Domingo, Outubro 26, 2008

[Needle in the hay]

E foi na ilha no meio da avenida que enfim me dei conta:
eu me apego demais a coisas que simplesmente não vão acontecer.

* * *

in the cupboard sits my bottle
like a dwarf waiting to scratch out my prayers.
I drink and cough like some idiot at a symphony,
sunlight and maddened birds are everywhere,
the phone rings gamboling its sounds
against the odds of the crooked sea;
I drink deeply and evenly now,
I drink to paradise
and death
and the lie of love.
[Charles Bukowski]

* * *

A voz de Elliott Smith ecoa solitária pelo apartamento vazio, onde antes Gram Parsons e Emmylou Harris fizeram seu dueto.
Reparo que a tinta da parede começou a descascar (mas o mais provável é que já estivesse assim antes).
Caminho até a sacada carregando o Jim Beam e sento-me no ladrilho gelado, como um cachorro que tenta se refrescar num dia quente e abafado.
Observo uma fileira de formigas no parapeito, o mesmo sobre o qual certa vez nos debruçamos -- você desejando que a chuva desse uma trégua para que pudéssemos ir até a praia; eu, que não precisássemos trabalhar na segunda.
Encho o copo até a metade, torcendo para que desabe uma tempestade e, assim, eu encontre pelo menos um motivo para me sentir tão miserável.
Mas isso não vai acontecer. Simplesmente não vai acontecer.

0 Como estou dirigindo?: