo sorriso da garota. Chamava-se Renata. Segundo ano. Estava longe de ser bonita como sua companhia anterior. Mas também não era feia.&lt;br /&gt;— Foi mal. É que eu tava... Hã...&lt;br /&gt;Só então se deu conta de que não havia perguntado qual era o nome da Avril e nem dito o seu a ela.&lt;br /&gt;— Eu vi você falando com aquela menina do primeiro ano. Érica, né? Ela não é muito novinha pra você?&lt;br /&gt;Abriu a boca para protestar, mas não soube o que dizer.&lt;br /&gt;— Tudo bem, eu não tenho nada a ver com isso. E acho que os homens gostam mesmo desses bibelôs, né? Bom, pelo menos é o que eu vejo pelo meu irmão. E pelo meu pai. Ele trocou minha mãe por uma vaca com idade pra ser... Sei lá, uma madrasta muito nova. Mas olha eu aqui falando e você nem me perguntou nada, né? Desculpa, mas é que eu tô meio nervosa com essa história de valsa. E quando eu fico nervosa, começo a tagarelar.&lt;br /&gt;Descobriu que também estava um pouco apreensivo.&lt;br /&gt;— Tudo bem, pode tagarelar.&lt;br /&gt;— Posso, é? Puxa, obrigada. Ai, desculpa, é brincadeira. Minha mãe vive falando pra eu tomar cuidado com o jeito que eu falo. Ela diz que parece que eu tô tripudiando das pessoas. Mas é só o meu jeito. Ai, caralho. Cala boca. Menina chata, hein?&lt;br /&gt;Riu do jeito amalucado dela.&lt;br /&gt;— Putz, começou a andar. Fudeu, é agora.&lt;br /&gt;Sentiu a mão de Renata, envolta na luva liás, apertando a sua. Olhou para ela, que fez uma careta como se estivesse com dor de barriga. Riu e balançou a cabeça. Dirigiram-se para a pista. Um sujeito filmava cada casal que passava. As imagens eram transmitidas num telão. A primeira dança foi da debutante. Os meninos e meninas foram convocados para a segunda. Renata tinha cheiro de xampu. Os outros convidados da festa se juntaram a eles na terceira e última. Quando terminou, todos bateram palmas. A garota suspirou.&lt;br /&gt;— Ufa. Até que não foi tão difícil assim.&lt;br /&gt;— É. Até que não.&lt;br /&gt;— Hum, e aí?&lt;br /&gt;— Olha, eu... Bom, vou ali pegar uma bebida, tá?&lt;br /&gt;— Tá bom.&lt;br /&gt;Renata lhe deu um sorriso. Devolveu-lhe outro e virou as costas. Pegou um coquetel de frutas com um garçom que passava e deu uma volta por todo o salão. Depois de alguns minutos, finalmente avistou Avril. Estava na pista, dançando com um repetente do terceiro ano. Voltou para perto de onde estava. Viu Roni sentado na escada. No caminho, teve a impressão de cruzar com Renata, com um copo de cerveja na mão, rindo e conversando com... Não. Não podia ser. Passou direto. Sentou-se ao lado de Roni.&lt;br /&gt;— Coquetel de frutas? Mas que puta bichice, hein?&lt;br /&gt;— Vai se foder.&lt;br /&gt;— Ui. Mudando de assunto, cê viu com quem o Chileno tá conversando?&lt;br /&gt;— Não.&lt;br /&gt;— Porra, mas cê acabou de passar ali, do lado deles!&lt;br /&gt;— Não vi.&lt;br /&gt;— Caralho. Acho que tá na hora de você arrumar umas lentes de contato.&lt;br /&gt;— Vai se foder.&lt;br /&gt;Experimentou um gole do coquetel.&lt;br /&gt;— Que bebida de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5432452109787435618?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5432452109787435618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5432452109787435618&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5432452109787435618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5432452109787435618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/05/17.html' title='[17]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-9131448591601174468</id><published>2009-05-12T03:18:00.003-03:00</published><updated>2009-05-12T13:16:41.585-03:00</updated><title type='text'>[Rejunte]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um tapume cerca o sobrado, que logo terá uma nova fachada ou dará lugar a um prédio.&lt;br /&gt;E então não restará vestígio para provar que realmente aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parede tem tanta gordura acumulada que os azulejos estão encardidos. O cheiro azedo da cerveja de outras noites derramada sobre as mesas de metal se mistura com o de fritura, suor e bitucas de cigarro. O trecho bonito de harmonia é prejudicado pelo som horrível do teclado e pela distorção nas caixas de som vagabundas. Concentro-me nos detalhes periféricos, tentando não olhar diretamente em seus olhos por tempo demais. Ainda assim, sinto um aperto no peito diante do jeito como ela move o pescoço e os ombros enquanto fala. Um quadro desbotado retrata uma praia que só pode ser grega de tão absurda. Estremeço, surpreendido por sua mão segurando a minha.&lt;br /&gt;— Ai, desculpa. Eu aqui, tagarelando, e nem perguntei como você tá.&lt;br /&gt;Não chego a mentir. Mas omito uma parte importante dos fatos.&lt;br /&gt;— Não, tudo bem. Tudo na mesma.&lt;br /&gt;Seus dedos envolvem a xícara de Irish coffee feito com o capuccino servido pelo garçom e o Jameson despejado clandestinamente da garrafa de alumínio na minha mala.&lt;br /&gt;— Quando eu era mais nova, sempre que chegava nessa época do ano, eu ficava deseperada pra arrumar algum namoradinho. O inverno é triste demais pra se ficar só.&lt;br /&gt;— Não é tão difícil assim. É que nem parar de fumar.&lt;br /&gt;— Ficar só?&lt;br /&gt;— É. Você acha que não vai conseguir, mas, em termos práticos, é mais fácil do que você imagina.&lt;br /&gt;— Mas você não sente falta?&lt;br /&gt;— Na maior parte do tempo, não. Mas tem aqueles momentos em que... Alguma coisa absolutamente trivial te lembra. Mas sei lá. Acho que é mais uma questão de hábito do que de necessidade física.&lt;br /&gt;— Hum.&lt;br /&gt;Nenhum de nós tenta esclarecer se estamos falando de nicotina. E deixamos por isso mesmo. A sirene escandalosa grita na rua, avisando que um veículo está sendo roubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de meses acordando dia após dia do mesmo jeito, concluo que nunca mais vou lembrar do que sonhei na noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-9131448591601174468?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/9131448591601174468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=9131448591601174468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/9131448591601174468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/9131448591601174468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/05/rejunte.html' title='[Rejunte]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7977493291871824987</id><published>2009-04-06T18:26:00.004-03:00</published><updated>2009-04-08T01:47:38.990-03:00</updated><title type='text'>[Melhoral]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordou com um sobressalto numa cama que não era sua. Murmurou um palavrão, maldizendo sua estupidez e a dor de cabeça que prenunciava uma ressaca monstruosa. Ficou quieta durante alguns instantes, atenta a qualquer ruído que lhe informasse onde estaria o dono daquela cama. Talvez no banheiro (que, imaginou, ficava detrás de uma das portas que havia no quarto). Nada. Quem sabe na cozinha, preparando o café da manhã. Riu do pensamento disparatado e se arrependeu quando a cabeça começou a latejar. Fechou os olhos e procurou ficar imóvel.&lt;br /&gt;Vasculhou suas lembranças da noite anterior, mas, ironicamente, a última cena da qual recordava com clareza era dela própria dizendo à amiga Clarisse que não iria beber -- pensou que isso era obra do seu cérebro tentando bancar o engraçadinho ou lhe ensinar uma lição. Havia a imagem nebulosa de si mesma conversando com um carinha, mas não conseguia atribuir um rosto àquela noção de pessoa. Tampouco se lembrava de ter aceito ir para a casa de um estranho ou do trajeto percorrido até ali. Podia até estar em outra cidade.&lt;br /&gt;Percebeu uma coisa estranha: à exceção dos pés, descalços, estava completamente vestida. Perguntou-se se, depois da trepada, teria tido alguma espécie de ataque de pudor tardio. Ou se o sujeito teria se dado ao trabalho de vesti-la, sabe-se lá por que motivo. A explicação mais simples era a de que ambos estavam bêbados demais e não havia acontecido coisa alguma. Tomou coragem e sentou-se. A cabeça ameaçou explodir.&lt;br /&gt;Procurando evitar movimentos bruscos, olhou ao redor. Sua bolsa estava sobre a cômoda. Checou o celular: funcionando, com sinal, sem mensagens ou chamadas perdidas. Sentiu-se meio tola, mas conferiu se o dinheiro e os documentos estavam na carteira. Estavam. Levantou-se e pisou em suas sandálias, que estavam diante da cama. Afastou a cortina e olhou pela janela. Descobriu que era um apartamento, mas, para seu azar, deparou-se com um prédio logo em frente, atrapalhando a visão. Nas laterais, havia terrenos de outros edifícios e casas e uma rua genérica. Nada que lhe parecesse familiar ou desse uma pista de onde estava.&lt;br /&gt;Dirigiu-se até uma das portas e, depois de hesitar um pouco, bateu de leve. Ninguém respondeu. Abriu-a lentamente. Era o banheiro. Sobre a pia, havia aparelho de barbear e uma lata de espuma; um copo onde respousavam escova de dente e tubo de pasta; desodorante, loção pós-barba e hidratante para o rosto. Parecia tudo limpo e arrumado, exceto por uma garrafa de Listerine sem tampa. Abriu o armarinho e, entre vidros de perfume, pacotes de algodão e caixas de cotonete e Band-aid, encontrou um tesouro: uma pequena farmácia, onde logo identificou a embalagem de analgésico. Pegou um comprimido e o engoliu a seco, sentindo a garganta arranhar um pouco.&lt;br /&gt;Ficou mais animada com a ideia de que ao menos a dor de cabeça dali a pouco daria uma trégua. Baixou as calças e sentou-se no vaso. Quando terminou, puxou a descarga, mas imediatamente se arrependeu. O barulho poderia alertar seu anfitrião de que havia acordado. Permaneceu calada, congelada numa posição meio ridícula: uma das mãos puxado a blusa para baixo, numa tentativa de se cobrir, e a outra no botão da descarga. Nenhum barulho. Recompôs-se e decidiu que era hora de se mandar.&lt;br /&gt;Voltou ao quarto, calçou as sandálias e apanhou a bolsa. Um pouco receosa, abriu a outra porta e saiu, pé ante pé. Viu-se em um corredor com paredes cheias de fotos em preto-e-branco de paisagens. Dava para uma sala ampla, decorada com sobriedade e algum estilo -- vasos de plantas, móveis modernos e um quadro minimalista e geométrico, querendo emular Mondrian. Assustou-se ao perceber que havia alguém no sofá. Era o dono do apartamento, dormindo.&lt;br /&gt;O sujeito parecia ter sua idade ou um pouco menos. Não era exatamente bonito, mas alguns de seus traços eram marcantes. Tinha os cabelos ligeiramente compridos, que ele talvez usasse meio desgrenhados (era assim, pelo menos, que ela imaginava que lhe cairiam melhor). Levantou as cobertas. Usava camiseta e samba-canção. Parecia magro e atlético. E tinha pernas bonitas. Cobriu-o. Definitivamente, fazia seu tipo. Agora entendia por que tinha topado vir até a casa dele.&lt;br /&gt;Tomou novo susto ao sentir o celular vibrando dentro da bolsa. Era Clarisse, provavelmente querendo saber se estava tudo bem. Não atendeu. Olhou para a porta: a chave estava na fechadura. Podia sair e descobrir como ir embora para casa. Ou podia ficar e descobrir por que aquele sujeito não quis tirar proveito de uma garota bêbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o beijava, sôfrega, e tentava puxá-lo para algum lugar. Entendeu que ela queria ser levada até a cama. Conduziu-a até seu quarto. Deteve-se por um instante, contemplando-a. Com os olhos semicerrados, a garota sorriu. Em seguida, franziu o cenho e, com a voz mole, balbuciou alguma coisa. Teve que pedir que ela repetisse. Era algo sobre "toalete". Apontou para a porta atrás dela. A garota fez sinal com a mão para que esperasse e entrou no banheiro.&lt;br /&gt;Sentou-se na cama. Deu um tapa na testa quando ouviu aqueles ruídos -- ela estava vomitando. Bateu de leve na porta e perguntou se estava tudo bem. "Um-hum", ela respondeu. Depois de alguns instantes, o som da descarga. Pelo menos, tinha sido no vaso. Ela novamente balbuciou alguma coisa. Novamente teve que pedir que ela repetisse. Era algo sobre "Listerine". "Pode usar, tá em cima da pia", respondeu. Barulho de tampa caindo, bochechos, pia sendo aberta e fechada. Mais alguns instantes e então a garota finalmente saiu. Ela sorriu e, trôpega, caminhou em sua direção. Abraçaram-se, beijaram-se e desabaram na cama.&lt;br /&gt;Foi sua vez de pedir um instante. Levantou-se e entrou no banheiro. Usou o vaso e puxou a descarga. Abriu o armarinho e, de dentro da pequena farmácia, pegou uma camisinha. Olhou-se no espelho. Lavou as mãos, jogou uma água no rosto e ajeitou o cabelo. Conferiu o hálito. Voltou para o quarto. Suspirou: a garota tinha apagado. Aproximou-se e ficou observando-a. Não era exatamente bonita, mas alguns de seus traços eram marcantes. Definitivamente, fazia seu tipo. Mas havia algo a mais nela que o fazia se sentir atraído e estranhamente à vontade em sua presença.&lt;br /&gt;Tirou-lhe as sandálias e colocou-as diante da cama. Sentiu-se tentado a tirar-lhe também as calças para ver suas pernas e o tipo de calcinha que usava. Em vez disso, apenas cobriu-a. Aproximou-se e beijou-lhe o rosto. Foi então que se deu conta. Era o perfume, vagamente familiar, que lhe transmitia algo parecido com a lembrança nostálgica de uma época feliz, porém indefinida. Inspirou novamente aquele cheiro, que se misturava com um odor de fumaça de cigarro. Pensou em deitar-se ali, com a garota, mas desistiu.&lt;br /&gt;Levantou-se, dirigiu-lhe um último olhar e saiu do quarto. Enquanto encostava a porta, murmurou um palavrão, maldizendo sua estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7977493291871824987?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7977493291871824987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7977493291871824987&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7977493291871824987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7977493291871824987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/04/melhoral.html' title='[Melhoral]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3721232617819731158</id><published>2009-04-02T03:34:00.003-03:00</published><updated>2009-04-02T23:40:55.328-03:00</updated><title type='text'>[Shot]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O clima abafado e o calor insuportável pedem alguma coisa refrescante, gelada. Em vez disso, tenho diante de mim o copinho com o líquido amarelado. Trago-o para perto do rosto e cheiro.&lt;br /&gt;— Dizem que a cor, o aroma e o sabor dependem da madeira de que é feito o tonel onde se armazena. As de Salinas costumam ficar em tonéis de carvalho ou de umburana.&lt;br /&gt;Viro a dose em duas goladas. O ar está tão seco que parece que o meu nariz vai começar a sangrar a qualquer momento. Faço uma careta.&lt;br /&gt;— Pra mim, lembra o gosto daquela água da conserva da azeitona.&lt;br /&gt;Ela se mexe, inquieta, na rede.&lt;br /&gt;— E desde quando você entende disso? Você nem bebe cachaça.&lt;br /&gt;Quero sentir raiva. Mas tudo me vem na hora errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3721232617819731158?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3721232617819731158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3721232617819731158&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3721232617819731158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3721232617819731158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/04/shot.html' title='[Shot]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-2601482808335300061</id><published>2009-03-17T03:13:00.005-03:00</published><updated>2011-09-10T02:39:35.376-03:00</updated><title type='text'>[That's how people grow up]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caminho que conduzia ao conjunto de sobrados passava por um matagal. Nos dias de chuva, era preciso segurar os chinelos e seguir com os pés descalços -- embora eu detestasse o contato com o chão molhado e a lama que se infiltrava entre os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota que me ensinou a beijar jogava bola, corria atrás de pipa e falava palavrão como um menino. E fazia chorar os meninos como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinham improvisado uma fogueira dentro dum latão, como os mendigos nos filmes americanos. O garrafão de vinho vagabundo passava pra lá e pra cá. Restava meio copo pra cada um. Acendi um cigarro só pra ter o que fazer com as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roçou sem querer o seio no meu braço e imediatamente recuou. Ao pereceber o meu desconcerto e os músculos retesados, aproximou-se novamente. Ela disse alguma coisa; eu apenas balancei a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus atravessava a cidade, por ruas até então inimagináveis. Pela janela, eu olhava o campo de futebol de terra batida, as placas enferrujadas, as torres condutoras de fios de alta tensão. Como se soubesse que iria querer guardar aquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram alguns centímetros que pareciam quilômetros. Ela já havia dito que não; mas, com a cabeça apoiada em meu ombro, tinha os lábios entreabertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acaso brincando de cineasta. Conforme a escada rolante subia, um céu negro ia lentamente aparecendo; a garoa parecia cair apenas no espaço iluminado pelo poste. Nos fones de ouvido, Paul McCartney cantava: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sleep, pretty darling, do not cry; and I will sing a lullaby&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não incomodavam as ladeiras, o rumor, o horizonte; apenas o "adeus" no céu da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era exatamente ali que o mar, em seu verde-azulado impossível, se encontrava com as águas barrentas do rio. As ondas de um se chocavam com a correnteza do outro. À mesa, transpirávamos eu e o copo de mojito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer habilidade com as palavras que eu porventura tenha desaparece justamente quando quero estender algumas linhas. Ou minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/vPij63mSH30" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2601482808335300061?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2601482808335300061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2601482808335300061&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2601482808335300061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2601482808335300061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/03/thats-how-people-grow-up.html' title='[That&apos;s how people grow up]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/vPij63mSH30/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-2226528207938650014</id><published>2009-03-10T01:26:00.002-03:00</published><updated>2011-09-10T02:43:33.878-03:00</updated><title type='text'>[A spot in the shade]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns minutos de silêncio se passam. Ela reclama; diz que ter um zilhão de gigabytes de música no mp3 player só serve pra aumentar a dúvida na hora de escolher o que ouvir. Retruco que é preciso ter sempre à mão o disco certo pra cada estado de espírito. Ela levanta os óculos escuros e se volta pra trás; pergunta qual é o meu no momento. Escolho, enfim, A Fine Frenzy. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Come on, come out, the weather is warm&lt;/span&gt;", canta a voz que sai das caixas de som. Ela sorri diante dos versos, aparentemente satisfeita com a resposta. Baixa os óculos e volta a se deitar no chão de cimento da garagem, fervendo com o sol. Prefiro sentar nos ladrilhos gelados da varanda. Semicerro os olhos, incomodado com tanta claridade. Quando a vista se acostuma, olho pr'aquele corpo que durante tanto tempo observei à distância. No fim das contas, estou só alguns passos mais perto. Enquanto ela balança preguiçosamente as pernas no ritmo e cantarola o refrão, eu penso que escolher a música é muito mais do que uma mera questão de estado de espírito ou trilha sonora adequada; é decidir como você irá se lembrar daquele momento. E me pergunto por que, ao invés de Van Morrison ou Mark Lanegan, optei por uma canção pop efêmera.&lt;br /&gt;Um vento fresco sopra. Olho pro céu e digo que é melhor recolher as coisas pois parece que vai chover logo mais. Sem esboçar intenção de sair dali, ela diz que deve ser só uma chuva de verão. "É", respondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/JY52MfkLWNQ" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2226528207938650014?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2226528207938650014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2226528207938650014&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2226528207938650014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2226528207938650014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/03/spot-in-shade.html' title='[A spot in the shade]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/JY52MfkLWNQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3111558058070219989</id><published>2009-02-20T02:17:00.005-03:00</published><updated>2009-07-09T03:36:23.924-03:00</updated><title type='text'>[How the hell did I get here so soon?]</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/5IaNaQHjIRE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/5IaNaQHjIRE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;How do you move in a world of fog&lt;br /&gt;that's always changing things?&lt;br /&gt;It makes me wish that I could be a dog...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3111558058070219989?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3111558058070219989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3111558058070219989&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3111558058070219989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3111558058070219989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/02/how-hell-did-i-get-here-so-soon.html' title='[How the hell did I get here so soon?]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6682703906201383655</id><published>2009-02-05T00:39:00.007-02:00</published><updated>2011-09-10T02:45:26.184-03:00</updated><title type='text'>[You make my heart skip a beat]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descubro que as coisas que ficam são justamente aquelas em que parece faltar um pedaço. Isso vale pra tudo: estórias, dias, paixões.&lt;br /&gt;Começa quando ela me pergunta se eu conheço o Langhorne Slim. Ou antes, quando trocamos sorrisos. Baixo o olhar, como sempre. Vai ver, é por isso que ela faz questão de adiantar que está saindo com algum carinha. E que tudo entre nós vai ser meio platônico. "Como se a gente estivesse num hotel em Tóquio", ela pisca.&lt;br /&gt;Conversamos assuntos verdadeiramente profundos, de importância capital.&lt;br /&gt;— Certeza que tem um pedaço das minhas costas que nunca tá limpo. Eu não consigo alcançar tudo.&lt;br /&gt;— Você pode arrumar uma bucha comprida. Daí você segura ela na vertical, pelas pontas, e esfrega as costas todas, que nem com a toalha.&lt;br /&gt;— Boa! Ou então posso arrumar alguém que faça isso pra mim.&lt;br /&gt;— Um-hum.&lt;br /&gt;Discutimos a respeito de quem é melhor: Wilco ou Son Volt. Concordamos que não é o Uncle Tupelo. Falamos sobre cerveja de menino, Stephen King, o hambúrguer do Seu Oswaldo, mousses impossíveis e o último filme que nos fez chorar. Ficamos alguns instantes em silêncio, cada um segurando seu copo, como só as pessoas íntimas fazem. Disfarçamos o riso quando o sujeito de regata se empolga com a música do C+C Music Factory.&lt;br /&gt;A festa acaba, mas ainda não queremos ir embora. Vamos até um supermercado 24 horas, em busca de uma garrafa de vinho tinto. Disputamos a conta no caixa (eu ganho). Decidimos seguir caminhando até a bebida acabar, até chegarmos a outro mercado ou até acharmos um boteco aberto -- o que vier primeiro. Somos surpreendidos por uma chuva que desaba sem aviso. Corremos até a pequena área coberta na frente de uma loja. Ela bate na testa e se pergunta como vamos abrir a garrafa. Franze o cenho quando tiro um saca-rolhas da mochila. Faço cara de "nem me pergunte".&lt;br /&gt;Ela quer saber se saca-rolhas ainda tem hífen. Diz que acha "joia" e "voo" um horror, mas que até que gosta de "tranquilo". Conto das minhas pretensões literárias e ela se mostra interessada.&lt;br /&gt;— Ah, coloca algum diálogo nosso numa das suas estórias!&lt;br /&gt;— Coloco sim. Aquele da bucha.&lt;br /&gt;— Putz, o da bucha?!&lt;br /&gt;Balanço a cabeça com firmeza, como quem diz um "sim" irredutível, e ela me dá um murro de leve no ombro. Rimos e nos encolhemos ainda mais por causa da chuva que aperta. Ela segura no meu braço. Baixo o olhar. Observo seus pés molhados, as unhas pintadas de vermelho contrastando com a pele branquinha. Quando olho seu rosto, vejo que ela me sorri. Guardo duas informações só pra mim. Uma delas é que tenho um guarda-chuva na mochila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/kvohcd4-eKk" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6682703906201383655?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6682703906201383655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6682703906201383655&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6682703906201383655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6682703906201383655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/02/you-make-my-heart-skip-beat.html' title='[You make my heart skip a beat]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/kvohcd4-eKk/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8908299575383772446</id><published>2009-01-08T02:07:00.003-02:00</published><updated>2009-01-08T13:54:16.626-02:00</updated><title type='text'>[Zihuatanejo]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até as pessoas parecem diferentes.&lt;br /&gt;Aos poucos, a cidade vai se afastando.&lt;br /&gt;Em seu lugar, ficam as fábricas abandonadas e os longos quarteirões.&lt;br /&gt;Fecho os olhos e o zunzunzum soa como uma língua estrangeira.&lt;br /&gt;Conforme o trem avança, o vagão vai esvaziando.&lt;br /&gt;Desço na plataforma com um inexplicável aperto no peito.&lt;br /&gt;Observo as ruas em que nunca estive antes.&lt;br /&gt;Páro no primeiro bar que encontro.&lt;br /&gt;Sento numa daquelas cadeiras de metal diante de uma mesa com propaganda de cerveja.&lt;br /&gt;Peço uma garrafa e um copo.&lt;br /&gt;Penso em sacar o livro da mochila.&lt;br /&gt;Mas minha cabeça já está cheia de estórias.&lt;br /&gt;Coloco os fones de ouvido.&lt;br /&gt;Escolho o disco do Jason Anderson.&lt;br /&gt;E finjo que estou esperando você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8908299575383772446?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8908299575383772446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8908299575383772446&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8908299575383772446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8908299575383772446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/01/zihuatanejo.html' title='[Zihuatanejo]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6118603145349038229</id><published>2009-01-02T14:17:00.002-02:00</published><updated>2009-01-02T14:21:48.331-02:00</updated><title type='text'>[The clanking of crystal]</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/L6m1n-7zhGc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/L6m1n-7zhGc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I have no resolution&lt;br /&gt;for self-assigned penance&lt;br /&gt;for problems with easy solution&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6118603145349038229?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6118603145349038229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6118603145349038229&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6118603145349038229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6118603145349038229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2009/01/clanking-of-crystal.html' title='[The clanking of crystal]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1334223240988106993</id><published>2008-11-17T01:22:00.003-02:00</published><updated>2011-09-10T13:22:56.263-03:00</updated><title type='text'>[Even walls fall down]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bourbon&lt;br /&gt;e o som do aço&lt;br /&gt;fazem companhia&lt;br /&gt;a quem vive&lt;br /&gt;de pequenos gestos fortuitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos dela são como luzes de Natal:&lt;br /&gt;provocam um aperto de saudade da infância ou de qualquer tempo bom,&lt;br /&gt;inspiram a vontade de acreditar de novo,&lt;br /&gt;fazem com que atravessar a cidade se torne algo mais bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;All around your island&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;there's a barricade;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;it keeps out the danger,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;it holds in the pain&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;(Tom Petty)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/zJl0pe-DWy8" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1334223240988106993?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1334223240988106993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1334223240988106993&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1334223240988106993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1334223240988106993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/11/even-walls-fall-down.html' title='[Even walls fall down]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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/&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I drink and cough like some idiot at a symphony,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sunlight and maddened birds are everywhere,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;the phone rings gamboling its sounds&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;against the odds of the crooked sea;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I drink deeply and evenly now,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I drink to paradise&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;and death&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;and the lie of love&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;[Charles Bukowski]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de Elliott Smith ecoa solitária pelo apartamento vazio, onde antes Gram Parsons e Emmylou Harris fizeram seu dueto.&lt;br /&gt;Reparo que a tinta da parede começou a descascar (mas o mais provável é que já estivesse assim antes).&lt;br /&gt;Caminho até a sacada carregando o Jim Beam e sento-me no ladrilho gelado, como um cachorro que tenta se refrescar num dia quente e abafado.&lt;br /&gt;Observo uma fileira de formigas no parapeito, o mesmo sobre o qual certa vez nos debruçamos -- você desejando que a chuva desse uma trégua para que pudéssemos ir até a praia; eu, que não precisássemos trabalhar na segunda.&lt;br /&gt;Encho o copo até a metade, torcendo para que desabe uma tempestade e, assim, eu encontre pelo menos um motivo para me sentir tão miserável.&lt;br /&gt;Mas isso não vai acontecer. Simplesmente não vai acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/qs5wIJlUK1o" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8675820538556598188?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8675820538556598188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8675820538556598188&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8675820538556598188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8675820538556598188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/10/needle-in-hay.html' title='[Needle in the hay]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/qs5wIJlUK1o/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-2478840956812260376</id><published>2008-10-20T23:33:00.001-02:00</published><updated>2011-09-10T13:28:18.931-03:00</updated><title type='text'>[A head full of lightning and a hat full of rain]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivo do jeito que eu corro:&lt;br /&gt;fico pelo caminho,&lt;br /&gt;sentindo aquela dor do lado do tronco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo do jeito que eu morro:&lt;br /&gt;um pouco a cada dia,&lt;br /&gt;sem guardar nada nos bolsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo&lt;br /&gt;do jeito&lt;br /&gt;que eu grito&lt;br /&gt;socorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/HCQDWjN22X0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2478840956812260376?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2478840956812260376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2478840956812260376&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2478840956812260376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2478840956812260376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/10/head-full-of-lightning-and-hat-full-of.html' title='[A head full of lightning and a hat full of rain]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/HCQDWjN22X0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1110884241882575688</id><published>2008-10-12T14:31:00.003-03:00</published><updated>2011-09-10T13:40:19.698-03:00</updated><title type='text'>[Keep walking]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conheço bem estas ruas.&lt;br /&gt;Já as vi desertas.&lt;br /&gt;E também cobertas por aquelas flores amarelas.&lt;br /&gt;Cheguei até a trilha-las sem perceber, olhando para o céu.&lt;br /&gt;Elas também já me viram em dias melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Air&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;There is only air&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Where I used to care&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;(The Owls)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1110884241882575688?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1110884241882575688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1110884241882575688&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1110884241882575688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1110884241882575688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/10/keep-walking.html' title='[Keep walking]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3761725404776684270</id><published>2008-09-30T01:24:00.003-03:00</published><updated>2011-09-10T13:31:04.352-03:00</updated><title type='text'>[I'll have another stout]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tento identificar alguma intenção oculta em seus gestos.&lt;br /&gt;Mas me sinto tolo e infantil, como quem observa furtivamente a nesga a mais de pele que o vestido sem querer revela.&lt;br /&gt;E não sustento o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/sdy4ell_dtM" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3761725404776684270?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3761725404776684270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3761725404776684270&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3761725404776684270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3761725404776684270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/09/ill-have-another-stout.html' title='[I&apos;ll have another stout]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/sdy4ell_dtM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-4007891570207674235</id><published>2008-09-18T00:49:00.020-03:00</published><updated>2011-09-10T13:37:40.518-03:00</updated><title type='text'>[Arqueologia]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A fumaça vai direto no rosto dela.&lt;br /&gt;Sem graça, ele tenta abanar e sopra para o outro lado.&lt;br /&gt;Ela esboça um sorriso. E mesmo não sendo muito fã de vinho, serve mais uma taça. Porque, acima de tudo, odeia os silêncios durante as refeições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitados na cama, a respiração de ambos aos poucos vai voltando ao ritmo normal. Ela o acaricia com os pés:&lt;br /&gt;— Eu gosto dessa sua tatuagem...&lt;br /&gt;Instintivamente, ele encolhe a perna. Por sorte, percebe o gesto involuntário a tempo e procura justificar:&lt;br /&gt;— Eu fiz mais por uma questão estética. Pra esconder essa cicatriz... Tá vendo?&lt;br /&gt;— Nossa! Que aconteceu?&lt;br /&gt;— Acidente de carro.&lt;br /&gt;— Grave?&lt;br /&gt;— Ah, levei um monte de ponto. Nem lembro quantos. Tive que pôr pino.&lt;br /&gt;— Ai! Tava sozinho?&lt;br /&gt;— Um-hum.&lt;br /&gt;— Tava bêbado?&lt;br /&gt;Ele balança a mão: mais ou menos.&lt;br /&gt;Ela se ergue. Faz carinho, dá um beijo na cicatriz, feito mãe zelosa. Deita-se novamente:&lt;br /&gt;— Mas escondeu bem. Nem dá pra ver. Só chegando bem perto. Ou passando a mão.&lt;br /&gt;— É, né?&lt;br /&gt;Ela entrelaça seu corpo no dele:&lt;br /&gt;— No que cê tá pensando?&lt;br /&gt;Se um vulcão entrasse em erupção nesse exato momento e suas cinzas petrificassem tudo ao redor, como em Pompéia, eternizaria uma mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta chegou com alguns dias de atraso.&lt;br /&gt;Em duas folhas, frente e verso, como quem faz um monólogo e não deseja interrupção.&lt;br /&gt;Manuscrita, como quem olha nos olhos.&lt;br /&gt;Rasurada, como quem não planeja o discurso.&lt;br /&gt;Sem reticências ou interrogações, como quem não pretende escrever outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-4007891570207674235?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/4007891570207674235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=4007891570207674235&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4007891570207674235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4007891570207674235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/09/arqueologia.html' title='[Arqueologia]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1328022557185755987</id><published>2008-09-04T02:04:00.005-03:00</published><updated>2011-09-10T13:38:05.679-03:00</updated><title type='text'>[Bittersweet]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Tá legal. Qual é o meu tipo então?&lt;br /&gt;A garota aperta os olhos e fica me observando por um instante.&lt;br /&gt;— Você gosta dessas... Menininhas.&lt;br /&gt;Dou risada. Ela fala "menininhas" no mesmo tom de desdém com que minha mãe diria "brinquedos", ao se referir à minha coleção de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;action figures&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— Que bom. Pelo menos não são menininhos.&lt;br /&gt;Ela continua séria.&lt;br /&gt;— Você gosta dessas meninas boazinhas, meiguinhas, delicadinhas, bonitinhas. Enfim, menininhas.&lt;br /&gt;— Ah...&lt;br /&gt;Ficamos calados. Ela, fingindo que olha alguma coisa interessante no outro lado da calçada; eu, concentrado no rótulo da garrafa.&lt;br /&gt;— Vai dizer que eu não tô certa?&lt;br /&gt;Suspiro.&lt;br /&gt;— Acho que vou. Não sei se eu tenho um tipo específico. É lógico que eu prefiro as bonitinhas, mas tem outras coisas que eu também... Ah, faltou um "inha" importante na sua lista: estilosinha.&lt;br /&gt;— Claro. Como pude esquecer?&lt;br /&gt;— Pois é. Voltando. É meio difícil de explicar... Eu reparo nas mesmas coisas que todo homem. Mas, pra eu prestar atenção numa mulher, tem que ter alguma outra coisa, sabe?&lt;br /&gt;— Hum.&lt;br /&gt;— Por exemplo: tinha essa menina...&lt;br /&gt;— Menininha.&lt;br /&gt;— Tá, tá. Menininha. Tinha essa menininha que ria com o corpo todo. Mas ela chorava dum jeito meio... Impassível. Ela ficava lá, com cara de parede, sem mexer um músculo, e só uma lágrima escorrendo.&lt;br /&gt;— Hum.&lt;br /&gt;— E tinha uma outra que falava mais palavrão do que eu. Mas era meio travada pra falar de sexo. Até corava.&lt;br /&gt;— E pra fazer?&lt;br /&gt;— Cala a boca. O que eu tô querendo dizer é que elas tinham essas... Contradições. Alguma coisa nelas alardeava uma personalidade ou uma excentricidade, sei lá. E, ao mesmo tempo, denunciava uma insegurança, uma fragilidade. Entende?&lt;br /&gt;— Acho que sim. É que nem aquela música: "Eu gosto de opostos".&lt;br /&gt;— Hum. Prefiro aquela que diz: "Eu gosto é do estrago".&lt;br /&gt;A garota bebe um gole da Heineken e faz uma careta. O silêncio me constrange. Não sei se ela espera que eu pergunte, mas acabo falando assim mesmo.&lt;br /&gt;— E você? Qual é o seu tipo?&lt;br /&gt;— Eu gosto de idiotas.&lt;br /&gt;Parece que a ela tinha a resposta na ponta da língua. Só que pronuncia a frase dum jeito seco, quase agressivo, como eu nunca tinha visto antes. Fico ainda mais sem graça. Coço o nariz e encaro o chão. Com o canto do olho, percebo um leve indício de arrependimento no semblante da garota.&lt;br /&gt;— Não... É mentira.&lt;br /&gt;Ela respira fundo.&lt;br /&gt;— É ingenuidade falar desse jeito... Não. É cômodo falar desse jeito. Eles não são idiotas de verdade, né? Se fossem, eles não iam me interessar. Não iam causar "estrago". Mas é mais fácil falar que são idiotas. Culpar o destino ou a sociedade ou a revolução sexual ou o aquecimento global ou o que quer que seja. O fato é que, no fundo, eu me recuso a aceitar que é tudo fruto do acaso. Que é tudo um jogo de probabilidades.&lt;br /&gt;Viro meio copo de cerveja, como se eu é que tivesse feito um monólogo e precisasse molhar a garganta. Encaro a garota, que fica olhando para algum ponto indefinido, perdida em pensamentos. Observo enquanto ela aperta o copo; o esmalte azul, dum tom vivo, berrante, do jeito que ela costuma usar; os dedos revelando que ela rói as unhas. Olho para o relógio.&lt;br /&gt;— Daqui a pouco a gente vai perder o metrô.&lt;br /&gt;Nenhum dos dois se move.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1328022557185755987?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1328022557185755987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1328022557185755987&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1328022557185755987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1328022557185755987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/09/bittersweet.html' title='[Bittersweet]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1530133332032958325</id><published>2008-08-22T01:46:00.006-03:00</published><updated>2011-09-10T13:38:30.891-03:00</updated><title type='text'>[Decoração de interiores]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prendo a respiração antes de tocar a campainha. Após uma breve espera, ela abre a porta. Constato o grande favor que costumo fazer às mulheres quando saio de suas vidas: Roberta está infinitamente mais bonita do que jamais esteve ao longo dos dezoito meses em que ficamos juntos. Ela sorri de maneira polida e me convida para entrar. O apartamento parece bastante familiar, embora novos elementos tenham entrado em cena para lembrar que eu provavelmente fui o único que permaneceu no mesmo lugar, enquanto todo mundo ao meu redor simplesmente seguiu em frente. Tento fazer uma rápida contabilização das novidades ali na sala: um quadro na parede, dois vasos de plantas, dois porta-retratos na estante, uma televisão e a disposição dos móveis ao redor dela. A tevê é maior do que antes (quarenta e duas polegadas?). Uma das poltronas me chama a atenção -- não tenho certeza se é nova ou se foi apenas reformada. Contenho o ímpeto de perguntar. Depois das saudações habituais, ela diz, alternando o olhar entre meu rosto e o chão:&lt;br /&gt;— Olha, eu nem sei como te agradecer. Eu imagino o quanto essa situação deva parecer meio... Chata. Mas, como eu te falei antes, eu realmente não tinha mais ninguém a quem recorrer.&lt;br /&gt;Está visivelmente constrangida com aquilo tudo. Ao contrário do que ela provavelmente imagina, eu não achei nem um pouco estranho quando ela me telefonou na semana anterior -- afinal, geralmente acabo me tornando amigo das mulheres com as quais já mantive um relacionamento um pouco mais longevo. Mas, no fundo, foi mesmo inusitado o pedido que ela me fez. Sua mãe estava em Maringá, cuidando de uma tia adoentada. Sua melhor amiga tinha ido viajar com o marido num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tour&lt;/span&gt; pela Europa. Todas as outras pessoas de seu círculo de convivência inventaram algum tipo de compromisso para fugir da tarefa ingrata. Ela não conhecia nenhuma profissional realmente confiável, com referências seguras. Sobrou para o idiota aqui.&lt;br /&gt;Sorrio e respondo com sinceridade:&lt;br /&gt;— Tá tudo bem. Eu não tenho mesmo nada melhor pra fazer. Dum jeito ou de outro, ia ficar “bundando” em casa. Pelo menos aqui eu vou ter companhia.&lt;br /&gt;Ela suspira:&lt;br /&gt;— A maioria das pessoas da nossa idade não consideraria um garoto de onze anos como uma companhia das mais... Agradáveis.&lt;br /&gt;— Relaxa. A gente costumava se dar bem. Pelo menos naquela época. Falando nisso, cadê o guri?&lt;br /&gt;— Trancado no quarto, pra variar. Eu acredito que você não vá ter muito trabalho. Ele provavelmente vai ficar lá, fuçando no computador a noite inteira. É só você dar uma batidinha na porta de vez em quando pra se certificar de que ele tá vivo e que não começou a tocar fogo na casa. Ah, e não se preocupe se ele não se portar de maneira muito... Amistosa. Não é nada pessoal. É só que ele tá entrando naquela fase revoltadinha, sabe?&lt;br /&gt;— Sei. Eu continuo nessa fase até hoje.&lt;br /&gt;— Nem me fale... Bom, mais tarde você pode pedir uma pizza pra vocês dois. Acho que tem um folheto aqui, em algum lugar.&lt;br /&gt;Ela se agacha para procurar na mesinha do telefone. A fenda lateral de seu vestido se abre, revelando uma porção generosa de sua perna. Uma perna comprida, torneada, com a coxa grossa. E envolta numa daquelas meias sete oitavos. Uma sensação de excitação misturada com raiva me invade. Tinha me esquecido do quão bem-feitas são as pernas de Roberta. Nos dezoito meses em que ficamos juntos, a desgraçada nunca usou meias sete oitavos para satisfazer as minhas fantasias. Ela se levanta e caminha em direção à cozinha, falando algo sobre o conteúdo da geladeira. Mas já não presto mais atenção no que diz. Sigo atrás dela, olhando fixamente para sua bunda, tentando identificar o contorno da calcinha que ela usa debaixo daquele vestido longo e justo. Não consigo. Fico me perguntando se ela está usando alguma coisa ali embaixo. Nos dezoito meses em que ficamos juntos, a desgraçada nunca saiu sem calcinha para satisfazer às minhas fantasias.&lt;br /&gt;Roberta caminha pelo corredor que conduz aos quartos. Bate na primeira porta e grita:&lt;br /&gt;— Filhão, já tô saindo. O Jonas vai fazer companhia pra você. Fica direitinho, tá bom?&lt;br /&gt;De dentro do quarto, sai a voz abafada do garoto, respondendo um “tá, tchau” entediado. Acompanho-a até o hall, onde ela chama o elevador. Ela me entrega uma cópia da chave do apartamento.&lt;br /&gt;— Então, é isso. Qualquer problema, me liga no celular. Não pretendo voltar muito tarde.&lt;br /&gt;— Pode deixar. Boa festa, aproveite.&lt;br /&gt;Ela me cumprimenta com um abraço. Envolvo sua cintura e acaricio suas costas, que estão nuas graças ao decote na parte de trás do vestido. Ao invés de lhe dar um beijo na bochecha, beijo-a bem perto da boca. Aperto-a com força e sinto seus seios espremidos contra o meu corpo. No momento em que vou tentar outro beijo, desta vez na boca, ela me empurra e se afasta.&lt;br /&gt;— Pára com isso, Jonas! Deixa de besteira!&lt;br /&gt;Num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;timing&lt;/span&gt; perfeito, o elevador chega. Roberta entra nele e vai embora sem me olhar nos olhos. Volto para o apartamento, sento na poltrona que não sei se é nova ou não e ligo a tevê. Os apresentadores do telejornal dão “boa-noite” e começa a novela. Zapeio pelos canais e vejo trechos de reprises de seriados americanos. Paro num documentário sobre o fundo do mar e as criaturas abissais. Ao final do programa, levanto-me, sigo até o corredor e bato na porta do quarto do garoto. Ele não responde.&lt;br /&gt;— Escuta, você tá com fome? Vou pedir uma pizza. Quer escolher a sua metade?&lt;br /&gt;Silêncio. Depois de alguns instantes, finalmente vem a voz abafada:&lt;br /&gt;— Eu não como aliche.&lt;br /&gt;Um porre, como todo pré-adolescente. Telefono para a pizzaria e peço meia quatro queijos, meia calabresa. O atendente pergunta se “bebida acompanha”. Penso em consultar o garoto, mas me irrito só de imaginar a resposta lacônica. Peço uma Coca-Cola. Se ele não quiser, dane-se; tem água no filtro. Volto para a tevê e para mais um programa instrutivo, agora sobre a savana africana. Aproveito o intervalo para examinar os dois novos porta-retratos sobre a estante. Numa das fotos, está o garoto, vestindo uniforme de futebol, provavelmente em algum campeonato da escola. Na outra, ele e Roberta sorriem abraçados em um churrasco ou almoço num sítio. Conheço de cor as outras fotografias. O pai do garoto só aparece em uma delas. Não cheguei a conhecê-lo. Quando comecei a sair com Roberta, ela já estava divorciada havia dois anos e o ex-marido tinha ido morar em Salvador. Só vinha para São Paulo duas vezes por ano, quando passava algumas semanas com o filho.&lt;br /&gt;Vinte minutos depois, antes de o documentário terminar, o interfone toca. Atendo e aviso que já estou descendo. Vou até o corredor e grito para o garoto que vou buscar a pizza lá embaixo. Pego a cópia da chave e saio. Quando volto, bato a porta com força e faço bastante barulho para trancá-la -- a idéia é anunciar que já estou de volta sem ter que gritar novamente. Deixo a pizza e a garrafa de refrigerante na copa, onde já estão pratos, talheres, copos, guardanapos e o azeite. O espertinho deve ter aproveitado a minha ausência para pôr a mesa. Volto para a poltrona da sala, para deixá-lo à vontade para se servir.&lt;br /&gt;A porta do quarto se abre. Apesar de tê-lo visto nas fotos recentes na estante, não deixo de me espantar com o quanto o garoto cresceu. Ele passa pela sala, olha rapidamente em minha direção e diz um “e aí” seco. Faço seu joguinho e economizo ainda mais nas palavras, apenas levantando o braço. Na copa, ele coloca logo dois pedaços de pizza no prato e (bingo!) serve-se de um copo de Coca. Como eu já havia imaginado, ele retorna para o seu esconderijo sem dizer mais nada. Minha vez. Vou até a copa, pego um pedaço de pizza de calabresa e pingo um pouco de azeite. Entro na cozinha e abro a geladeira para ver se, com alguma sorte, encontro uma cerveja. Nada. Só uma garrafa de vinho branco. Não é a combinação mais adequada, mas vai ter que servir. Vasculho as gavetas à procura do saca-rolhas. Abro a garrafa com um estalo e retorno à sala.&lt;br /&gt;Depois de comer, dou uma olhada na coleção de DVDs na parte debaixo do móvel sobre o qual está a tevê: desenhos, filmes infantis, comédias românticas e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blockbusters&lt;/span&gt;. Dentre as opções limitadas, escolho &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um Sonho de Liberdade&lt;/span&gt;. Pego outro pedaço de pizza, reabasteço o copo e me instalo confortavelmente na poltrona.&lt;br /&gt;O garoto sai novamente da toca e vai até a cozinha. Vai deixar o prato na pia, imagino. Na volta, se detém na passagem entre a sala e o corredor. Sem desviar o olhar da tela, percebo-o ali parado e fico me perguntando se ele irá fazer algum comentário a respeito da garrafa de vinho que está no chão, ao lado da minha poltrona.&lt;br /&gt;— Esse filme é da minha mãe, né?&lt;br /&gt;— É sim.&lt;br /&gt;Talvez ele tenha se dado conta de que bancar o rebelde comigo não funciona. Talvez ele pense que eu pelo menos pareço respeitar o seu espaço. Talvez se lembre que, quando ele era menor e eu saía com sua mãe, nós nos dávamos bem e até nos divertíamos um bocado. Ou talvez ele simplesmente goste daquele filme. O fato é que, ao invés de se trancar novamente no quarto, o garoto se senta no sofá ao lado da minha poltrona. Nós não chegamos a conversar; apenas ficamos ali, calados, acompanhando as desventuras de Andy Dufresne. Mas já é um avanço.&lt;br /&gt;Penso em puxar papo com o garoto e dizer que, no conto do Stephen King em que o filme é baseado, o personagem interpretado pelo Morgan Freeman é na verdade um ruivo -- daí o apelido “Red”. Mas chego à conclusão de que, para um pré-adolescente, nós já conversamos o bastante por uma noite. Quando o filme termina, vejo que ele está dormindo. Tento acordá-lo, mas ele apenas resmunga.&lt;br /&gt;Com algum esforço, carrego-o até o quarto. Coloco-o na cama e o cubro. Olho à minha volta: computador, aquário com tartarugas, pôsteres de time de futebol, super-herói e banda de rock, roupas espalhadas em cima da cadeira, mancebo com uma porção de bonés pendurados. Um típico quarto de pré-adolescente. Saio e fecho a porta suavemente.&lt;br /&gt;Guardo o DVD, abaixo o volume da tevê, sirvo o último gole de vinho e zapeio. Um clipe idiota na MTV. Mais documentários sobre a natureza. Um casal começa a se agarrar. Pelo visual dos atores (uma loira peituda e um moreno “saradão”) e pela trilha sonora (um solo manjado de saxofone), parece ser um daqueles filmes eróticos softcore. A suspeita se confirma quando o “saradão” arranca a blusa da loira e começa a massagear seus seios avantajados. Fico excitado e me pergunto se é efeito do álcool ou da lembrança das pernas de Roberta. Não importa. Desabotôo a calça, abro o zíper e me masturbo. Saciado aquele desejo fremente, vou até o banheiro me limpar. Em seguida, volto para a sala e recolho o prato, os talheres e o copo e levo a garrafa vazia até o grande saco de lixo na área de serviço. Instalo-me novamente na poltrona, escolho um canal qualquer e fico ali, assistindo a sucessão de imagens sem prestar atenção e nem pensar em nada de muito útil.&lt;br /&gt;Devo ter cochilado. Acordo com o barulho na porta e uma voz sussurrante. Roberta não consegue entrar. Deduzo que é por causa da cópia da chave que eu acabei deixando na fechadura. Levanto-me e destranco a porta. Ela fica ali parada por alguns instantes e depois finalmente entra. Está acompanhada por um sujeito alto, meio calvo, com belos traços que lembram um pouco o ex-marido.&lt;br /&gt;— Marcos, esse aqui é o Jonas. Jonas, Marcos.&lt;br /&gt;Nós nos cumprimentamos e percebo que Marcos parece um pouco desconfortável com a situação. Roberta pergunta do filho. Respondo que vimos um filme juntos, que ele acabou dormindo e que tive que pô-lo na cama. Ela franze o cenho, um pouco surpresa diante da menção de que eu e o garoto interagimos de alguma forma. Seu olhar se volta para a embalagem de pizza que ainda repousa sobre a mesa da copa. Ela vacila um pouco e então pega aquele disco de papelão e o leva até a cozinha. Nesse meio tempo, eu encaro Marcos, que me devolve um sorriso amarelo. Examino-o de cima a baixo. Usa um terno fino e sapatos caros. É elegante, o maldito. Colega de trabalho? Provavelmente não. Aposto que eles vão transar. Ele irá tirar o vestido e as meias de Roberta, beijar todo o seu corpo, sussurrar palavras obscenas em seu ouvido e gozar num gemido contido. Aqueles filhos da puta! Fazendo sacanagem com uma criança dormindo no quarto ao lado. Se bem que eu não posso falar muito...&lt;br /&gt;— Bom, mais uma vez: nem sei como te agradecer. Deixa eu pelo menos pagar o seu táxi. Nesse horário já não deve ter condução.&lt;br /&gt;— Imagina, não precisa se incomodar. Foi um prazer.&lt;br /&gt;— Eu faço questão.&lt;br /&gt;Roberta me entrega uma nota.&lt;br /&gt;— Mas isso aqui é muito.&lt;br /&gt;— Fica pelo táxi e pela pizza.&lt;br /&gt;Dou de ombros. Não posso me dar ao luxo de ser orgulhoso. Guardo a nota no bolso. Cumprimento Marcos, que desta vez aperta minha mão com mais firmeza. Roberta também me estende a mão ao invés de oferecer um abraço. Provavelmente quer evitar uma cena patética como a da nossa despedida anterior. Quem ela pensa que eu sou? Beijo sua mão de maneira afetada e me vou. A porta se fecha atrás de mim. Os pombinhos ficam a sós.&lt;br /&gt;Entro no elevador, que ainda está parado ali no andar. Aperto o botão do térreo. Deixo escapar um sorriso ao imaginar que, naquele momento, Roberta deve estar se perguntando onde diabos foi parar a garrafa de vinho que ela tinha deixado para gelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1530133332032958325?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1530133332032958325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1530133332032958325&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1530133332032958325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1530133332032958325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/08/prendo-respirao-antes-de-tocar.html' title='[Decoração de interiores]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-4011063932030128137</id><published>2008-08-09T02:22:00.008-03:00</published><updated>2008-08-09T03:40:20.277-03:00</updated><title type='text'>[I told you I was trouble]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu devia saber que não ia dar certo. O Beatle preferido dela era o Paul.&lt;br /&gt;— E o seu? É o John?&lt;br /&gt;— Óbvio.&lt;br /&gt;— Ah, qual é! O Paul é muito mais musical.&lt;br /&gt;— E o John é muito mais legal. Tanto que só ele foi assassinado.&lt;br /&gt;— Não acredito! Esse é o seu argumento?&lt;br /&gt;— Tem outro melhor?&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;— E digo mais: o segundo mais legal é o George.&lt;br /&gt;— Por que...&lt;br /&gt;— Porque tentaram assassiná-lo.&lt;br /&gt;— Claro. Eu devia imaginar.&lt;br /&gt;Achei melhor não dizer que o Ringo era o terceiro. Seria provocação demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O divórcio foi tão amigável que contratamos o mesmo advogado. Levei comigo apenas minhas roupas, livros e alguns discos. Deixei o apartamento e toda a tralha pra ela. Uma amiga em comum me disse que não tinha necessidade de ser diplomático naquela hora. Dei de ombros. Não era questão de diplomacia. Só não queria ter que dividir o passado ao meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí pela porta de casa carregando as malas, com a certeza de que era o melhor a fazer. Mas me sentindo despreparado pra assumir qualquer tido de compromisso. Tive a sorte de encontrar a pessoa ideal: um senhorio disposto a fechar contrato por um prazo mínimo realmente mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode soar meio escroto de minha parte, mas, no começo, a coisa de que mais senti falta foi a almofada que eu usava como encosto quando queria ler ou assistir tevê sentado na cama. Improvisei dois travesseiros como substitutos, mas uma hora ou outra eles escorregavam e eu acabava todo torto, com as costas doloridas. Fui numa loja e comprei a almofada mais parecida que encontrei. Só que era dura demais e terminou seus dias largada no chão da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também senti falta duma caneca de alumínio. Era a que eu usava como medida pro arroz. Tentei usar um copo americano no lugar, mas eu sempre acabava cozinhando a quantidade errada. Quando era pouco, não tinha problema: comia uns pedaços de pão e ficava por isso mesmo. Mas quando era muito, ficava com dó de jogar fora e guardava o resto na geladeira. Invariavelmente, esquecia daquele pote e a sobra azedava. Nunca fui bom em calcular as coisas assim, desse jeito, só no olho. Se fosse, talvez tivesse evitado uma porção de contratempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorriso não aliviava em nada o constrangimento que me causava a testa franzida e a expressão de incredulidade na cara da garota.&lt;br /&gt;— Tá falando sério?&lt;br /&gt;Balancei a cabeça, afirmativamente. Tive que explicar que o "Daga" pelo qual meus amigos me chamavam era uma contração de "Da Guia". Minha mãe, católica fervorosa, fez questão de me batizar como João Paulo. Já meu pai era palmeirense fanático e eu tive o azar de nascer bem no ano em que o Palestra foi bicampeão brasileiro. Resultado: o velho conseguiu emplacar a embaraçosa homenagem ao ídolo da torcida alviverde na época.&lt;br /&gt;— Rá! Na boa, teu pai tava de sacanagem, hein?&lt;br /&gt;— Eu é que sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa tinha começado no balcão do bar. Vi a inconfundível garrafa verde de gim inglês e pedi logo uma dose dupla. A garota ao meu lado se inclinou em minha direção e cantarolou:&lt;br /&gt;— "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;And sniffed me out like I was Tanqueray...&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Respondi com um sorriso e uma cara de perdido. Ela riu.&lt;br /&gt;— É um pedaço daquela música. Da Amy Winehouse.&lt;br /&gt;— Aaaah...&lt;br /&gt;Fiz nova cara de perdido. Ela riu de novo. E copiou meu pedido ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;barman&lt;/span&gt;. Resolvi confessar que tinha começado a beber daquela marca só por causa duma música. Mas era uma bem mais antiga. Dos Ramones.&lt;br /&gt;— Yeah, Ramones! Qual?&lt;br /&gt;Cantarolei o refrão, meio envergonhado. Ela ficou só balançando a cabeça, sem esclarecer se conhecia ou não a música. Depois estendeu a mão, me disse seu nome e me ofereceu um sorriso. Devolvi as três coisas, encantado. Mas no fundo, tive aquela sensação de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;déjà vu&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impressionante o esforço de ambas as partes no começo dum relacionamento. Se a coisa fosse melhor distribuída, talvez as pessoas ficassem mais tempo juntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre achei uma bobagem a preocupação com a diferença de idade. Ainda mais quando o homem é mais velho; afinal, as mulheres naturalmente amadurecem mais cedo. Mas descobri que o principal problema não é a idade em si. É o fato de cada um estar numa fase completamente diferente da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando minha natureza, tentei ser simpático com os amigos dela. Lembro-me duma noite em especial, quando uma das meninas se mostrou surpresa quando eu disse que estava caminhando pros quarenta. E começou a puxar um papo sobre Sartre. Tem gente que acha que falar sobre Sartre, cursos de gestão e liderança ou as Farc é sinal de maturidade. Acabei trocando idéia sobre futebol com o garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, fomos deixando de nos ver. Já tinha assumido meus fios de cabelo branco, por que não admitir que estava velho demais pra voltar pra casa quase de manhã, depois de sair dum clubinho alternativo com a cara cheia de uísque e a roupa fedendo a cigarro?&lt;br /&gt;A garota ainda me ligou algumas vezes. Mas eu sempre dizia que estava cansado, que tinha trabalhado demais. Depois, ela desencanou. E eu voltei a me deitar só com a garrafa de Jim Beam e o livro do Bukowski. E a acordar todo torto, com as costas doloridas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-4011063932030128137?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/4011063932030128137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=4011063932030128137&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4011063932030128137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4011063932030128137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/08/i-told-you-i-was-trouble.html' title='[I told you I was trouble]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3023083673615837936</id><published>2008-07-31T17:32:00.006-03:00</published><updated>2008-08-06T00:51:10.590-03:00</updated><title type='text'>[Golden slumbers]</title><content type='html'>A casa inteira dorme.&lt;br /&gt;Ajoelho-me diante da cama e a observo feito bobo por um instante, antes de sacudir gentilmente seu braço.&lt;br /&gt;"Oi", ela diz, enquanto esfrega os olhos.&lt;br /&gt;Sorrio.&lt;br /&gt;Ainda meio sonza de sono, ela me beija, dum jeito mais afetuoso que lascivo.&lt;br /&gt;E sinto vontade de ficar.&lt;br /&gt;A voz não sai, portanto apenas aceno, dum jeito meio patético.&lt;br /&gt;Ela também deve ter achado, pois ri antes de se encolher novamente debaixo das cobertas.&lt;br /&gt;"Me liga mais tarde".&lt;br /&gt;Lá fora, os postes de luz vão se apagando aos poucos.&lt;br /&gt;A neblina que cobre o céu avisa que será mais um dia quente e limpo.&lt;br /&gt;Mas ainda faz frio.&lt;br /&gt;Afundo a cabeça na gola da jaqueta, enquanto brinco com a chave de casa dentro do bolso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3023083673615837936?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3023083673615837936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3023083673615837936&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3023083673615837936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3023083673615837936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/07/golden-slumbers.html' title='[Golden slumbers]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7931343348492906999</id><published>2008-07-31T17:32:00.005-03:00</published><updated>2008-08-05T15:18:23.126-03:00</updated><title type='text'>[Carry that weight]</title><content type='html'>A cabeça lateja e as costas doem.&lt;br /&gt;Sinto náuseas e a boca está seca.&lt;br /&gt;Abro os olhos com dificuldade.&lt;br /&gt;Percebo que dormi dentro da banheira, o que explica as dores nas costas.&lt;br /&gt;Vejo uma garrafa vazia de uísque vagabundo sobre o chão, o que explica os demais sintomas.&lt;br /&gt;Apóio-me nas bordas e me levanto, apenas para constatar que ganhei um torcicolo.&lt;br /&gt;Abro o armário e resmungo um palavrão quando vejo que acabou a aspirina.&lt;br /&gt;Um cheiro azedo vem do vaso sanitário: vômito.&lt;br /&gt;Foi por isso que deitei ali.&lt;br /&gt;Rio ao concluir que ao menos quando estou bêbado eu tenho algum juízo.&lt;br /&gt;Pergunto-me se vale a pena sair à procura duma farmácia aberta.&lt;br /&gt;Lá fora, os postes de luz estão todos acesos.&lt;br /&gt;O céu sem estrelas avisa que será mais um dia cinza e chuvoso.&lt;br /&gt;E ainda faz frio.&lt;br /&gt;O mundo inteiro dorme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7931343348492906999?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7931343348492906999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7931343348492906999&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7931343348492906999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7931343348492906999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/07/carry-that-weight.html' title='[Carry that weight]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-2414917872981276691</id><published>2008-07-31T17:31:00.001-03:00</published><updated>2008-07-31T17:32:15.953-03:00</updated><title type='text'>[The end]</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;And in the end&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;the love you take&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;is equal to the love you make&lt;/span&gt;".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2414917872981276691?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2414917872981276691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2414917872981276691&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2414917872981276691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2414917872981276691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/07/end.html' title='[The end]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3839769090892342780</id><published>2008-07-21T00:03:00.006-03:00</published><updated>2008-07-23T22:54:37.774-03:00</updated><title type='text'>[Sobre o tempo]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"É cedo pra ser nostálgico", ela diz.&lt;br /&gt;Ninguém concorda: nem o itinerário do ônibus, nem o disco do Death Cab For Cuties, nem o papel que encontro no bolso da calça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceba o aroma frutado. Banana, talvez.&lt;br /&gt;Depois de agitar um pouco, dá para sentir o cheiro de incenso e maresia.&lt;br /&gt;O gosto é um pouco acre, como de cinzas ou fumaça.&lt;br /&gt;Quando se mistura um pouco d'água, um sabor mais sutil se revela.&lt;br /&gt;Quem sabe um toque de caramelo...&lt;br /&gt;— Guardo minhas lembranças em tonéis de carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Seja legal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conto contigo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pela madrugada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Só me derrube no final&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;(Pato Fu)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3839769090892342780?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3839769090892342780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3839769090892342780&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3839769090892342780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3839769090892342780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/07/sobre-o-tempo.html' title='[Sobre o tempo]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7839235293780385704</id><published>2008-07-08T00:45:00.009-03:00</published><updated>2008-12-09T02:58:18.081-02:00</updated><title type='text'>[Teenage angst has paid off well]</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/SHLjNqq-CoI/AAAAAAAAAEc/Q0WqsNWXErg/s1600-h/nirvana.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/SHLjNqq-CoI/AAAAAAAAAEc/Q0WqsNWXErg/s400/nirvana.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220484742008146562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acesse o &lt;a href="http://www.mojobooks.com.br/" target="_blank"&gt;site&lt;/a&gt;, cadastre-se gratuitamente e faça o download :-)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7839235293780385704?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7839235293780385704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7839235293780385704&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7839235293780385704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7839235293780385704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/07/teenage-angst-has-paid-off-well_08.html' title='[Teenage angst has paid off well]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/SHLjNqq-CoI/AAAAAAAAAEc/Q0WqsNWXErg/s72-c/nirvana.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-553641390826870838</id><published>2008-07-07T02:52:00.002-03:00</published><updated>2008-07-07T15:37:05.849-03:00</updated><title type='text'>[O incêndio]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de desabotoar a camisa, despi-la e pendurá-la num dos ganchos na parede, o rapaz tirou o relógio e o colocou cuidadosamente sobre a prateleira estreita.&lt;br /&gt;— Esse relógio era do meu pai. Ele sempre dizia que foi a primeira coisa que ele comprou com o primeiro salário.&lt;br /&gt;Tocou de leve a pulseira de aço.&lt;br /&gt;— Eu recebi meu primeiro salário ontem. Sabe qual foi a primeira coisa que eu comprei?&lt;br /&gt;Virou-se para trás bem no instante em que a mulher livrou-se do vestido, revelando a lingeire vermelha rendada. A visão do corpo dela o deixou embasbacado. Desconfiou que a expressão em seu rosto o denunciava, pois a mulher sorriu, provavelmente satisfeita com a reação que provocava. Ela pôs as mãos na cintura e ensaiou uma pose de pin-up.&lt;br /&gt;— Eu!&lt;br /&gt;O rapaz sentiu-se enrubescer.&lt;br /&gt;— Olha, você é maravilhosa, melhor ao vivo do que nas fotos. Mas, não me leve a mal, você é a terceira coisa que eu... Hã, que eu... Você é meu terceiro gasto.&lt;br /&gt;A mulher riu.&lt;br /&gt;— É? Então me conta: qual foi o seu primeiro... Gasto?&lt;br /&gt;Ele enrubesceu ainda mais e desviou o olhar para o chão.&lt;br /&gt;— Um... Canivete.&lt;br /&gt;— Um canivete?&lt;br /&gt;— É. Suíço.&lt;br /&gt;— Um canivete suíço?&lt;br /&gt;— É. Daqueles que têm várias lâminas, tesoura, chave-de-fenda, abridor de lata, sabe?&lt;br /&gt;— Sei. Você é, tipo, fã do MacGyver ou algo parecido?&lt;br /&gt;— Não. Olha, vai parecer meio estúpido, mas eu simplesmente não sabia o que comprar. Parei na frente duma loja e o canivete foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Sei lá. Achei que ia ser útil ter um. Caso eu fosse acampar. Ou ajudar alguém numa mudança.&lt;br /&gt;— E você pretende acampar?&lt;br /&gt;— Não.&lt;br /&gt;— E nem vai ajudar ninguém na mudança, né?&lt;br /&gt;— Não...&lt;br /&gt;— Hum. Qual foi o segundo gasto?&lt;br /&gt;— Uma dose de uísque no bar lá embaixo.&lt;br /&gt;— Certo. Primeiro, um canivete. Depois, bebida. E agora, comida.&lt;br /&gt;O rapaz ignorou o gracejo.&lt;br /&gt;— É que nem aquele lance do incêndio, sabe? Se me perguntassem qual a primeira coisa que eu salvaria se tivesse um incêndio na minha casa, eu não ia conseguir responder. Acho que, provavelmente, eu ia ficar lá, parado, vendo tudo pegar fogo, sem saber o que fazer. Você acha que a resposta que uma pessoa dá pra esse tipo de pergunta diz alguma coisa importante sobre ela?&lt;br /&gt;A mulher deu de ombros.&lt;br /&gt;— Eu não sei.&lt;br /&gt;Ela tirou o sutiã, como se sugerisse haver coisas mais importantes com que se preocupar no momento. Caminhou em direção ao rapaz, pousou as mãos em seus ombros e beijou seus lábios. Pegou sua mão, conduziu-o até a cama e o fez se sentar. Fez com que acariciasse seus seios. Achou que o rapaz ia elogiá-la ou contar alguma fantasia sexual, mas não foi nada disso que ele disse.&lt;br /&gt;— E você? Qual seria a primeira coisa que você salvaria? Digo, dum incêndio na sua casa?&lt;br /&gt;A mulher suspirou, resignada.&lt;br /&gt;— Bom, no meu caso, eu não teria nenhuma dúvida. Salvaria o meu filho.&lt;br /&gt;— Você tem um filho?&lt;br /&gt;— Por que? Isso tira o teu tesão?&lt;br /&gt;— Não, não, não é isso! É só que... Deve ser bom não ter nenhuma dúvida.&lt;br /&gt;Ela acariciou o rosto do rapaz.&lt;br /&gt;— Não tem nada de errado em ter dúvida. Tem gente que fica a vida inteira sem encontrar uma resposta. Tem outros que se arrependem de algo que responderam de bate-pronto... Você é novo demais pra se preocupar tanto com isso.&lt;br /&gt;Ela tirou a calcinha.&lt;br /&gt;— E daí que você não sabia o que comprar? Olha só, eu prometo que você não vai se arrepender do seu terceiro gasto...&lt;br /&gt;Gentilmente, ela o empurrou para trás e deitou por cima dele. Enquanto a mulher desabotoava sua calça, o rapaz pensou que talvez devesse comprar um animal de estimação. Quem sabe um peixe ou um pássaro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-553641390826870838?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/553641390826870838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=553641390826870838&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/553641390826870838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/553641390826870838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/07/o-incndio.html' title='[O incêndio]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3478549465168009362</id><published>2008-06-30T23:28:00.008-03:00</published><updated>2008-07-01T03:00:32.620-03:00</updated><title type='text'>[I've got Kitty Pryde and Nightcrawler too]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nerds são seres estranhos -- se você não for um deles, provavelmente não vai conseguir entender o que leva alguém a despender tanto tempo (e dinheiro) com super-heróis, criaturas da Terra Média e conflitos familiares numa galáxia muito, muito distante.&lt;br /&gt;Estes &lt;a href="http://www.jovemnerd.com.br/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; não fogem à regra. Acontece que eles também são talentosos e engraçados. Não foi à toa que faturaram o Prêmio iBest deste ano em três categorias.&lt;br /&gt;Já tinha tido a oportunidade de escrever alguns textos pra eles. Pois agora eles me transformaram em colunista: o espaço se chama &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cabeceira&lt;/span&gt;, é dedicado à literatura e será atualizado regularmente.&lt;br /&gt;Ah, nerds também são seres gregários...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3478549465168009362?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3478549465168009362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3478549465168009362&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3478549465168009362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3478549465168009362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/06/ive-got-kitty-pryde-and-nightcrawler.html' title='[I&apos;ve got Kitty Pryde and Nightcrawler too]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6026397038622184101</id><published>2008-06-20T03:22:00.002-03:00</published><updated>2008-06-20T13:46:16.138-03:00</updated><title type='text'>[Madrigal]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A estrada enche a vista, enche os sentidos. Para Guilherme, o melhor aspecto de viajar é a sensação de deixar algo para trás. E não é isso o que acontece quando se carrega todas as lembranças consigo.&lt;br /&gt;A mulher sentada na poltrona ao lado encosta a cabeça em seu ombro. Guilherme se inclina e olha para o rosto dela, apenas para se certificar de que está dormindo. Agora, com a proximidade da pele e dos cabelos, o cheiro de Carol lhe invade as narinas. Aquele cheiro excessivamente familiar, que o transporta diretamente para casa e para junto da rotina que tanto deseja evitar. Ele rapidamente abre a janela do ônibus, sente o vento bater no rosto e inspira com avidez, numa tentativa de fazer com que o cheiro da estrada apague aquela sensação. Tarde demais.&lt;br /&gt;Ele não sabe ao certo o que tanto procura longe de casa. Sabe que ama Carol, embora a odeie um pouco na maioria das vezes. Bem, talvez não odeie realmente a mulher, mas sim o que ela representa. Talvez odeie o fato de ela ser tão desesperadamente apaixonada e amá-lo dum jeito que ele simplesmente não é capaz de retribuir. Talvez odeie o jeito com que ela o faz se sentir culpado por ser quem é. Talvez só consiga amá-la quando esquece a si mesmo, quando deixa de lado suas próprias vontades. Talvez.&lt;br /&gt;Carol resmunga:&lt;br /&gt;— Guilherme, fecha esse vidro! Tá frio...&lt;br /&gt;Ela sempre o chama de Guilherme. Todas as outras pessoas, até as que ele não conhece e com as quais não tem a mínima intimidade, o chamam de Gui. Carol costuma dizer que precisa ter um jeito especial, só dela, de chamá-lo. E se todo mundo o chama pelo diminutivo, para ela só resta o nome inteiro. Mas o problema é justamente esse: Guilherme não cabe naquele ônibus. Ele fecha a janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Cachorro! Miserável!&lt;br /&gt;Descontrolada, Carol caminha de um lado para o outro do quarto de hotel, esfregando nervosamente as mãos. Guilherme está em pé diante dela, com as mãos na cintura, balançando resignadamente a cabeça:&lt;br /&gt;— Definitivamente, você tá louca...&lt;br /&gt;— Louca? Louca?! Quer dizer que eu não vi você se engraçando com aquela piranha? Foi tudo fruto da minha imaginação?&lt;br /&gt;— Eu já disse: ela trabalhava comigo, fazia tempo que a gente não se falava. Como hoje ela tá numa firma melhor, eu tava fazendo uma social. Nada mais.&lt;br /&gt;— Não me venha com essa! Eu já te vi “fazendo uma social”. Você fica todo simpático e cheio de piadinha. Agora, quando a mulher te interessa, você fica diferente. Fica todo reservado, fazendo pose de mistério. E era assim que você tava com aquela vaca!&lt;br /&gt;A maneira irônica e debochada com que Carol repete a expressão usada por ele o irrita profundamente. Guilherme diz:&lt;br /&gt;— Ah, então quer dizer que eu tô proibido de ser reservado com as outras mulheres? Você prefere que eu fique todo cheio de piadinha e galanteio, é isso?&lt;br /&gt;Ela apenas lança um olhar fulminante como resposta. Os dois ficam em silêncio por alguns instantes. Guilherme suspira e resmunga:&lt;br /&gt;— Eu sabia que isso ia acontecer...&lt;br /&gt;— Ah, mas tava demorando! Anda, diz logo duma vez!&lt;br /&gt;— Mas... Do que diabos você tá falando?&lt;br /&gt;— Você tá morrendo de vontade de jogar na minha cara que a idéia de eu vir junto foi minha! Vai, diz logo duma vez: você preferia que eu não tivesse vindo, né?&lt;br /&gt;— Bom, pelo menos a gente evitaria essa discussão idiota...&lt;br /&gt;— Seu desgraçado! Eu é que devo ser a idiota aqui! Aposto que, se eu não tivesse vindo, você teria ido pra cama com aquela vaca!&lt;br /&gt;— Chega! Você não tá ouvindo uma palavra do que eu tô falando. Tá gritando sozinha. E eu não sou obrigado a ficar aqui, ouvindo você me acusar duma coisa que simplesmente não aconteceu!&lt;br /&gt;Guilherme vira as costas e sai do quarto, batendo a porta violentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carol está dentro da banheira quando ouve a porta do quarto bater novamente, desta vez com muito menos força. Mesmo sem poder vê-lo, ela sabe que Guilherme está parado diante da porta. Mantendo os olhos fixos na esponja, com a qual brinca dentro d'água, ela pergunta:&lt;br /&gt;— Sabe o que eu queria?&lt;br /&gt;Ele entra, se aproxima e se senta no bidê ao lado da banheira. Sem dizer uma palavra, toma a esponja das mãos dela e começa a esfregar-lhe vigorosamente os braços, como uma mãe zelosa que acha que o filho não está se limpando direito. Finalmente, responde:&lt;br /&gt;— Você quer sair pra dançar hoje à noite.&lt;br /&gt;Ela ri:&lt;br /&gt;— Isso também.&lt;br /&gt;Carol evita olhar nos olhos dele, pois imagina que isso lhe roubaria o ímpeto de falar. Portanto, fica acompanhando o vai-e-vem que ele faz com esponja em seus braços. Suspira e diz:&lt;br /&gt;— Quando eu sugeri vir com você, eu realmente achei que era uma boa idéia. O primeiro impulso, devo admitir, foi meio egoísta mesmo. Eu não queria ficar sozinha lá em casa, pensando besteira... Você sabe.&lt;br /&gt;Ela faz uma pausa quando Guilherme começa a esfregar delicadamente a esponja em seus seios, tirando um pouco sua concentração. Prossegue:&lt;br /&gt;— Mas também achei que isso seria bom pra gente. Pra nós dois, sabe?&lt;br /&gt;Quando chega à barriga dela, Guilherme volta a esfregar com força. Carol continua:&lt;br /&gt;— Achei que ajudaria a renovar a nossa relação, a nossa vida.&lt;br /&gt;Ele esfrega as coxas dela. Nova pausa.&lt;br /&gt;— O que eu tô tentando dizer é o seguinte: a sensação que eu tenho é que as coisas lá em casa são sempre meio... Nubladas, sabe? Quando você volta duma viagem, sempre vejo que você fica mais leve. Bom, pelo menos nos primeiros dias. Então, eu fico com aquela impressão de que a sua vida na estrada é muito mais... Ensolarada. E eu quero que a nossa vida juntos seja assim também.&lt;br /&gt;Joelhos. Canelas.&lt;br /&gt;— A gente sempre discute, vive jogando um monte de merda um no outro. E a gente não é assim de verdade, você sabe que não. Eu queria que você me ajudasse a trazer à tona o que eu tenho de melhor. E queria também trazer à tona o melhor de você.&lt;br /&gt;Pés.&lt;br /&gt;— Eu queria fazer você se sentir mais leve.&lt;br /&gt;Guilherme passa a esfregar-lhe as costas e ombros e, assim, Carol não consegue ver qual é a reação dele, qual é a expressão em seu rosto. Ela pergunta, um pouco encabulada depois do monólogo:&lt;br /&gt;— Você não vai falar nada? Eu já disse um monte de coisa que eu quero. E você?&lt;br /&gt;Depois de alguns segundos de silêncio, ele responde:&lt;br /&gt;— Eu quero... Um pouco de espaço.&lt;br /&gt;— Olha, eu acho que...&lt;br /&gt;— Espaço. E depois, uma toalha.&lt;br /&gt;— Hã?!&lt;br /&gt;Ainda vestido, Guilherme entra na banheira e começa a beijá-la e acariciar seu corpo. Entre os risos e a excitação, Carol faz o possível para afastar o pensamento que insiste em lhe perturbar: ele está fazendo aquilo apenas para calá-la?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6026397038622184101?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6026397038622184101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6026397038622184101&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6026397038622184101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6026397038622184101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/06/madrigal.html' title='[Madrigal]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8342559927056040962</id><published>2008-06-15T01:34:00.001-03:00</published><updated>2008-06-15T14:43:32.771-03:00</updated><title type='text'>[Usucapião]</title><content type='html'>Não são suas estas ruas só porque fazem o seu caminho.&lt;br /&gt;Assim como não são suas estas lembranças só porque é em torno de você que giram.&lt;br /&gt;São minhas.&lt;br /&gt;Conquistei-as por direito.&lt;br /&gt;Por percorrê-las até deixar minhas pegadas no asfalto.&lt;br /&gt;Por conhecer cada curva e cada buraco.&lt;br /&gt;E por atirar pedras na placa de mão única.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8342559927056040962?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8342559927056040962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8342559927056040962&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8342559927056040962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8342559927056040962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/06/usucapio-no-so-suas-estas-ruas-s-porque.html' title='[Usucapião]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7816053392587728688</id><published>2008-05-30T01:44:00.002-03:00</published><updated>2009-03-26T21:49:48.939-03:00</updated><title type='text'>[And the healing has begun]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perco o fôlego ao ver seu vestido branco e preto. Se não me engano, é o mesmo que ela usava na primeira vez em que a vi. Quando aprendi que nem tudo é cinza; que existe escuridão, mas também luz do dia. Inclino-me para cumprimentá-la com um beijo no rosto, receoso de que ela sinta meu hálito recendendo a uísque e perceba meu coração batendo descompassado. Mas ela me puxa para perto e me abraça com força.&lt;br /&gt;— Saudades!&lt;br /&gt;Afastamo-nos e só então respondo com um sorriso, ao mesmo tempo em que a encaro, meio sem jeito. Desvio o olhar com a desculpa de pedir uma cerveja. O garçom nos serve. Brindamos. Ela me coloca a par das novidades. Presto atenção, embora não me sinta envolvido pelas histórias que incluem uma porção de gente que eu mal conheço. Balanço a cabeça e teço um ou outro comentário. No mais, observo os gestos que ela faz enquanto fala. Tento me lembrar de algum deles. Vai ver foram incorporados recentemente ao repertório. Ela se cala por um instante e me olha com expressão investigadora.&lt;br /&gt;— Você mudou. Tá quieto. Sério demais.&lt;br /&gt;Penso comigo que foi o mundo todo que mudou. Eu apenas reagi da melhor maneira que pude, me retraindo um pouco mais para poder guardar os pedaços -- de momentos, lugares, pessoas -- intactos aqui dentro. Mas não respondo nada disso.&lt;br /&gt;— Tô só fazendo tipo. Continuo o mesmo bocó de sempre.&lt;br /&gt;Ela ri.&lt;br /&gt;— Tem que ser um bocó mesmo pra usar a palavra “bocó”.&lt;br /&gt;Percebemos que as horas passaram quando nossa conversa é cortada pelo barulho de uma porta de aço, daquelas de enrolar, sendo abaixada. Não há quase ninguém além de nós dentro do bar. Alguns funcionários já se preparam para encerrar o expediente. Dividimos a conta. Percebemos que foram muitas garrafas de cerveja quando a calçada parece um pouco distante de nossos pés. Penso em sugerir um táxi, mas, numa espécie de acordo sem palavras, acabamos indo a pé.&lt;br /&gt;Ela ri de um episódio engraçado que eu conto e seu riso fácil e solto aquece meu coração dum jeito familiar. Quando reconheço o caminho de volta para sua casa, tudo parece se encaixar. Quase consigo ouvir o choro do violino e a voz rascante de Van Morrison. Ela adivinha meus pensamentos.&lt;br /&gt;— Sabe que andar assim, a dois, é como dançar sem música. Cada um começa no seu próprio passo, mas depois de algum tempo a gente acaba encontrando um ritmo comum. Às vezes, um dos dois tem que se deixar conduzir, o que envolve certo grau de confiança. Mas hoje em dia ninguém mais anda. Todo mundo corre. Pra chegar logo a algum lugar ou então pra fazer exercício.&lt;br /&gt;Paramos em frente à sua casa. Ela olha para o chão, depois para o relógio em seu pulso e então para o portão. O instante de silêncio parece durar uma eternidade e mais uma vez temo que ela flagre a ansiedade do meu coração. Com um meneio de cabeça, ela tenta dar um ar de casualidade ao convite titubeante.&lt;br /&gt;— Quer entrar?&lt;br /&gt;Encaro-a firmemente, para que não haja dúvidas de que eu quero. Muito. Respondo.&lt;br /&gt;— Eu... Tenho que andar.&lt;br /&gt;Não há abraço na despedida. Ela apenas sorri e me joga um beijo com a mão. Enquanto caminho sem olhar para trás, a música termina em fade out, dando lugar ao eco dos meus passos na madrugada deserta. Saio da calçada e sigo andando pelo meio da rua, a faixa branca pintada no asfalto preto me lembrando que existe escuridão, mas também luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7816053392587728688?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7816053392587728688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7816053392587728688&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7816053392587728688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7816053392587728688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/05/and-healing-has-begun.html' title='[And the healing has begun]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-94470756881421168</id><published>2008-05-15T01:49:00.003-03:00</published><updated>2008-06-15T14:43:10.541-03:00</updated><title type='text'>[Apenas]</title><content type='html'>Ando até sangrar os pés.&lt;br /&gt;Não ganho distância, apenas feridas.&lt;br /&gt;Compro band-aids.&lt;br /&gt;Que não curam, apenas cobrem.&lt;br /&gt;Escrevo algumas linhas.&lt;br /&gt;Que não completam, apenas doem.&lt;br /&gt;Abro uma garrafa.&lt;br /&gt;A única que me dá apenas o que espero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-94470756881421168?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/94470756881421168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=94470756881421168&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/94470756881421168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/94470756881421168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/05/apenas-ando-at-sangrar-os-ps.html' title='[Apenas]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6726754949131817456</id><published>2008-04-24T15:38:00.006-03:00</published><updated>2008-06-15T14:42:50.736-03:00</updated><title type='text'>[Miss Misery]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por incrível que pareça, Maria Angélica tinha ficado um pouco decepcionada nas primeiras semanas. Não com o trabalho em si – afinal, não podia esperar muito daquele emprego como caixa de supermercado. Mas ela achava que, pelo menos, veria um bocado de gente extravagante no turno da madrugada, para o qual havia sido escalada.&lt;br /&gt;Uma vez, um mendigo apareceu por lá, mas mal passou da porta de entrada – o segurança logo tratou de botá-lo para correr. Noutra ocasião, percebeu um burburinho entre os funcionários, provocado por uma morena e uma loira tingida, que trajavam, respectivamente, microssaia e micro-top e vestido justíssimo e curtíssimo. Ambas cheiravam a cigarro e estavam excessivamente maquiadas. O comentário geral era de que tinham saído de um prostíbulo ali nas redondezas (elas compraram duas latinhas de energético e um chiclete de hortelã).&lt;br /&gt;Acontece que putas e mendigos não eram novidade para Maria Angélica, que estava cansada de vê-los nas suas noites de folga, até mesmo perto de casa. No mais, as madrugadas no supermercado eram freqüentadas por uma clientela bem sem graça – jovens casais (ele com sono, ela tentando lembrar de alguma coisa), senhores e senhoras de meia-idade (calados e bem-vestidos) ou então uma molecada barulhenta (voltando do baile).&lt;br /&gt;Talvez por isso, aquele sujeito acabou chamado sua atenção. Calçava chinelos e vestia um par de jeans surrados, uma camiseta amassada e um moletom que combinava tão pouco com o resto do conjunto que só podia ter sido apanhado a esmo numa pilha de roupas. Tinha os ombros curvados e não andava, arrastava-se. Os olhos eram fundos, de quem vinha enfrentando sérios problemas de insônia. Maria Angélica estava habituada aos tipos solitários que apareciam por lá de vez em quando, aparentando tédio ou até um certo grau de tristeza, dum jeito meio patético. Mas aquele sujeito era diferente – era como se houvesse uma nuvem de desespero à sua volta, acima da qual ele conseguia pairar, com a calma de quem já se deu conta de que é inútil lutar.&lt;br /&gt;— Boa noite!&lt;br /&gt;O sujeito não respondeu e nem mesmo dirigiu-lhe um olhar. Apenas colocou sobre a esteira duas caixas de Johnnie Walker Red Label vazias. Maria Angélica pediu licença e dirigiu-se ao balcão onde eram mantidas, trancadas a chave (sob poder do gerente), as bebidas importadas. Voltou com as duas garrafas de uísque.&lt;br /&gt;— Deseja algo mais?&lt;br /&gt;Uma fração de segundo antes de balançar a cabeça negativamente, o sujeito voltou-se para o painel ao lado da caixa registradora, onde ficavam penduradas as miudezas cuja única finalidade era tentar inspirar no cliente uma compra de última hora (tratava-se de um truque barato, mas que Maria Angélica já tinha visto funcionar uma porção de vezes). Ele tocou com a ponta do dedo numa embalagem de refil para aparelho de barbear.&lt;br /&gt;— Já não fabricam mais aquelas lâminas avulsas? Aquelas que vinham numa caixinha pequena, enroladas uma por uma em papel?&lt;br /&gt;Maria Angélica conhecia as tais lâminas. Eram as mesmas que seu pai usava. Ele desmontava o antiquado aparelho de barbear, soltando os pequenos parafusos, depois encaixava a lâmina nova e então montava tudo outra vez. Espalhava a espuma pelo rosto com o pincel e em seguida fazia o aparelho deslizar sobre a pele em movimentos rápidos. Era seu ritual de todas as manhãs. Exceto nos finais de semana. Nesses dias, Maria Angélica gostava de se sentar no colo do pai e acariciar seu rosto, sentindo os pêlos da barba pinicando sua mão. Era o sinal de que ficariam juntos, pelo menos até o domingo à noite.&lt;br /&gt;Mas o sujeito que ela tinha diante de si no caixa do supermercado era o desleixo em pessoa, tanto no jeito de se vestir quanto nos cabelos desgrenhados e ensebados e na barba por fazer. Maria Angélica sentiu um calafrio ao se perguntar o que alguém como ele poderia querer fazer com lâminas de barbear e duas garrafas de uísque.&lt;br /&gt;— Hã, acho que não. Mas esse aparelho aqui tá na promoção. É aquele com três lâminas, que dizem que...&lt;br /&gt;Foi interrompida pelo sujeito, que recusou sua sugestão com um meneio de cabeça, deu um tapinha numa das caixas vazias e ergueu os cantos da boca, na pior imitação de sorriso que Maria Angélica já tinha visto na vida. Ela deu de ombros e passou uma das garrafas pelo leitor de código de barras repetidas vezes, sem obter sucesso. Talvez estivesse fazendo aquilo do jeito errado (de propósito?). O sujeito coçou o queixo com impaciência e ela então se viu forçada a digitar o código manualmente.&lt;br /&gt;— São cento e vinte nove reais e oitenta centavos.&lt;br /&gt;Maria Angélica deu uma rápida olhada no cartão de banco que o sujeito lhe entregou, antes de passá-lo pelo leitor magnético. Enquanto o pagamento era processado, ela guardou cada uma das garrafas numa caixa e colocou ambas num saco duplo. Pensou, com um pouco de raiva, que era um desperdício de papelão e plástico. Devolveu o cartão ao sujeito e lhe entregou a nota fiscal e o comprovante.&lt;br /&gt;— Boa noite. Volte sempre!&lt;br /&gt;Até ela se surpreendeu com a ênfase com que disse as duas últimas palavras. O sujeito também deve ter achado estranho, pois foi embora com o cenho franzido. Enquanto o observava se arrastando em direção à saída, Maria Angélica experimentou uma inexplicável sensação de impotência misturada com peso na consciência. No decorrer daquela semana, examinou atentamente o jornal, para ver se encontrava o nome que ela tinha lido no cartão do banco em alguma nota de óbito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6726754949131817456?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6726754949131817456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6726754949131817456&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6726754949131817456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6726754949131817456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/04/miss-misery-por-incrvel-que-parea-maria.html' title='[Miss Misery]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3460978327727790348</id><published>2008-03-22T02:53:00.004-03:00</published><updated>2008-06-15T14:42:04.010-03:00</updated><title type='text'>[Out of time]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The world is collapsing around our ears. I turned up the radio, but I can't hear it&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;Teve aquele verão em que o micro system Panasonic insistia em tocar incessantemente a fita do R.E.M. A tarde se arrastava, preguiçosa, e mesmo com o céu parcialmente encoberto o tempo estava quente e abafado. A ameaça de chuva se dissipava, conforme um pedacinho de céu azul ia aparecendo timidamente. Um vozerio vinha da cozinha, acompanhado de um cheiro desagradável: eram as mães, que falavam alto e reclamavam da tarefa ingrata de cozinhar o polvo comprado de manhã nos barcos dos pescadores. Alheios aos protestos (e ao fedor), os pais roncavam – dentro do quarto e no sofá da sala – depois de tanta cerveja e caipirinha na praia. A molecada toda tinha ido andar de bicicleta nas ruas asfaltadas do condomínio no final da enseada.&lt;br /&gt;A rede estava esticada nos dois ganchos na sacada do salão de jogos, mas eu preferia deitar no chão da garagem. Deixei um pouco de lado a história em quadrinhos e mirei por um instante os pneus dos carros estacionados, que estavam enfeitados com uma crosta de barro ressecado, lembrança da noite chuvosa que havia nos recebido na semana anterior. Meu olhar então se perdeu nos picos das encostas cobertas pela mata densa. Sobre elas, ainda pairavam as últimas nuvens escuras de tempestade. Das caixinhas de som, vinha a voz de Mike Mills cantando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Near Wild Heaven&lt;/span&gt;. Por algum motivo, a idéia de não existir nenhum pedaço inexplorado de terra ao alcance da vista me deixou um pouco melancólico. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Not near enough&lt;/span&gt;"...&lt;br /&gt;Lembrei da esposa do caseiro que trabalhara ali alguns anos atrás. Sua característica mais marcante era a habilidade de, depois de tragar o cigarro, soprar anéis de fumaça perfeitos. Mas o que me veio à cabeça foi o dia em que ela revelou que sabia ler mãos. Obviamente, as meninas soltaram gritinhos de excitação e logo formaram fila para saber o que o destino lhes reservava. Os meninos fingiam desdém, mas disfarçadamente olhavam suas mãos e xeretavam as dos outros. Acabei me tornando o centro das atenções por causa da minha linha da vida curta. A molecada espiava, espantada; alguns me encaravam com os olhos arregalados. A mulher riu e disse que não era nada daquilo que estávamos pensando.&lt;br /&gt;— Sua linha da vida não termina aqui realmente. Está vendo essa outra, que começa paralela e depois desce em direção ao monte de Netuno? Então, essa é a continuação. Isso quer dizer que você vai ter uma ruptura, uma grande mudança na sua vida. Vai ser como um renascimento.&lt;br /&gt;De espanto, os olhares dirigidos a mim passaram a ser de curiosidade e um pouco de inveja. Eu tentava dar a impressão de que não me importava, mas a verdade é que estava aliviado. Tanto que esqueci de fazer a pergunta mais importante à mulher: quando?&lt;br /&gt;Levantei-me e instintivamente olhei para a parte dos fundos da casa, onde aquela cena havia se passado. Como quem deixa as lembranças para trás, caminhei na direção oposta, rumo ao portão. A grama ainda estava levemente úmida. Alguns minutos fora da área coberta já eram suficientes para perceber que apenas o mormaço já queimava a pele. Michael Stipe cantava &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Belong&lt;/span&gt;. Talvez aquela melancolia, aquele aperto no peito, aquela sensação de alheamento que vinham me perseguindo fossem sinais da urgência de encontrar algo ao qual realmente pertencer, não por acaso, proximidade ou convivência, mas por escolha própria. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Those creatures jumped the barricades and have headed for the sea&lt;/span&gt;" – os versos continuaram ecoando na minha cabeça, mesmo depois que a música tinha terminado.&lt;br /&gt;Passado um minuto de silêncio, o estalo vindo do micro system anunciava que o lado A da fita tinha chegado ao fim. Ao invés de colocar o outro lado para tocar, fiquei ali, apoiado no portão, os ruídos da tarde me chamando de volta para o lugar onde estava: as mães agora conversavam em voz baixa, talvez algum assunto sério; um carro passava na via principal, em direção à ponte de madeira, assustando as galinhas-d'Angola que andavam soltas pela ruela.&lt;br /&gt;Depois de uma semana de chuvas, parecia que finalmente teríamos uma noite agradável de verão. Assim que a molecada voltasse, eu ia sugerir que, após o jantar, pegássemos o ônibus e fôssemos para a cidade vizinha, sem os pais. Poderíamos ir até o parque de diversões, passear na feirinha e andar no calçadão. Poderíamos fumar à vontade, comprar um garrafão de cinco litros de Sangue de Boi, encher a cara e cochilar nos bancos da rodoviária, esperando o primeiro ônibus da manhã seguinte. E, quem sabe, ter alguma história para contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E teve também aquela garota, que costumava me assustar. "Assustar" talvez não seja o termo correto, embora "surpreender" tampouco sirva para descrever com precisão alguns de seus gestos – eram como descargas elétricas e sugeriam uma intimidade que, a meu ver, ainda estávamos construindo. Como quando ela me cumprimentava com um abraço e encostava o nariz em meu pescoço. Ou quando se aproximava para sussurar algo em meu ouvido e deixava o seio roçar de leve no meu braço. Ou como naquele instante, quando simplesmente pegou na minha mão, sem mais nem menos.&lt;br /&gt;— Você tem mãos femininas.&lt;br /&gt;Franzi o cenho.&lt;br /&gt;— Hã... Obrigado?&lt;br /&gt;Ela riu.&lt;br /&gt;— É verdade. Elas são delicadas. E seus dedos são finos e compridos.&lt;br /&gt;Continuou acariciando minha mão. Pensei num verso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Half A World Away&lt;/span&gt;: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;My hand is tired, my heart aches&lt;/span&gt;". E foi como se, depois de tantos anos, eu finalmente começasse a escutar o lado B daquela fita do R.E.M. Deixei escapar um sorriso. Ela percebeu.&lt;br /&gt;— Que foi?&lt;br /&gt;Contei sobre a esposa do caseiro, a que sabia quiromancia. E sobre a linha da vida. Ela ouviu atentamente e, finda a história, examinou a palma da minha mão, como que para averiguar a veracidade do relato.&lt;br /&gt;— Olha, é dividida mesmo!&lt;br /&gt;Ela colocou o dedo sobre o ponto em que a primeira metade da linha terminava e a segunda continuava.&lt;br /&gt;— O que foi que aconteceu aqui?&lt;br /&gt;Dei de ombros.&lt;br /&gt;— Gosto de pensar que ainda não aconteceu. Que a tal da "grande mudança" ainda está por vir.&lt;br /&gt;Ela ficou olhando para mim, pensativa.&lt;br /&gt;— É um bom jeito de se encarar as coisas. Isto, é claro, se você está insatisfeito com a sua vida.&lt;br /&gt;Apenas ergui as sobrancelhas. E nem eu mesmo soube o que aquilo queria dizer. Ficamos calados durante algum tempo. Ela então me cutucou com o cotovelo.&lt;br /&gt;— Ei, já pensou? A grande mudança pode estar começando agora mesmo...&lt;br /&gt;E fez um gesto com as duas mãos, imitando a Penny Lane de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quase Famosos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;It's all happening&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;Demos risada e lembramos de outras partes do filme. Até que ela me interrompeu, erguendo o dedo em riste. Dos alto-falantes, vinha uma canção de uma daquelas bandas novas, com nomes que começavam com "The" e que eu nunca conseguia diferenciar. Ela sinalizou, como quem diz que volta num instante, e correu até a pista.&lt;br /&gt;Fiquei observando-a enquanto balançava os cabelos dum lado para o outro, pulando, cantando o refrão, tocando uma guitarra imaginária, feliz feito criança. De repente, soube que acabaria me apaixonando por ela, mas que não ficaríamos juntos. Na minha cabeça, Michael Stipe cantava: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;It seems a lot you waste your time for me&lt;/span&gt;". Ela continuava dançando. Torci para que a música nunca terminasse.&lt;br /&gt;Seria mais fácil aprender a dançar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3460978327727790348?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3460978327727790348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3460978327727790348&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3460978327727790348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3460978327727790348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/03/out-of-time-world-is-collapsing-around.html' title='[Out of time]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1908346680281874542</id><published>2008-03-05T13:55:00.011-03:00</published><updated>2008-06-15T14:41:40.805-03:00</updated><title type='text'>[Sweetness follows]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um dia lindo, quem iria querer estragá-lo com aparelhos de ar condicionado? Mas é claro que eles estão ligados, provavelmente na potência máxima, trazendo consigo um vento gélido em pleno verão, a maldita secura na garganta e aquele zumbido irritante ao fundo, quase imperceptível mas indisfarçável. Tudo bem, trata-se de um ambiente fechado e há muita gente lá dentro, mas não é nenhum cubículo abafado – pelo contrário, o salão é bastante amplo, para permitir que o som se propague. Parece que as pessoas simplesmente esqueceram que podem se abanar ou, mais simples ainda, vestir roupas leves.&lt;br /&gt;Ele olha à sua volta. A maior parte do público usa trajes elegantes – "roupa de missa", sua velha mãe costumava dizer – e pela primeira vez ele se sente pouco à vontade com seus jeans rasgados e seus tênis de lona desbotados. A camiseta até que é nova, mas é apenas uma camiseta, que, para piorar, está com pequenas manchas escuras de suor, resultado da longa caminhada do ponto de ônibus até o teatro. Ele cruza os braços na altura do peito, onde estão as manchas mais visíveis, mas sente-se meio ridículo por se preocupar com algo tão tolo e rapidamente leva as mãos para baixo novamente, fingindo folhear o programa da tarde pela enésima vez.&lt;br /&gt;A campainha soa e ele deixa escapar um suspiro aliviado. Depois de alguns minutos, os músicos sobem ao palco, acompanhados por uma salva de palmas. Ele tenta localizá-la em meio a toda aquela gente. Sabe em que direção procurar, mas sua atenção é desviada pelas pessoas ao seu redor, que se levantam para aplaudir o maestro, agora adentrando o palco. Terminada aquela movimentação toda, o espetáculo pode finalmente começar. Ele olha atentamente para cada integrante da seção de cordas e sorri ao entender por que foi tão difícil encontrá-la.  A garota usa um vestido sóbrio, preto (como a indumentária de todos os outros músicos), e traz os cabelos presos num coque. A unhas vermelhas, no entanto, estão lá, indefectíveis.&lt;br /&gt;Absolutamente concentrada, sua mão esquerda desliza com desenvoltura pelas cordas, enquanto a direita maneja o arco, em harmoniosos movimentos perpendiculares que parecem saídos de uma aula de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tai chi chuan&lt;/span&gt; ou de alguma coreografia exótica. Com o violoncelo nos braços, pendendo um pouco para o lado, a garota o faz lembrar da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pietà&lt;/span&gt; de Michelangelo. Ao mesmo tempo, as pernas envolvendo o instrumento remetem a algo sexual e a contradição entre essas duas imagens o deixam levemente perturbado. Fecha os olhos e sente o som grave das cordas do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cello&lt;/span&gt; em seu peito. Sorri ao pensar na sinestesia.&lt;br /&gt;Com exceção do solo de um instrumento de sopro e de uma intervenção da harpa, durante todo o concerto ele mantem sua atenção voltada para a garota, que abandona o arco e usa os dedos na hora do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pizzicato&lt;/span&gt;, vira com calma as folhas da partitura e apenas olha, desinteressada, na direção das duas outras instrumentistas ao seu lado, no momento em que elas cochicham algo engraçado entre si.&lt;br /&gt;Ao final do espetáculo, ele espera pacientemente em seu assento até que a confusão diminua um pouco e só então caminha pelos corredores e se dirige ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hall&lt;/span&gt; do teatro. Como não entende nada de música erudita, presta atenção à conversa do povo à sua volta numa tentativa de descobrir se o concerto foi bom ou não, mas todos parecem estar falando sobre qualquer outro assunto, menos o espetáculo que acabaram de assistir.&lt;br /&gt;Quando sai do banheiro, repara que alguns dos músicos já estão chegando ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hall&lt;/span&gt; e sendo cumprimentados por parentes e amigos. Reconhece-os por causa dos trajes pretos e por serem todos meio estranhos. Repreende-se por causa desse pensamento. Tenta se convencer de que ele é que o estranho ali, ele é quem está deslocado, fora de seu ambiente. Imagina que a gordinha de voz estridente e o rapaz de óculos e aparência frágil mais adiante podem muito bem ser amigos da garota.&lt;br /&gt;Alguns minutos depois, ela surge. Está com o mesmo vestido, mas agora tem os cabelos soltos e calça um par de tênis de oncinha que certamente não estava usando durante o concerto. Traz um cigarro preso entre os dedos da mão direita e com a esquerda segura a alça do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;case&lt;/span&gt; do violoncelo, que carrega nas costas como uma mochila. Ele acena. A garota o vê, sorri e caminha em sua direção.&lt;br /&gt;— E aí, o que achou?&lt;br /&gt;Ele pensa em mencionar a história da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pietà&lt;/span&gt;, mas ao invés disso apenas responde:&lt;br /&gt;— Foi bonito. Eu nem senti sono.&lt;br /&gt;A garota ri.&lt;br /&gt;— Ah, puxa, que bom que você não sentiu sono.&lt;br /&gt;— Nunca tinha visto você vestida assim.&lt;br /&gt;— Meio tia, né? Mas é tipo um uniforme.&lt;br /&gt;— Imaginei.&lt;br /&gt;Alguém interrompe a conversa. É uma senhora, que ele adivinha ser a mãe de um dos músicos, e que cumprimenta a garota pela apresentação. Depois que a mulher se afasta, ele diz:&lt;br /&gt;— No caminho pra cá, vi um boteco. A gente podia comemorar o sucesso do concerto.&lt;br /&gt;— O pessoal da orquestra tava combinando de ir pra algum lugar.&lt;br /&gt;— Ah...&lt;br /&gt;Ficam em silêncio. Ele observa a movimentação no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hall&lt;/span&gt;. Parece que algumas pessoas já estão indo embora. A garota solta uma baforada do cigarro e pergunta:&lt;br /&gt;— É um boteco que fica perto dum sacolão?&lt;br /&gt;— Não reparei. Mas fica no caminho do ponto de ônibus pra cá.&lt;br /&gt;— Sei.&lt;br /&gt;Depois de amassar a bituca num cinzeiro, a garota sorri e aponta para uma das saídas. Caminham até a porta. Ele dá um tapinha no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;case&lt;/span&gt; do violoncelo e pergunta:&lt;br /&gt;— Quer que eu carregue?&lt;br /&gt;A garota apenas balança a cabeça negativamente. Em seguida, sai pela porta e ganha a calçada. Aperta o os olhos por causa da claridade excessiva e, sempre sorrindo, faz um novo meneio com a cabeça, desta vez como um convite. Ele a segue e, tão logo pisa lá fora, tem a vista ofuscada pelo sol da tarde e sente o calor do verão em sua pele. E pensa novamente na sinestesia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1908346680281874542?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1908346680281874542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1908346680281874542&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1908346680281874542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1908346680281874542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/03/sweetness-follows-um-dia-lindo-quem.html' title='[Sweetness follows]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5902472133505234305</id><published>2008-02-26T13:51:00.002-03:00</published><updated>2008-06-15T14:41:16.890-03:00</updated><title type='text'>[As pontas dos dedos...]</title><content type='html'>... confirmam quem sou.&lt;br /&gt;Catam letras pra dizer o que penso.&lt;br /&gt;Revelam segredos.&lt;br /&gt;Seguem linhas.&lt;br /&gt;Tateiam.&lt;br /&gt;Mas já não tocam.&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;Ninguém.&lt;br /&gt;Tudo trasteja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5902472133505234305?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5902472133505234305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5902472133505234305&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5902472133505234305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5902472133505234305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/02/as-pontas-dos-dedos.html' title='[As pontas dos dedos...]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3150790748629560940</id><published>2008-02-13T17:40:00.009-02:00</published><updated>2008-06-15T14:40:50.937-03:00</updated><title type='text'>[One whiskey for every ghost]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um homem não vai menos perdido por caminhar em linha recta.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(José Saramago, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Ano da Morte de Ricardo Reis&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O ar está impregnado com cheiro de inseticida, o que, no fundo, talvez seja um bom sinal. O máximo que pode acontecer é aparecer uma ou outra barata morta sobre o chão de tacos (que parece não ver cera há tempos) ou dentro do armário – é um daqueles embutidos, com portas de madeira escura e puxadores dourados, já descascados. As paredes são de um branco encardido; uma delas, a lateral esquerda, que obviamente dá para o banheiro, apresenta escandalosos sinais de infiltração. Para sua surpresa, não há nenhum quadro pendurado – ele poderia jurar que encontraria pelo menos uma natureza morta. Ocupando uma posição central, com a cabeceira encostada na parede oposta à porta, está a cama, coberta por uma colcha puída, de cor e estampa berrantes, que mesmo na época em que foi comprada provavelmente já era considerada de mau gosto. Mais à direita, junto à outra parede lateral, há uma pequena cômoda com um abajur em cima.&lt;br /&gt;Ele pensa em dar uma espiada nas condições do banheiro, mas percebe a expressão de impaciência do gerente do hotel. É quase possível adivinhar o que se passa pela cabeça daquele homem: "Por esse preço, o que esperava?", ou algo do tipo. Sente-se incomodado, mas termina por suspirar e conclui que, de fato, não há tanto assim o que considerar. Um chuveiro, um vaso sanitário e uma pia já serão o suficiente; um box, um espelho e toalhas decentes serão lucro. Esboça um sorriso e anuncia que ficará com o quarto. O gerente apenas balança a cabeça. Talvez numa tentativa de arrancar uma reação um pouco mais entusiasmada daquele sujeito ranzina, ele acrescenta que pagará adiantado o valor equivalente a uma semana de estadia. Sente uma ponta de frustração quando o gerente simplesmente pede, sem alteração de humor, que o acompanhe até a recepção.&lt;br /&gt;Depois de acertar antecipadamente sua conta, retorna ao quarto, desta vez carregando sua bolsa. Larga-a sobre a cama, leva as mãos à cintura e examina o recinto mais uma vez, como se tentasse torná-lo, com um único olhar, um pouco mais familiar. Decide finalmente averiguar o banheiro. O piso vermelho-sangue forma um contraste nada agradável com as paredes, cobertas até certa altura por azulejos esverdeados. O restante leva uma tinta branca em estado ainda pior do que a do quarto, quase totalmente tomada pelas marcas de umidade. Não há box ou cortina, apenas um rodo, provavelmente inútil. Mas pelo menos há um espelho. Vai até o quarto e pega na bolsa o estojo onde guarda seus objetos de higiene pessoal. Volta ao banheiro, pega o sabonete, lava o rosto e molha os cabelos. Usa a toalha pendurada num gancho ao lado da pia, apenas para confirmar suas suspeitas: fina e áspera demais.&lt;br /&gt;Os cabelos molhados e o frescor no rosto enganam bem. Essa é sua estratégia. Sabe que se tomasse banho agora, se sentiria excessivamente relaxado, deitaria na cama, acabaria dormindo e acordaria no meio da noite; a única garrafa que lhe resta não duraria até a manhã; e então seria tarde demais para encontrar algum mercado aberto. Subitamente, a idéia de sair e fazer um reconhecimento da cidade lhe parece a melhor opção. O passeio poderá, quem sabe, lhe trazer um pouco mais de ânimo. E, claro, lhe dará oportunidade de se reabastecer de bebida. Sorri ao lembrar que, em inglês, a palavra "spirit" é usada para se referir tanto a ânimo quanto a destilados alcóolicos. Espírito.&lt;br /&gt;Tão repentinamente quanto veio, a vontade de sair desaparece. Abre a bolsa mais uma vez, agora para pegar a garrafa quase cheia de uísque nacional vagabundo. Não há interfone ou serviço de quarto naquele hotel e nem mesmo um bar ou restaurante. Ironicamente, quando ainda conhecia esses luxos, o uísque era bom o suficiente para dispensar o gelo. Resolve dar um pulo até a recepção e consultar o gerente ranzinza, que o instrui a seguir o corredor até a área dos fundos, onde há um refeitório e, mais adiante, uma pequena cozinha com fogão e refrigerador.&lt;br /&gt;Percebe que a fachada estreita do hotel o enganou; o terreno é bem mais comprido do que esperava. O refeitório, relativamente amplo, fica numa área aberta, com apenas um trecho coberto por telhas metálicas, onde ficam duas mesas compridas cercadas por bancos, lembrando uma cantina de escola ou acampamento. Há algumas pessoas sentadas: um velho solitário e uma moça que conversa animadamente com dois rapazes. A moça, apesar das medidas fartas do corpo, parece à vontade com o top e o shortinho que veste. Mesmo sem encará-los quando passa, ele é capaz de sentir os olhares de curiosidade (da moça), animosidade (dos rapazes) e indiferença (do velho) em sua direção. Balança a cabeça, numa saudação abreviada, que não chega a ser respondida. Na cozinha, pega dois copos de plástico do pacote junto ao bebedouro e abre a porta do congelador. Encontra duas fôrmas, uma cheia e outra com algumas pedrinhas faltando. Enche os dois copos com gelo e completa a fôrma com água do bebedouro. Quando passa novamente pelo refeitório, não se preocupa em ser educado e ignora os olhares.&lt;br /&gt;De volta ao quarto, senta-se na cama e enche um dos copos com uísque. Bebe um gole e faz uma careta, mas imagina que, na próxima rodada, a bebida barata já não estará tão ruim assim. Pela primeira vez em muitos dias, pergunta-se que diabos está fazendo ali. Não tem saudades de casa e não chega a nutrir sentimentos nostálgicos de espécie alguma; também não se preocupa tanto assim com o dia de amanhã. O que mais o aflige, no momento, é a sensação de estar à deriva, de seguir o fluxo, de estar à mercê do acaso ou de alguma outra força que foge de sua compreensão. Como todo o resto, aliás. Já percebeu que não adianta se debater; isso apenas o cansaria. A única saída, ao seu ver, é continuar, deixar-se ser arrastado pela correnteza e torcer para que saiba o momento certo de começar a nadar e tentar alcançar a margem.&lt;br /&gt;Enche novamente o copo que tem na mão. Olha para o outro, que repousa sobre a cômoda com o abajur, e nota que o gelo já começa a derreter. Bebe mais um gole e sorri, satisfeito, ao constatar que ainda existem pelo menos algumas pequenas certezas na vida: a segunda rodada realmente já lhe parece um pouco melhor. Sente-se disposto outra vez, o suficiente para tomar uma decisão. Assim que terminar aquele copo, irá tomar uma providência concreta a respeito do dia de amanhã: sairá do quarto, se dirigirá à cidade, comprará outra garrafa de uísque vagabundo no mercado e uma cartela de aspirinas na farmácia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3150790748629560940?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3150790748629560940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3150790748629560940&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3150790748629560940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3150790748629560940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/02/one-whiskey-for-every-ghost-um-homem-no.html' title='[One whiskey for every ghost]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5521483852106934287</id><published>2008-01-24T23:06:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:40:20.971-03:00</updated><title type='text'>[Buggin' me]</title><content type='html'>O perfume ficou na blusa.&lt;br /&gt;Atiro-a no cesto e resisto à tentação de trazê-la para perto do rosto e inspirar bem fundo.&lt;br /&gt;Ao invés disso, fecho os olhos e tento pensar no cheiro.&lt;br /&gt;Cedo ou tarde, essas coisas acabam desaparecendo.&lt;br /&gt;Aromas impregnados na roupa.&lt;br /&gt;A própria lembrança da roupa.&lt;br /&gt;Pedaços de conversas.&lt;br /&gt;Pessoas.&lt;br /&gt;Acordarei pela manhã e não lembrarei do sonho que tive.&lt;br /&gt;Verei apenas pequenas manchas pretas.&lt;br /&gt;Olhando de perto, constatarei que são fileiras de formigas.&lt;br /&gt;Elas passearão sobre os últimos fiapos de memória.&lt;br /&gt;Como se fossem restos de comida.&lt;br /&gt;Ou alguma coisa morta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5521483852106934287?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5521483852106934287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5521483852106934287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5521483852106934287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5521483852106934287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/01/buggin-me-o-perfume-ficou-na-blusa.html' title='[Buggin&apos; me]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7066342792442442229</id><published>2008-01-22T13:51:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:39:54.651-03:00</updated><title type='text'>[A concrete sky]</title><content type='html'>O asfalto molhado brilha.&lt;br /&gt;Na esquina, a carcaça enferrujada de um carro jaz sobre quatro blocos de madeira.&lt;br /&gt;A cada quarteirão, outras carcaças surgem na minha cabeça.&lt;br /&gt;Beth Orton canta nos meus ouvidos.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Your sea of doubt become your own belief&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;Eu não preciso de guarda-chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7066342792442442229?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7066342792442442229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7066342792442442229&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7066342792442442229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7066342792442442229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/01/concrete-sky-o-asfalto-molhado-brilha.html' title='[A concrete sky]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-7178973993761885484</id><published>2008-01-16T14:46:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:39:29.195-03:00</updated><title type='text'>[So pleased to be a part of the arrangement]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se o mundo aqui fora fosse seguro e controlável como aquele delimitado pelas pautas nas folhas de seu caderno, não haveria esses silêncios incômodos. Ele não tropeçaria nas palavras ao tentar dizer que tem vontade de começar a ler coisas novas, diferentes. Nem titubearia antes de acrescentar que, ao mesmo tempo, se sente estranhamente compelido a continuar lendo sempre os mesmos autores. Ele seria capaz de estabelecer o ritmo e o clima do diálogo e de dispor cada frase como quem elabora o arranjo de uma canção.&lt;br /&gt;A garota brinca com o copo e dispara:&lt;br /&gt;— Bom, se as pessoas costumam dizer que "você é o que você come" e que "o livro é o alimento da alma", então a gente pode concluir que você é aquilo que você lê.&lt;br /&gt;Ele faz cara de pensativo e depois emenda uma careta ao dizer que não quer nem pensar em como isso se aplica ao seu próprio caso. A garota ri e bebe um gole. Silêncios incômodos. Arranjos de canções. Ele repete a conclusão dela: "você é aquilo que você lê". E pergunta o que seria aquilo que você escreve. Sem pestanejar, a garota responde:&lt;br /&gt;— O que você escreve é aquilo que você quer ser.&lt;br /&gt;Ele sorri e, sem encará-la, pergunta se ela acha então que escrever é simplesmente transcrever os sonhos. A garota balança a cabeça negativamente:&lt;br /&gt;— Não. Quando eu digo "aquilo que você quer ser", significa tanto "o que você quer de verdade" quanto "o que você quer que os outros vejam". Com os sonhos, é diferente. O que você sonha é mais... íntimo. Acho que o que você sonha é como aquilo que você sussurra no ouvido da outra pessoa quando goza. Bom, sussurra, grita, geme, o que for.&lt;br /&gt;A garota ri do próprio comentário. Ele sorri timidamente e, cheio de pudor, tenta afastar a imagem que aquela metáfora sexual plantou em sua mente. Vira metade do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mojito&lt;/span&gt; em dois goles, como que para tomar coragem, e pergunta se pode usar aquilo que ela disse. Quase se arrepende ao perceber que a garota parece um pouco sem-graça:&lt;br /&gt;— Pode sim, claro. Pra falar a verdade, eu tava mesmo pensando... Bom, tava pensando que se você, algum dia, fosse escrever sobre isso, minha personagem teria pelo menos uma frase de efeito, né?&lt;br /&gt;Agora ambos riem. Ele pensa imediatamente naquele diálogo brilhante no conto do Marçal Aquino: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu vou aparecer no seu livro?, ela pergunta. Talvez. Aí ela se levanta e diz: Ah, então deixa eu pelo menos me vestir. Não quero aparecer assim, sem roupa&lt;/span&gt;". Ele cita o trecho. A garota ri novamente e bate palmas:&lt;br /&gt;— Excelente!&lt;br /&gt;Ele a observa abrir a bolsa, pegar o maço de cigarros e uma embalagem de fósforos daquelas do tipo americano, das quais é preciso arrancar os palitos com hastes feitas de papelão. Estuda a maneira como a garota executa os movimentos com as mãos de pele clara e unhas pintadas de vermelho. Inspira fundo, como que para gravar o cheiro característico que se sente quando um fósforo é aceso. Sente-se hipnotizado por aquela boca, que se comprime no momento da tragada e depois forma um bico quando a fumaça é soprada. Nota que a parte dos lábios usada para prender o cigarro está quase sem batom e adivinha que no filtro branco há duas manchas vermelhas.&lt;br /&gt;De repente, ele sabe que, mais tarde, irá escrever sobre um dia extremamente quente, a bordo de um carro sem ar condicionado, cruzando uma estrada no interior do estado. O céu de um azul impossível, sem nuvens, e os canteiros verdes com um tom amarelado. A cabeça encostada no vidro, o aroma de mato seco entrando pela fresta aberta. A imagem de uma placa anunciando risco de incêndio. E então, relendo o parágrafo, ele não conseguirá explicar por que se lembrou dessa cena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-7178973993761885484?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/7178973993761885484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=7178973993761885484&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7178973993761885484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/7178973993761885484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/01/se-o-mundo-aqui-fora-fosse-seguro-e.html' title='[So pleased to be a part of the arrangement]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1671040803277907202</id><published>2008-01-10T16:47:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:38:54.110-03:00</updated><title type='text'>[Look under your bed... It'll set you free!]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1.&lt;br /&gt;Abro a caixa azul e vejo que foi feita para guardar fitas cassete. Há duas da Elis Regina, uma do Milton Nascimento e uma dum tal de Nat King Cole; as outras seis são do Roberto Carlos. Elis e Milton costumam frequentar o aparelho de som em casa (tanto que até já memorizei trechos de algumas músicas), mas não tenho nenhuma lembrança de alguém da família escutando o Rei. Pergunto à minha mãe de quem é aquela caixa azul. "É do seu pai", ela responde. Depois sorri ao ver as seis fitas misteriosas e acrescenta: "Sabe, quando seu irmão tinha a sua idade, ele gostava do Roberto Carlos".&lt;br /&gt;Deitado no sofá, meu irmão resmunga, como que protestando contra aquela revelação constrangedora a respeito de seu passado. Na tevê, o videoclipe do moço loiro cantando no meio dum monte de sucata dá lugar ao dos quatro cabeludos com os rostos pintados e vestidos com roupas de couro, botas de salto alto, correntes e pulseiras com pontas de metal que lembram pregos. Um dos cabeludos mostra uma língua comprida e eu penso que já vi aquela cena antes. Meu irmão se levanta do sofá e aumenta o volume da tevê – talvez seja uma maneira de enfatizar que é daquilo que ele gosta agora. Guardo a caixa azul onde a encontrei, me sento na poltrona ao lado do sofá e presto atenção no videoclipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;Sempre durmo logo no começo da viagem, ainda na serra (acho que por causa do balanço provocado pelas curvas), e só acordo quando o carro já está chegando de volta à cidade. É justamente naquele ponto em que meu pai costuma ligar o rádio. Quando éramos pequenos, ele sintonizava na estação de sua preferência (de programação esportiva, claro) e meu irmão e eu torcíamos para que calhasse de passar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Show do Rádio&lt;/span&gt;. Hoje, diante dos insistentes pedidos do meu irmão, meu pai se vê obrigado a sintonizar numa estação FM (de rock, claro).&lt;br /&gt;A música soa familiar – desconfio que ela esteja num dos discos que meu irmão escuta com freqüência em casa. Mas há algo diferente nela; algo que desta vez prende minha atenção. A voz que vem dos alto falantes canta que "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a tempestade que chega é da cor dos seus olhos castanhos&lt;/span&gt;" e eu imediatamente penso numa das meninas da praia. Então percebo que, apesar de já ter ouvido aquela músicas antes, é a primeira vez que entendo realmente o que ela diz. Enquanto o cantor brada que "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;somos tão jovens&lt;/span&gt;", eu paradoxalmente me sinto um pouco menos criança.&lt;br /&gt;Pergunto para o meu irmão se ele tem aquele disco. Ele balança a cabeça afirmativamente e me olha desconfiado, como quem se pergunta por que diabos o pirralho está interessado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;Sentado como um índio diante do armário aberto, meus dedos passeiam pelas capas de papelão dos LPs. A maioria dos nomes me é desconhecida e há casos em que nem nome há, apenas uma imagem – como a ilustração de um rosto com expressão agoniada, a boca aberta deixando ver até a úvula. Detenho-me com maior curiosidade diante daqueles artistas dos quais já ouvi falar e que sei que são importantes: Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix.&lt;br /&gt;Mas o que mais me chama atenção é um LP cuja capa traz uma foto em preto e branco. São quatro cabeludos, em pé diante duma parede de tijolos, todos usando tênis, jeans rasgados, camisetas e jaquetas de couro. O figurino lembra Elvis Presley ou aquele galã de cinema que morreu num acidente de carro, mas os quatro estão longe do ideal de beleza. Pelo contrário: são feiosos, magrelos e desleixados.&lt;br /&gt;Coloco o disco no aparelho de som. As canções são animadas, lembram um pouco o rock antigo, mas ao mesmo tempo são diferentes – mais sujas, toscas, como se eles não estivessem preocupados em tocar direito, apenas em tocar algo parecido com o que eles gostam de escutar. A impressão que o som me passa é a mesma que a foto – aqueles são os garotos esquisitos da escola, que não têm vergonha de imitar seus ídolos na hora de se vestir e de tocar, mesmo sabendo que não são bonitos e nem bons músicos. Taí, esses Ramones são bem legais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;Estou empolgado, o que, de certa forma, faz com que eu também me sinta um pouco envergonhado de mim mesmo. Tento me convencer de que é apenas uma loja e que é o cúmulo do consumismo besta ficar todo animado só por estar na Virgin Megastore. No fim das contas, acabo deixando toda a reserva de lado – afinal, seria a mesma coisa que dizer que aquele quarteirão é apenas um quarteirão. É Times Square, diabos!&lt;br /&gt;Procuro não me deter muito diante das gôndolas, pois não tenho dinheiro para gastar em CDs. Pego apenas aquilo que havia prometido para mim mesmo que compraria de qualquer maneira: a caixa do Eric Clapton. Falta só encontrar um presente para o meu irmão, uma tarefa nada fácil, levando-se em consideração a quantidade de discos que o sujeito já possui. De repente, tenho uma idéia, mas vou precisar de ajuda. Olho ao meu redor, em busca de um vendedor que pareça ter o perfil adequado. Escolho a menina de óculos com jeito de nerd.&lt;br /&gt;No meu inglês vacilante, digo que estou procurando o disco duma banda da qual não lembro o nome. Só sei que o disco se chama &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Among My Swan&lt;/span&gt;. Ela faz um sinal afirmativo com a cabeça e então sai caminhando por entre os corredores. Sigo-a até uma das gôndolas, de onde ela puxa um CD e me entrega: "There you go. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Among My Swan&lt;/span&gt;, by Mazzy Star". Faço aquela expressão típica de quem finalmente lembrou de algo que estava na ponta da língua e repito: "Mazzy Star!" Sorrio, agradeço e examino o disco, pensando que meu irmão também ficaria empolgado na Virgin Megastore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;Rasgo o papel de presente daquele embrulho pesado já sabendo o que é. Afinal, meu irmão havia comentado sobre o livro alguns dias antes, obviamente numa tentativa de me sondar. Dito e feito: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer&lt;/span&gt;. Agradeço com um abraço, sem-graça por não ter comprado nada para ele. Vou parando aleatoriamente em algumas páginas e fico satisfeito ao ver que estão lá Elvis Costello, Tom Waits e até mesmo Emmylou Harris e Gillian Welch, o que significa que eu poderia morrer tranquilo.&lt;br /&gt;Penso em listar quais daqueles discos eu já ouvi, quais eu ainda pretendo ouvir e quais eu não tenho o menor interesse em ouvir. Vai ser divertido. Meus dedos passeiam pelas páginas do livro, como faziam antes pelas capas dos LPs do meu irmão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1671040803277907202?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1671040803277907202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1671040803277907202&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1671040803277907202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1671040803277907202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/01/look-under-your-bed.html' title='[Look under your bed... It&apos;ll set you free!]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8706826462057001913</id><published>2008-01-02T13:35:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:38:20.746-03:00</updated><title type='text'>[Os elefantes de Bornéo]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele balança a cabeça negativamente e bufa com desprezo, como que para enfatizar sua indignação – o que seria perfeitamente compreensível, não fosse o fato de que não há mais ninguém dentro do carro. Os vidros estão completamente abertos, mas ele transpira com o calor abafado. Não sopra nenhum vento, nem mesmo a brisa vinda do mar. Sozinho, no estacionamento daquele condomínio fechado, sente-se traído, enganado.&lt;br /&gt;Na verdade, não se trata de um estacionamento. São apenas algumas vagas, provavelmente reservadas para visitantes, numa pequena área próxima à entrada principal, alguns metros antes do fim do trecho asfaltado. Depois da curva seguinte, a pista volta a ser de terra e então se tranforma na rua que corre paralela à praia. "Pelo menos os filhos da puta tiveram o bom senso de só asfaltar até aqui", pensa consigo mesmo. Este é, em grande parte, o motivo de sua frustração: aquela praia havia tido papel fundamental em sua infância e, no entanto, agora lhe parece quase irreconhecível.&lt;br /&gt;Pensando em restrospecto, fica a impressão de que houve sempre uma praia ditando os rumos de sua vida. E, durante uns bons anos, foi aquela vila de pescadores. Para um menino, parecia distante demais, diferente de tudo o que conhecia. Não havia televisão na casa simples que seus pais alugavam. Os barcos chegavam logo cedo, carregados de peixes e mariscos. Na volta da caminhada matinal, o mercado já estava aberto, vendendo pão sovado ao invés do francesinho de sempre. O muro no final do terreno dava para um pedaço de mangue, onde era possível ver os caranguejos passeando, com uma pinça maior que a outra. Depois do camping, tinha a ponte de madeira sobre o rio; cruzando-a, chegava-se à estradinha na encosta. No meio do caminho ficava a bica d'água e no final havia a praia deserta, guardada pela cerca e pelos homens a cavalo com seus cães. Além das pedras, estava o mar desconhecido, habitado por ouriços, moréias e algas avermelhadas.&lt;br /&gt;De repente, ele se lembra que já naqueles dias a vila mostrava os primeiros sinais de sua vocação para cidade. Veio o primeiro condomínio e, com ele, o rochedo cortado ao meio e o estaleiro que fez avançar o mar e mudou o desenho daquele pedaço da costa. Mais ou menos na mesma época, vieram também as meninas. E o irmão mais velho, antes companheiro inseparável, o deixou de lado para andar atrás delas. Seus pais não permitiam que fizesse sozinho os programas de outrora, como descer o rio de bote, da ponte até o mar. Teve que se contentar, portanto, em percorrer de bicicleta as ruas de terra da vila. Levou anos para se acostumar aos verões solitários. Tempo suficiente para fumar seus primeiros cigarros, escondido na rodoviária, para tomar seu primeiro porre e para começar ele mesmo a andar atrás das meninas.&lt;br /&gt;Há algumas ali, naquele novo condomínio. São pré-adolescentes ainda, sentadas no meio-fio da rua que se estende além da entrada principal. Duas têm as bicicletas paradas logo em frente. Todas cochicham e depois riem alto, provavelmente fofocando sobre o menino mais bonito da praia ou algo parecido. Ele suspira. A vila de pescadores pode ter dado espaço a um punhado de sobrados idênticos. Mas o mar e as meninas, ao que parece, continuam iguais.&lt;br /&gt;Resmunga, repreendendo a si mesmo, ao perceber que o segurança responsável pela vigilância daquela entrada vem caminhando em direção ao carro – o que o faz se dar conta de que ficar estacionado ali, olhando em direção às garotinhas, é uma atitude no mínimo suspeita. Sua barba por fazer e a garrafa de uísque sobre o banco do passageiro também não contribuem em nada.&lt;br /&gt;O segurança pára ao lado da porta do motorista, apóia a mão esquerda no teto do carro e leva a direita à cintura. Ele pensa que o gesto, aparentemente casual, pode muito bem ser um macete do segurança para discretamente deixar a arma ao alcance. Não há coldre pendurado no cinto do homem uniformizado, portanto não deve ter um revólver. Se tivesse que escolher entre ser atingido por um cassetete, um spray de pimenta ou uma arma de choque, definitivamente ficaria com o choque. O segurança se inclina, examina seu rosto e o interior do veículo (detendo o olhar por mais tempo na garrafa de uísque) e então diz:&lt;br /&gt;— Bom dia, senhor.&lt;br /&gt;— Bom dia.&lt;br /&gt;— O senhor está aguardando algum dos moradores? Se quiser, podemos interfonar...&lt;br /&gt;— Não, obrigado. Não tô esperando ninguém.&lt;br /&gt;— Hum. O senhor veio visitar algum dos moradores?&lt;br /&gt;— Não, não vim visitar ninguém.&lt;br /&gt;O tom de voz do segurança, até então firme porém cortês, torna-se ligeiramente ríspido:&lt;br /&gt;— Neste caso, vou ter que pedir para o senhor sair com seu veículo. O senhor não pode ficar parado aí. Essas vagas são reservadas para os visitantes do condomínio.&lt;br /&gt;Ele pensa em protestar, dizendo que não há nenhuma placa alertando sobre o caráter exclusivo das vagas, que não há mais ninguém querendo estacionar ali e que ele freqüenta a praia muito antes de existir um condomínio naquele local. Ao invés disso, apenas oferece um sorriso amarelo ao segurança e responde que já está saindo. Manobra o carro, levanta os vidros até a metade, liga o som e sai em disparada, tentando descobrir o que foi que o incomodou tanto: o fato de ter sido expulso ou a frase "O senhor não pode ficar parado aí".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8706826462057001913?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8706826462057001913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8706826462057001913&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8706826462057001913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8706826462057001913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2008/01/os-elefantes-de-borno-ele-balana-cabea.html' title='[Os elefantes de Bornéo]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-8568470494309338917</id><published>2007-12-28T19:26:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:37:54.500-03:00</updated><title type='text'>[Balanço]</title><content type='html'>Hold onto nothing&lt;br /&gt;As fast as you can&lt;br /&gt;Well, still...&lt;br /&gt;Pretty good year&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tori Amos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-8568470494309338917?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/8568470494309338917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=8568470494309338917&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8568470494309338917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/8568470494309338917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/12/balano-hold-onto-nothing-as-fast-as-you.html' title='[Balanço]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5064856122258720555</id><published>2007-12-19T17:09:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:37:33.457-03:00</updated><title type='text'>[Veritas]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De volta do mercadinho, ele faz uma careta ao sentir o cheiro de mofo no quarto, o qual não havia percebido antes de sair para a rua. Deixa o garrafão de cinco litros em cima da cômoda e abre a janela. Olha rapidamente em direção à árvore solitária na beira do rio, apenas para não perder o costume, e somente então se senta na cama ainda desarrumada. Observa o brilho avermelhado provocado pelo raio de sol incidindo sobre o garrafão de vinho vagabundo e se lembra de uma conversa que teve alguns meses atrás.&lt;br /&gt;Na verdade, foi mais um monólogo. Começou, como sempre, com divagações:&lt;br /&gt;— Teve uma época em que eu queria ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sommelier&lt;/span&gt;, sabia? Tava encantado com os rituais, os detalhes, aquele misto de religião com ciência. Mas, ao mesmo tempo, eu ficava incomodado com aquela empáfia toda de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;decanter&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bouquet&lt;/span&gt;, retrogosto e o caralho. Achava uma tremenda futilidade ficar babando por uma garrafa que custava quase um salário mínimo. Mas no fim das contas, eu acabava chegando à conclusão de que aquela minha implicância devia ser só dor-de-cotovelo, coisa de quem não podia ir à festa chique porque não tinha o traje apropriado.&lt;br /&gt;Ele se levanta e se coloca diante da cômoda, tocando de leve no garrafão com as pontas dos dedos. E se lembra do que disse em seguida:&lt;br /&gt;— Hoje, aquilo tudo soa como um pensamento besta. Como a lembrança dum desejo infantil de ser astronauta ou caubói. Porque hoje eu escolho a garrafa não a partir do rótulo, mas sim pela etiqueta do preço. Hoje o único varietal que eu conheço é o "de mesa". Hoje as minhas marcas preferidas são as que vêm lacradas com tampa de plástico, porque são mais baratas que um saca-rolhas. Hoje, em ocasiões muito especiais, eu me dou ao luxo de comprar um argentino meia-boca na promoção. E ainda me esforço pra ele durar pelo menos duas noites, pra valer a pena. Hoje o grande ritual do vinho não é antes de abrir, mas sim depois de entornar a garrafa toda. É assim: eu sento no vaso, cago e depois, ainda meio bêbado, fico lá dando risada da coloração escura da bosta. Aquela coisa meio preta, meio esverdeada.&lt;br /&gt;Sorri ao se lembrar da cara de nojo que ela fez diante da conclusão escatológica. Mas sente uma pontada de melancolia ao pensar na única coisa que ela disse depois daquele monólogo:&lt;br /&gt;— Mas, vem cá, você tá realmente falando de vinho?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5064856122258720555?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5064856122258720555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5064856122258720555&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5064856122258720555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5064856122258720555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/12/veritas-de-volta-do-mercadinho-ele-faz.html' title='[Veritas]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1442037760226282569</id><published>2007-11-22T03:03:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:37:09.395-03:00</updated><title type='text'>[O vermelho que abre este dia]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encolhido na poltrona de revestimento desbotado e meio puído do quarto de hotel, ele despeja o restinho de vinho no copo. Em seguida, deita aquela garrafa vazia no chão e a empurra com força moderada, fazendo-a rolar em direção à outra, que jaz enconstada perto do armário desde o início da madrugada. O tilintar provocado pelo choque entre as duas o faz lembrar do pai, que sempre andava para cima e para baixo com um engradado de vasilhames no porta-malas da perua. Olha para a cômoda e se certifica de que resta a terceira e última garrafa de vinho, ainda lacrada, dentro do saco plástico de supermercado.&lt;br /&gt;Vira-se para trás e fica de joelhos sobre a poltrona. Aproxima o rosto da janela e sua respiração embaça o vidro, que do lado de fora está enfeitado por dezenas de gotículas de orvalho. Sinal de que será mais um dia frio naquelas bandas. Pensa num bule fumegante despejando chocolate quente numa xícara branca – justo ele, que não bebe leite. De uns tempos para cá, isso tem se repetido com cada vez mais freqüência: coisas que ele nunca fez surgem de repente em sua mente, como se fossem lembranças vívidas, quase palpáveis.&lt;br /&gt;A vista da janela o agrada, embora imagine que se sentiria satisfeito qualquer que fosse a paisagem lá fora. É esse tipo de efeito e fascínio que as cidades desconhecidas exercem sobre ele. Tudo ainda está silencioso e adormecido e as ruas estão desertas. Contém o ímpeto repentino de pegar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;MP3-player&lt;/span&gt; na bolsa. A música tem o poder de definir o humor do dia – e naquela manhã em especial, ele prefere deixar que o dia escolha seu próprio ritmo. Uma balada da Gillian Welch. Um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;midtempo&lt;/span&gt; do Clem Snide. Uma paulada dos Drive-By Truckers.&lt;br /&gt;Do outro lado da rua, um muro branco descascado separa a calçada de um extenso terreno vazio. Ao longe, um salgueiro-chorão solitário guarda a ribanceira do rio. Ele gosta daquela árvore – sua aparência melancólica e seus contornos imprecisos o fazem pensar num quadro de Monet, impressão esta reforçada pela luz difusa dos tímidos primeiros raios de sol daquela manhã. Melhor seria se conseguisse enxergar o leito do rio. Seu estômago ronca, avisando-o que a última refeição foi feita na tarde anterior. O jantar foi cancelado em virtude da chuva que caiu no começo da noite. Bebe o último gole.&lt;br /&gt;Lembra-se da história do velho que vivia numa cabana nas margens de um rio parecido com aquele e que era capaz de dizer se iria chover ou não apenas farejando o ar e olhando para as águas barrentas. Balança a cabeça negativamente, sem conseguir se lembrar se alguém tinha lhe contado essa história, se tinha lido-a em algum lugar ou se tudo não passava de mera invenção sua. Não importa, ele pensa; de um jeito ou de outro, o velho existe em algum lugar. Levanta-se, tira o canivete do bolso, caminha até a cômoda e abre a terceira garrafa, enquanto decide se enche a banheira com água quente ou se sai para procurar uma padaria que esteja aberta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1442037760226282569?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1442037760226282569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1442037760226282569&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1442037760226282569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1442037760226282569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/11/o-vermelho-que-abre-este-dia-encolhido.html' title='[O vermelho que abre este dia]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3022324869251083432</id><published>2007-11-01T00:30:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:36:43.366-03:00</updated><title type='text'>[Latitudes]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ar que entra em alta velocidade pela fresta aberta no vidro do carro ajuda a aliviar o calor, mas o barulho do vento o obriga a aumentar o volume do som. Os alto-falantes vibram com um refrão dos Avett Brothers. Ele olha para a paisagem lá fora e constata o quanto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;country&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bluegrass&lt;/span&gt; combinam com a estrada – a batida do violão e o cheiro misturado de mato e asfalto; a sonoridade do banjo e as plantações que se estendem em campos aparentemente infinitos à sua direita; os vocais em dueto e as pistas que seguem paralelas mas em sentidos opostos.&lt;br /&gt;Enquanto bate alternadamente os polegares no volante, ele move os lábios, dublando a canção: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;My dreams are lies that I have tried to ignore&lt;/span&gt;". Olha para o painel e sorri ao perceber que o mostrador de combustível indica que o tanque já está na metade. É como se, simbolicamente, estivesse prestes a cruzar uma linha imaginária – sua última chance de pegar um retorno; caso contrário, não terá gasolina suficiente para o caminho de volta.&lt;br /&gt;De repente, lembra-se do quanto ficou fascinado quando aprendeu na escola que o Trópico de Capricórnio passava bem em cima da Catedral da Sé, pertinho de onde morava. Qual não foi sua surpresa quando, tempos depois, viajando para a praia com a família, durante as férias de verão, avistou uma placa na estrada, anunciando que o Trópico também passava por ali. Viu uma placa parecida em outra ocasião, quando foi visitar uma tia que morava no interior. Com sua fértil e impressionável imaginação de criança (capaz de levá-lo a Macapá ou Londres sem sair do quarto), pensou que aquela linha o alcançaria dum jeito ou de outro, não importando a distância que percorresse.&lt;br /&gt;O assunto só voltou à sua mente na época da faculdade. Por volta do terceiro semestre, já havia conhecido praticamente todos os parques da cidade, acompanhando a namorada e os amigos, que, por alguma razão inexplicável, gostavam de fumar maconha em meio às árvores. Num desses "passeios verdes", encontrou no Horto Florestal um marco de pedra com dizeres idênticos aos das duas placas na estrada. Enquanto a turma toda fazia piadas, ficou calado durante alguns instantes, pensando que, além do espaço, o Trópico também era capaz de atravessar o tempo.&lt;br /&gt;Ele ri daquelas lembranças com alguma tristeza. Abre um pouco mais o vidro do carro e inspira o ar seco. Aumenta novamente o volume do som e pisa no acelerador, decidido a descobrir até onde aquele meio tanque de gasolina conseguirá levá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3022324869251083432?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3022324869251083432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3022324869251083432&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3022324869251083432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3022324869251083432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/11/latitudes-o-ar-que-entra-em-alta.html' title='[Latitudes]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1623629152557211387</id><published>2007-10-22T16:21:00.001-02:00</published><updated>2008-06-15T14:36:19.226-03:00</updated><title type='text'>[1.21 gigawatt]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levo-a pela mão até a praça em frente à sua casa. Ela caminha até a quadra vazia, vira-se para mim e pergunta: "Cadê o menino?" Imagino que ela gosta de brincar com as outras crianças – ou, pelo menos, de segui-las para cima e para baixo, já que o tal menino não deve ter idade ou paciência para brincar com uma garotinha de dois anos. Respondo que ele deve estar em casa, assistindo tevê. Sentamo-nos num dos degraus que conduzem à quadra. Mostro para ela o quanto as folhas marrons, secas, fazem barulho quando esmagadas. Ela sai recolhendo outras folhas pelo gramado até encontrar uma mais dura, que mais se parece com a metade de alguma espécie de vagem, também ressecada. Ensino para ela que aquela tem que ser esmagada com o pé e faz um barulho ainda mais alto. Achamos a outra metade da vagem, mas ela demora para esmagá-la com seus pezinhos miúdos.