Sexta-feira, Abril 30, 2010

[Som(os)]

Em vez de flores, humores
dispostos em arranjo.
O piano toante finge timidez e diz
uma
tecla
por
vez
a frase que revela a intenção.
O violão se sente em casa e se espalha, feito sorriso.
Festivo, o acordeom convida a um abraço
e, enquanto o faço, a voz treme, hesita um segundo.
Ao fundo, o cello ecoa um medo escondido,
mas logo o violino consegue transformar a noite em melodia.
O ritmo sentencia:
"Amar é como dançar: não tem razão que explique.
Basta fechar os olhos e seguir a batida
do bumbo e do coração".
(Penso, cá comigo,
que quem fecha os olhos
e sonha, anseia e escreve
é igualmente bailarino:
um verso também é movimento,
o silêncio é música
que espera resposta).
A pausa antes do refrão
prende a respiração
e eu me pergunto se você
nota.

1 Como estou dirigindo?:

poetrylandscapes disse...

belo fechamento..

inspirador como sempre.