Depois de desabotoar a camisa, despi-la e pendurá-la num dos ganchos na parede, o rapaz tirou o relógio e o colocou cuidadosamente sobre a prateleira estreita.
— Esse relógio era do meu pai. Ele sempre dizia que foi a primeira coisa que ele comprou com o primeiro salário.
Tocou de leve a pulseira de aço.
— Eu recebi meu primeiro salário ontem. Sabe qual foi a primeira coisa que eu comprei?
Virou-se para trás bem no instante em que a mulher livrou-se do vestido, revelando a lingeire vermelha rendada. A visão do corpo dela o deixou embasbacado. Desconfiou que a expressão em seu rosto o denunciava, pois a mulher sorriu, provavelmente satisfeita com a reação que provocava. Ela pôs as mãos na cintura e ensaiou uma pose de pin-up.
— Eu!
O rapaz sentiu-se enrubescer.
— Olha, você é maravilhosa, melhor ao vivo do que nas fotos. Mas, não me leve a mal, você é a terceira coisa que eu... Hã, que eu... Você é meu terceiro gasto.
A mulher riu.
— É? Então me conta: qual foi o seu primeiro... Gasto?
Ele enrubesceu ainda mais e desviou o olhar para o chão.
— Um... Canivete.
— Um canivete?
— É. Suíço.
— Um canivete suíço?
— É. Daqueles que têm várias lâminas, tesoura, chave-de-fenda, abridor de lata, sabe?
— Sei. Você é, tipo, fã do MacGyver ou algo parecido?
— Não. Olha, vai parecer meio estúpido, mas eu simplesmente não sabia o que comprar. Parei na frente duma loja e o canivete foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Sei lá. Achei que ia ser útil ter um. Caso eu fosse acampar. Ou ajudar alguém numa mudança.
— E você pretende acampar?
— Não.
— E nem vai ajudar ninguém na mudança, né?
— Não...
— Hum. Qual foi o segundo gasto?
— Uma dose de uísque no bar lá embaixo.
— Certo. Primeiro, um canivete. Depois, bebida. E agora, comida.
O rapaz ignorou o gracejo.
— É que nem aquele lance do incêndio, sabe? Se me perguntassem qual a primeira coisa que eu salvaria se tivesse um incêndio na minha casa, eu não ia conseguir responder. Acho que, provavelmente, eu ia ficar lá, parado, vendo tudo pegar fogo, sem saber o que fazer. Você acha que a resposta que uma pessoa dá pra esse tipo de pergunta diz alguma coisa importante sobre ela?
A mulher deu de ombros.
— Eu não sei.
Ela tirou o sutiã, como se sugerisse haver coisas mais importantes com que se preocupar no momento. Caminhou em direção ao rapaz, pousou as mãos em seus ombros e beijou seus lábios. Pegou sua mão, conduziu-o até a cama e o fez se sentar. Fez com que acariciasse seus seios. Achou que o rapaz ia elogiá-la ou contar alguma fantasia sexual, mas não foi nada disso que ele disse.
— E você? Qual seria a primeira coisa que você salvaria? Digo, dum incêndio na sua casa?
A mulher suspirou, resignada.
— Bom, no meu caso, eu não teria nenhuma dúvida. Salvaria o meu filho.
— Você tem um filho?
— Por que? Isso tira o teu tesão?
— Não, não, não é isso! É só que... Deve ser bom não ter nenhuma dúvida.
Ela acariciou o rosto do rapaz.
— Não tem nada de errado em ter dúvida. Tem gente que fica a vida inteira sem encontrar uma resposta. Tem outros que se arrependem de algo que responderam de bate-pronto... Você é novo demais pra se preocupar tanto com isso.
Ela tirou a calcinha.
— E daí que você não sabia o que comprar? Olha só, eu prometo que você não vai se arrepender do seu terceiro gasto...
Gentilmente, ela o empurrou para trás e deitou por cima dele. Enquanto a mulher desabotoava sua calça, o rapaz pensou que talvez devesse comprar um animal de estimação. Quem sabe um peixe ou um pássaro.
— Esse relógio era do meu pai. Ele sempre dizia que foi a primeira coisa que ele comprou com o primeiro salário.
Tocou de leve a pulseira de aço.
— Eu recebi meu primeiro salário ontem. Sabe qual foi a primeira coisa que eu comprei?
Virou-se para trás bem no instante em que a mulher livrou-se do vestido, revelando a lingeire vermelha rendada. A visão do corpo dela o deixou embasbacado. Desconfiou que a expressão em seu rosto o denunciava, pois a mulher sorriu, provavelmente satisfeita com a reação que provocava. Ela pôs as mãos na cintura e ensaiou uma pose de pin-up.
— Eu!
O rapaz sentiu-se enrubescer.
— Olha, você é maravilhosa, melhor ao vivo do que nas fotos. Mas, não me leve a mal, você é a terceira coisa que eu... Hã, que eu... Você é meu terceiro gasto.
A mulher riu.
— É? Então me conta: qual foi o seu primeiro... Gasto?
Ele enrubesceu ainda mais e desviou o olhar para o chão.
— Um... Canivete.
— Um canivete?
— É. Suíço.
— Um canivete suíço?
— É. Daqueles que têm várias lâminas, tesoura, chave-de-fenda, abridor de lata, sabe?
— Sei. Você é, tipo, fã do MacGyver ou algo parecido?
— Não. Olha, vai parecer meio estúpido, mas eu simplesmente não sabia o que comprar. Parei na frente duma loja e o canivete foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Sei lá. Achei que ia ser útil ter um. Caso eu fosse acampar. Ou ajudar alguém numa mudança.
— E você pretende acampar?
— Não.
— E nem vai ajudar ninguém na mudança, né?
— Não...
— Hum. Qual foi o segundo gasto?
— Uma dose de uísque no bar lá embaixo.
— Certo. Primeiro, um canivete. Depois, bebida. E agora, comida.
O rapaz ignorou o gracejo.
— É que nem aquele lance do incêndio, sabe? Se me perguntassem qual a primeira coisa que eu salvaria se tivesse um incêndio na minha casa, eu não ia conseguir responder. Acho que, provavelmente, eu ia ficar lá, parado, vendo tudo pegar fogo, sem saber o que fazer. Você acha que a resposta que uma pessoa dá pra esse tipo de pergunta diz alguma coisa importante sobre ela?
A mulher deu de ombros.
— Eu não sei.
Ela tirou o sutiã, como se sugerisse haver coisas mais importantes com que se preocupar no momento. Caminhou em direção ao rapaz, pousou as mãos em seus ombros e beijou seus lábios. Pegou sua mão, conduziu-o até a cama e o fez se sentar. Fez com que acariciasse seus seios. Achou que o rapaz ia elogiá-la ou contar alguma fantasia sexual, mas não foi nada disso que ele disse.
— E você? Qual seria a primeira coisa que você salvaria? Digo, dum incêndio na sua casa?
A mulher suspirou, resignada.
— Bom, no meu caso, eu não teria nenhuma dúvida. Salvaria o meu filho.
— Você tem um filho?
— Por que? Isso tira o teu tesão?
— Não, não, não é isso! É só que... Deve ser bom não ter nenhuma dúvida.
Ela acariciou o rosto do rapaz.
— Não tem nada de errado em ter dúvida. Tem gente que fica a vida inteira sem encontrar uma resposta. Tem outros que se arrependem de algo que responderam de bate-pronto... Você é novo demais pra se preocupar tanto com isso.
Ela tirou a calcinha.
— E daí que você não sabia o que comprar? Olha só, eu prometo que você não vai se arrepender do seu terceiro gasto...
Gentilmente, ela o empurrou para trás e deitou por cima dele. Enquanto a mulher desabotoava sua calça, o rapaz pensou que talvez devesse comprar um animal de estimação. Quem sabe um peixe ou um pássaro.



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