&lt;br /&gt;Por detrás da quadra, surgem um velho e um garoto, ambos montados em cavalos. Aponto e pergunto se ela quer ver os bichos de perto. Pego em sua mão, mas ela olha para mim com cara de choro, balançando a cabeça negativamente. "Você tem medo? Tudo bem, a gente não precisa ir até lá. Dá tchau pro cavalo. Tchau, cavalo!" Ela acena com a mão dum jeito engraçado, só dela. O garoto, ao contrário do velho, olha para trás e nos acena de volta.&lt;br /&gt;Penso num fim-de-semana que passei com minha família, quando ainda era pequeno, numa cidadezinha na Serra da Mantiqueira. Havia um passeio a cavalo. O instrutor me ajudou a montar e me ensinou os comandos. Bater gentilmente com os calcanhares no dorso do animal para fazê-lo andar. Puxar o lado direito das rédeas para fazê-lo virar para a direita; puxar o esquerdo para fazê-lo virar à esquerda. Puxar ambos os lados para fazê-lo parar. Apesar da vontade, fiquei com medo de perguntar qual era o comando para fazer o cavalo galopar.&lt;br /&gt;Ela quer caminhar em cima das muretas de pedra que cercam os canteiros com flores e árvores, então vou caminhando ao seu lado, segurando suas mãos. Quando terminamos de dar a volta numa das muretas, ergo-a pelos braços e faço-a "voar" até o outro canteiro. Ela gosta da brincadeira e desiste das muretas – agora só quer saber de "voar". Ergo-a inúmeras vezes, até ficar com dor nas costas. Ela pede: "De novo!" Respondo que estou cansado e chamo sua atenção para a fila de formigas no gramado. Seguimos os insetos até o formigueiro, um montinho de terra num dos canteiros. Ela quer pegar uma formiga que carrega um pedacinho verde de folha, mas aviso para ela tomar cuidado pois o bichinho pica. "Pica?", ela pergunta. Balanço a cabeça afirmativamente e sorrio, imaginando que ela, criança curiosa, já deve conhecer a dor.&lt;br /&gt;Lembro que, quando pequeno, minha mãe me incumbia de seguir as formigas que apareciam na cozinha de casa para achar o formigueiro. Geralmente, encontrava-o num buraco no rejunte entre dois azulejos sobre a pia da própria cozinha ou então num vão do rodapé da sala. Eu tinha que fechar a entrada do formigueiro com massa epóxi, que meu pai tinha me ensinado a usar: era só pegar um pedacinho do tubo cinza, um pedacinho do tubo branco, juntá-los e amassá-los até formar uma massinha cinza-claro. Então eu espalhava a bolinha de massa sobre o buraco do formigueiro e observava as formigas andando dum lado para o outro, perdidas, sem saber o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;Eu e ela caminhamos meio agachados pelo gramado, procurando outros insetos, mas tudo o que encontramos são gravetos em formatos engraçados e sementinhas avermelhadas. Fico torcendo para achar um tatu-bola para poder mostrar para ela como o bichinho se enrola todo. Percebo que ela está em pé, parada, olhando fixamente em direção à sua casa. Sigo seu olhar e vejo que um carro acaba de estacionar em frente ao portão da garagem. Pergunto: "Quem será? Vamos ver quem chegou?" Ela sai em disparada, andando apressadamente, meio atrapalhada, movendo os bracinhos como se estivesse correndo, dum jeito engraçado, só dela. Sigo-a de perto e sorrio, pensando que, às vezes, sou tão criança quanto ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1623629152557211387?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1623629152557211387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1623629152557211387&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1623629152557211387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1623629152557211387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/10/1.html' title='[1.21 gigawatt]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5782184274516891116</id><published>2007-09-30T03:36:00.001-03:00</published><updated>2008-06-15T14:35:51.846-03:00</updated><title type='text'>[Looking for the heart of Saturday night]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O carro encosta junto à calçada e, mesmo com o pisca-alerta ligado, o motorista de trás buzina, impaciente. A porta do passageiro se abre e a moça tenta desembarcar o mais rapidamente possível, para não atrapalhar ainda mais o trânsito. Ela está muito mais agasalhada do que a temperatura realmente exige (veste blusa de lã, cachecol e sobretudo), traz uma bolsa que parece pesada na mão esquerda e uma pasta na direita. Desajeitada, ela se complica na hora de bater a porta com o cotovelo e deixa cair a bolsa. Ao se abaixar para pegá-la, acaba se descuidando da pasta, que se abre e despeja uma porção de folhas de papel. O vento sopra com força, fazendo com que elas saiam voando. A moça ri, num misto de nervosismo e constrangimento, e corre para recuperá-las.&lt;br /&gt;Cinco ou seis folhas vêm na direção do sujeito que caminha pela calçada. Ele consegue apanhá-las e instintivamente as examina para saber do que se trata, sem se preocupar com a indiscrição do gesto. Sorri ao perceber que pertencem a uma partitura – os símbolos musicais se espalham ao longo do pentagrama, como formigas aprisionadas no papel. Olha para a moça, que acaba de recolher as outras folhas no meio-fio e caminha em direção a ele, com um sorriso tímido. Ela então se aproxima e diz, sem-graça: "Obrigada".&lt;br /&gt;O sujeito devolve o sorriso e estende o braço. Por uma fração de segundos, pensa em largar as folhas e deixar que o vento volte a soprar aquela música pelo ar, num concerto visual e cinético. Ao invés disso, ele simplesmente as entrega para a moça e acena de leve com a cabeça. Vira as costas e segue seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traído pela memória, ele se surpreende com a distância. Depois de muito andar, finalmente se vê diante da fachada, que parece exatamente a mesma, embora o interior esteja bastante diferente. A freqüência do local também mudou – há pelo menos três vezes mais fregueses do que a meia-dúzia de gatos-pingados que costumava aparecer por ali. Ele resmunga, ranzina, reparando nos luminosos de neon e nos displays com cartões postais pendurados na parede. E se pergunta onde foi parar a pequena lousa verde, onde antes se lia as promoções do dia escritas a giz, num português nem sempre correto. Pensa que a atmosfera caseira e aconchegante de negócio familiar foi substituída por um clima frio e distante de franquia.&lt;br /&gt;Escolhe, como sempre, a mesa do canto. Irrita-se com a demora no atendimento e pega ele mesmo um cardápio em cima do balcão. Há muito mais opções do que antes, mas nenhuma muito atraente. Quando o garçom finalmente chega, ele pergunta pela cerveja holandesa. "Ih, o senhor vai me desculpar, mas tá em falta", o garçom lamenta. Ele responde com um sorriso amarelo, mas pensa em um palavrão. Definitivamente, não há nada sagrado nesta terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinho tinto.&lt;br /&gt;Uma empanada de carne.&lt;br /&gt;Guardanapos.&lt;br /&gt;Mordidas na ponta do lápis.&lt;br /&gt;Bloco de notas aberto.&lt;br /&gt;Intermináveis minutos detido numa única palavra, como se tudo dependesse de uma simples escolha.&lt;br /&gt;"Um acento faz toda a diferença".&lt;br /&gt;Doido. Doído. Doido. Doído. Doido. Doído.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5782184274516891116?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5782184274516891116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5782184274516891116&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5782184274516891116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5782184274516891116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/09/looking-for-heart-of-saturday-night-o.html' title='[Looking for the heart of Saturday night]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-5843024543344863945</id><published>2007-09-26T17:44:00.001-03:00</published><updated>2008-06-15T14:35:23.214-03:00</updated><title type='text'>[Quote/unquote]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O escritor é a mais solitária das pessoas. Eu pensava nisso à saída do supermercado quando avistei uma mulher belíssima. Estava postada exatamente na entrada dos caixas, vestida de preto, o cabelo preso por uma fita, olhando calmamente para um ponto indefinido, como se nada estivesse acontecendo – apesar de lá fora, na rua, estarem passando carros, crianças, policiais e até os bombeiros com a sirene ligada. Nem isso chamou sua atenção ou pareceu perturbá-la. Uma mulher com ar de quem é absolutamente íntima de incêndios.&lt;br /&gt;  E eu pensando na solidão dos escritores. E, por que não, na dos cientistas, músicos e pintores. Talvez mesmo um arquiteto, debruçado em sua prancheta, alinhando retas, ordenando paralelas, seja um cara sozinho naquele momento. Enfim, o homem é uma criatura solitária. Muito embora viva procurando se amparar nas mais diversas coisas. Até mesmo numa página em branco."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Marçal Aquino, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Onze Jantares&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-5843024543344863945?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/5843024543344863945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=5843024543344863945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5843024543344863945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/5843024543344863945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/09/quoteunquote-o-escritor-mais-solitria.html' title='[Quote/unquote]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6540884772157501433</id><published>2007-09-11T01:18:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T02:58:18.477-02:00</updated><title type='text'>[In her honey dripping beehive]</title><content type='html'>Adoro não saber o que Bob Harris sussurra pra Charlotte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RuYXoCcVRUI/AAAAAAAAABM/yUzlZfs9Yvs/s1600-h/Whisper.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RuYXoCcVRUI/AAAAAAAAABM/yUzlZfs9Yvs/s320/Whisper.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5108796803916318018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6540884772157501433?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6540884772157501433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6540884772157501433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6540884772157501433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6540884772157501433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/09/in-her-honey-dripping-beehive-adoro-no.html' title='[In her honey dripping beehive]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RuYXoCcVRUI/AAAAAAAAABM/yUzlZfs9Yvs/s72-c/Whisper.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-2646665027772947092</id><published>2007-08-31T12:13:00.002-03:00</published><updated>2008-06-15T14:34:22.364-03:00</updated><title type='text'>[I'm a country station, I'm a little bit corny]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sinto-me como a agulha dum velho aparelho toca-discos.&lt;br /&gt;Tenho a impressão de estar parado enquanto todo o resto se move.&lt;br /&gt;Mas não é bem assim; lenta e quase imperceptivelmente, eu caminho.&lt;br /&gt;Quando as trilhas terminam, tenho a impressão de voltar ao ponto de partida.&lt;br /&gt;Mas não é bem assim; todo o resto muda.&lt;br /&gt;Agora é o lado B.&lt;br /&gt;Depois, será a vez de outro disco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2646665027772947092?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2646665027772947092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2646665027772947092&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2646665027772947092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2646665027772947092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/08/im-country-station-im-little-bit-corny.html' title='[I&apos;m a country station, I&apos;m a little bit corny]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-1195450101085906445</id><published>2007-08-27T16:34:00.001-03:00</published><updated>2008-06-15T14:33:46.436-03:00</updated><title type='text'>[Home is anywhere you hang your head]</title><content type='html'>Tenho o mesmo sonho&lt;br /&gt;todas as noites.&lt;br /&gt;Acho melhor comprar outro travesseiro,&lt;br /&gt;já que não consigo mudar de vida&lt;br /&gt;ou de leito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-1195450101085906445?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/1195450101085906445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=1195450101085906445&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1195450101085906445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/1195450101085906445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/08/home-is-anywhere-you-hang-your-head.html' title='[Home is anywhere you hang your head]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3360190444203379110</id><published>2007-08-03T12:56:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T02:58:18.630-02:00</updated><title type='text'>[Star... What?!]</title><content type='html'>O teatro de batatas apresenta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RrNQg0WJncI/AAAAAAAAABE/TsXMMPyGIuE/s1600-h/darth_potato.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RrNQg0WJncI/AAAAAAAAABE/TsXMMPyGIuE/s320/darth_potato.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094504128223747522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;I am your father!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;NOOOOOOOOOOO!!!!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3360190444203379110?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3360190444203379110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3360190444203379110&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3360190444203379110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3360190444203379110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/08/star.html' title='[Star... What?!]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RrNQg0WJncI/AAAAAAAAABE/TsXMMPyGIuE/s72-c/darth_potato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-6926285377304660133</id><published>2007-07-30T12:55:00.001-03:00</published><updated>2008-06-15T14:32:51.449-03:00</updated><title type='text'>[Sobre o hanami e as lembranças]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atravesso a cidade.&lt;br /&gt;É mais um daqueles lugares em que eu nunca pisei antes.&lt;br /&gt;Mas o Horto acaba me fazendo lembrar de uma porção de outros lugares.&lt;br /&gt;O lago com os pedalinhos me lembra Atibaia.&lt;br /&gt;As enormes pedras no meio das árvores me lembram o Central Park.&lt;br /&gt;O parquinho com os brinquedos de criança no meio das sombras me lembra o Ibirapuera.&lt;br /&gt;Sento-me no banco de madeira e penso em uma porção de pessoas.&lt;br /&gt;Atravesso a tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos fundos da casa do meu tio havia uma sacada, da qual tinha-se uma boa vista da cidade. Lá embaixo, espalhava-se um enorme terreno baldio, coberto de mato, árvores, sucata, entulho e toda a sorte de coisas que atraem crianças curiosas.&lt;br /&gt;Da lateral da sacada, descia uma escada em L, que conduzia ao portão de metal que separava a casa do meu tio do terreno baldio. O portão enferrujado vivia fechado. Mesmo assim, os primeiros degraus da escada também eram cobertos de mato e entulho, como se o terreno baldio simplesmente ignorasse o portão e tentasse subir.&lt;br /&gt;Eu não podia descer a escada, pois todo mundo me dizia que lá embaixo provavelmente havia ratos, aranhas e até escorpiões.&lt;br /&gt;Às vezes, penso que as lembranças são exatamente como a tal sacada na casa do meu tio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hanami&lt;/span&gt; é uma espécie de ritual japonês que consiste na apreciação da florada das cerejeiras.&lt;br /&gt;Representa a efemeridade da vida, uma vez que as cerejeiras só florescem durante alguns poucos dias, ao longo do ano todo.&lt;br /&gt;Quando chego ao arboreto, quase já não há mais flores.&lt;br /&gt;Estou atrasado.&lt;br /&gt;Contento-me em pensar que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hanami&lt;/span&gt; originalmente servia como uma bênção sobre a colheita do ano.&lt;br /&gt;Representava, portanto, a esperança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-6926285377304660133?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/6926285377304660133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=6926285377304660133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6926285377304660133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/6926285377304660133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/07/sobre-o-hanami-e-as-lembranas-atravesso.html' title='[Sobre o hanami e as lembranças]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-4215355936893837205</id><published>2007-07-25T20:39:00.001-03:00</published><updated>2008-06-15T14:32:24.405-03:00</updated><title type='text'>[Wash away my sorrow, take away my pain]</title><content type='html'>As calçadas estão molhadas.&lt;br /&gt;Não tenho aonde ir, mas não quero ir pra casa.&lt;br /&gt;Parece que a chuva só cai no feixe de luz que sai do poste.&lt;br /&gt;Todo o resto é céu negro.&lt;br /&gt;Tom Waits diz no meu ouvido:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Huddle a doorway with the rain dogs... For I am a rain dog, too&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;E eu, o que sou?&lt;br /&gt;Chuva no feixe de luz?&lt;br /&gt;Ou céu negro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-4215355936893837205?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/4215355936893837205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=4215355936893837205&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4215355936893837205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/4215355936893837205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/07/wash-away-my-sorrow-take-away-my-pain.html' title='[Wash away my sorrow, take away my pain]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-2267886493634758901</id><published>2007-07-16T14:01:00.001-03:00</published><updated>2008-06-15T14:31:52.173-03:00</updated><title type='text'>[À parte]</title><content type='html'>Não faço idéia do que vocês estão falando.&lt;br /&gt;Não sei por que estão rindo&lt;br /&gt;e nem que música é essa que estão cantando.&lt;br /&gt;Vivo num mundo à parte.&lt;br /&gt;Cubro-me com páginas de um livro&lt;br /&gt;e me fecho em fones de ouvido.&lt;br /&gt;Vou sozinho aos lugares mais bonitos.&lt;br /&gt;Em frente à tela em branco, tenho todas as respostas.&lt;br /&gt;E isso é tudo o que preciso.&lt;br /&gt;Pelo menos é o que digo&lt;br /&gt;à parte de mim que ainda se importa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-2267886493634758901?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/2267886493634758901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=2267886493634758901&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2267886493634758901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/2267886493634758901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/07/parte-no-fao-idia-do-que-vocs-esto.html' title='[À parte]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13752941.post-3730824326348968749</id><published>2007-07-08T13:03:00.002-03:00</published><updated>2008-12-09T02:58:18.837-02:00</updated><title type='text'>[O viajar já é mais que a viagem]</title><content type='html'>Às vezes é fácil partir.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As ruas estão repletas de histórias passadas.&lt;br /&gt;Cada esquina dispara uma recordação, um cheiro, uma canção.&lt;br /&gt;Mas ainda há milhares de lugares em que nunca pisei antes.&lt;br /&gt;Aqui mesmo, na própria cidade.&lt;br /&gt;Ou a mil e cem quilômetros de distância.&lt;br /&gt;A cada esquina, me deparo com rostos estranhos, aromas exóticos, um burburinho intermitente.&lt;br /&gt;As ruas estão repletas de novas histórias a serem contadas.&lt;br /&gt;E isso torna mais fácil voltar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RpELAeszluI/AAAAAAAAAA8/XkxNFYcam-M/s1600-h/trilhos_argentina.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RpELAeszluI/AAAAAAAAAA8/XkxNFYcam-M/s320/trilhos_argentina.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084857557146900194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13752941-3730824326348968749?l=caminhaodelixo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/feeds/3730824326348968749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13752941&amp;postID=3730824326348968749&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3730824326348968749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13752941/posts/default/3730824326348968749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhaodelixo.blogspot.com/2007/07/o-viajar-j-mais-que-viagem-s-vezes-fcil.html' title='[O viajar já é mais que a viagem]'/><author><name>John</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05477000726810455752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/S7kELAGxXeI/AAAAAAAAAII/PHsg3Sa2BBw/S220/driver-big.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_q4vzP3HqwP4/RpELAeszluI/AAAAAAAAAA8/XkxNFYcam-M/s72-c/trilhos_argentina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
