Atravesso a cidade.
É mais um daqueles lugares em que eu nunca pisei antes.
Mas o Horto acaba me fazendo lembrar de uma porção de outros lugares.
O lago com os pedalinhos me lembra Atibaia.
As enormes pedras no meio das árvores me lembram o Central Park.
O parquinho com os brinquedos de criança no meio das sombras me lembra o Ibirapuera.
Sento-me no banco de madeira e penso em uma porção de pessoas.
Atravesso a tarde.
* * *
Nos fundos da casa do meu tio havia uma sacada, da qual tinha-se uma boa vista da cidade. Lá embaixo, espalhava-se um enorme terreno baldio, coberto de mato, árvores, sucata, entulho e toda a sorte de coisas que atraem crianças curiosas.
Da lateral da sacada, descia uma escada em L, que conduzia ao portão de metal que separava a casa do meu tio do terreno baldio. O portão enferrujado vivia fechado. Mesmo assim, os primeiros degraus da escada também eram cobertos de mato e entulho, como se o terreno baldio simplesmente ignorasse o portão e tentasse subir.
Eu não podia descer a escada, pois todo mundo me dizia que lá embaixo provavelmente havia ratos, aranhas e até escorpiões.
Às vezes, penso que as lembranças são exatamente como a tal sacada na casa do meu tio.
* * *
O hanami é uma espécie de ritual japonês que consiste na apreciação da florada das cerejeiras.
Representa a efemeridade da vida, uma vez que as cerejeiras só florescem durante alguns poucos dias, ao longo do ano todo.
Quando chego ao arboreto, quase já não há mais flores.
Estou atrasado.
Contento-me em pensar que o hanami originalmente servia como uma bênção sobre a colheita do ano.
Representava, portanto, a esperança.
É mais um daqueles lugares em que eu nunca pisei antes.
Mas o Horto acaba me fazendo lembrar de uma porção de outros lugares.
O lago com os pedalinhos me lembra Atibaia.
As enormes pedras no meio das árvores me lembram o Central Park.
O parquinho com os brinquedos de criança no meio das sombras me lembra o Ibirapuera.
Sento-me no banco de madeira e penso em uma porção de pessoas.
Atravesso a tarde.
* * *
Nos fundos da casa do meu tio havia uma sacada, da qual tinha-se uma boa vista da cidade. Lá embaixo, espalhava-se um enorme terreno baldio, coberto de mato, árvores, sucata, entulho e toda a sorte de coisas que atraem crianças curiosas.
Da lateral da sacada, descia uma escada em L, que conduzia ao portão de metal que separava a casa do meu tio do terreno baldio. O portão enferrujado vivia fechado. Mesmo assim, os primeiros degraus da escada também eram cobertos de mato e entulho, como se o terreno baldio simplesmente ignorasse o portão e tentasse subir.
Eu não podia descer a escada, pois todo mundo me dizia que lá embaixo provavelmente havia ratos, aranhas e até escorpiões.
Às vezes, penso que as lembranças são exatamente como a tal sacada na casa do meu tio.
* * *
O hanami é uma espécie de ritual japonês que consiste na apreciação da florada das cerejeiras.
Representa a efemeridade da vida, uma vez que as cerejeiras só florescem durante alguns poucos dias, ao longo do ano todo.
Quando chego ao arboreto, quase já não há mais flores.
Estou atrasado.
Contento-me em pensar que o hanami originalmente servia como uma bênção sobre a colheita do ano.
Representava, portanto, a esperança.



